14 setembro 2011

CLEMÊNCIA PARA COM OS CRIMINOSOS


Devemos amar os criminosos, como criaturas de Deus, “às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem”(1) como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua lei. Não nos cabe dizer de um criminoso: é “um miserável; deve-se expurgar da terra; não é assim que nos compete falar. Que diria Jesus, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podemos fazer o mesmo; mas, pelo menos, podemos orar por ele.”(2)
Infelizmente noticia-se, às vezes, pela mídia em geral, a tortura física e psicológica, nos presídios e penitenciarias , como uma das barbaridades cometidas em nome do Estado e da lei.
Kardec, preocupado com as graves questões sociais, expressou sua inquietude na pergunta 807 do Livro dos Espíritos, sobre o que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos. "Merecem anátemas!", responderam os luminares do além, que ainda acrescentam: "Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos e renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer os outros".(3)
Se verdadeiras as agressões de agentes de segurança aos presos, e ocorrendo as muitas defecções morais cometidas pelos chamados homens "livres", enchafurdados em seus interesses espúrios, a síndrome da violência inverte a situação de tal forma que os agentes de segurança passam a ser os controlados e vigiados e os encarcerados se mantêm deixados em sua "independência". Os criminosos enclausurados se fortalecem psicologicamente e passam a perseguir e a assassinar, sem limites, os agentes do estado.
Observamos ondas de ódios e violências sem precedentes. Testemunhamos muitas vezes, pela imprensa, os mais dantescos episódios de combate entre criminosos e policiais.
O sistema carcerário mantém juntos o criminoso reincidente e o primário nas cadeias; os criminosos de periculosidades diversas convivem no mesmo espaço, o que tem contribuído para o acréscimo da violência entre eles e dá acolhimento à revolta, além de dificultar a possível recuperação do indivíduo. Em outras palavras, o preso menos violento, dificilmente será o mesmo após um estágio numa penitenciária.
Nessa estranha panorâmica, percebemos que a brutalidade humana tem esmaecido o caminho para Deus. Destarte, torna-se imprescindível praticarmos o Evangelho nos vários setores do campo social, contribuindo com a parcela de mansidão para pacificá-la. O homem moderno ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que ainda avassala a Terra.
Recordemos Jesus e Suas considerações sobre a prática de um sublime código de caridade, ante as questões da vida dos encarcerados: "Senhor, quando foi que te vimos preso e não te assistimos?". Ao que Ele respondera: "Em verdade vos digo - todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.".(4) Alguém disse certa vez que se abrirmos um ovo choco, sentiremos nojo pelo mau odor exalado por aquela parte viscosa. No entanto, o que nos parece podridão naquela substancia é, apenas, transformação, ou seja, é o berço de uma nova vida que aparecerá, em breve, repetindo na candura e beleza - sempre suaves - do pintinho, que surgirá da intimidade do ovo. Situação idêntica, o homem. Se analisado em seus pendores, parecerá pouco atraente e até repugnante, quando mergulhado no crime. Se buscarmos um ponto de analogia, percebemos que, de certa maneira, também estamos em processo de gestação no útero da sociedade.
Do mais insignificante ser humano até Deus existe uma corrente na qual nos colocamos como elos inquebrantáveis. Logo, nenhum elo existe que esteja desligado e sem amparo Dele. O que existe é: diferença no volume e na qualidade do amparo. Na verdade, o homem cresce e se expande na medida em que se projeta no coração do semelhante. Assim, a realização de qualquer investimento de solidariedade, ante os presos de menor ou maior periculosidade, se consubstanciará no mais eloquente ato cristão.

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
 http://jorgehessen.net/ 

Referências bibliográficas: 
(1)    Karde, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Caridade ara com os criminosos, instruções de Elisabeth de France (Havre, 1862),  Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 11 
(2)    idem
(3)    Kardec, Allan. O Livros dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, perg 807
(4)    Mt 25:31-46 

09 setembro 2011

NA REENCARNAÇÃO A HEREDITARIEDADE NÃO É DETERMINÍSTICA


Pesquisadores da Universidade de Kontanz, na Alemanha, asseguram que “o estresse de uma mãe pode provocar alterações biológicas em um receptor de hormônios e afetar seu bebê ainda no útero, causando sequelas em longo prazo na vida da criança.”.(1) Essas mutações foram associadas a problemas de conduta e enfermidades mentais. Mulheres que usam certos tipos de antidepressivos durante a gestação, da qual fazem parte remédios como o Prozac (fluoxetina) e o Zoloft (sertralina), “podem ter bebês com síndrome de abstinência neonatal. Após o nascimento, quando não ingerem mais as substâncias, os bebês apresentam sintomas como convulsões, irritabilidade, choro anormal e tremores.”.(2)
Pela "hipótese da programação fetal", discute-se sobre alguns fatores inoportunos acontecidos durante períodos sensíveis do desenvolvimento no útero que tendem a "programar set points"(3) numa variedade de sistemas biológicos da criança. Isso influenciaria a desenvoltura desses sistemas biológicos para modificarem ao longo da vida, derivando em dificuldades de adaptação fisiológicas, culminando em predisposição a enfermidades e conflitos psíquicos.
No entanto, para o espírita, a Lei Divina estabelece que se o ser reencarnado carrega tendências inferiores ele apenas as desenvolve ao reencontrar situação favorável. A herança genética, qual é aceita nos conhecimentos científicos atuais, tem as suas fronteiras. Podem ocorrer “certas modificações à matéria na parte embriológica, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção de que necessite o reencarnante.”.(4) O nascimento e o renascimento, no mundo, sob o ponto de vista físico, “jazem confiados a leis biológicas de cuja execução se incumbem Inteligências especializadas, contudo, em suas características morais, subordinam-se a certos ascendentes do espírito. E quanto mais vastos os recursos espirituais de quem retorna à carne, mais complexo é o mapa de trabalho a ser obedecido.”. (5)
Assimilamos as energias de nossos pais terrestres na medida de nossas qualidades boas ou más, para o destino enobrecido ou torturado a que fazemos jus, pelas nossas conquistas ou débitos que voltam à Terra conosco, emergindo de nossas anteriores experiências. “A hereditariedade é dirigida por princípios de natureza espiritual. Se os filhos encontram os pais de que precisam, os pais recebem da vida os filhos que procuram.”.(6) Se ao reencarnarmos permanecemos dispostos ao processo de auto elevação, sobrepujaremos a quaisquer cobranças menos nobres do corpo ou do ambiente, triunfando sobre as condições antagônicas.
Os estudiosos suspeitam que o lugar primordial (intra-útero) tenha papel crucial. Inobstante acreditarem que o “bebê é sensível só ao ambiente (intra-uterino) de uma forma única, muito mais do que após o nascimento”(7), afirma-se que o ambiente social da gestante pode ser de extrema importância para o desenvolvimento do bebê. Estudo realizado nos Estados Unidos indica que pessoas que receberam carinho em abundância de suas mães quando bebês são mais capazes de lidar com as pressões da vida adulta.(8)
Cada qual de nós renasce na Terra a exprimir na matéria densa o patrimônio de bens ou males que incorporamos aos tecidos sutis da alma. A patogenia, na essência, envolve estudos que remontam ao corpo espiritual, e podemos entender, com mais segurança, os processos dolorosos das enfermidades congênitas e das moléstias insidiosas que assaltam a meninice no mundo.
Há dolorosas reencarnações que significam tremenda luta expiatória para as almas necrosadas no vício. “Cada reencarnação está supervisionada por deliberações superiores, muitas vezes insondáveis para o homem.”.(9) Renascimentos, berços torturados, acidentes da infância, delitos da juventude, dramas passionais, lares periclitantes, divórcios, deserções afetivas, certas modalidades de suicídio, tanto quanto moléstias e obsessões resultantes de abusos sexuais e uma infinidade de temas conexos são examinados nos departamentos especializados do além, segundo as rogativas e as queixas entregues aos pronunciamentos da justiça.".(10)
O corpo físico, de certa maneira, em muitas ocorrências, não é apenas um “vaso divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também uma espécie de carvão milagroso, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial.”.(11) O organismo provém do corpo dos pais, porém, as tendências que cercam cada um desde os primeiros dias, pelo ambiente a que foi chamado a viver ou pelo tipo de corpo com que (re)nasceu, afeta-o mais ou menos, pela força do livre arbítrio. As qualidades morais resultam da luta e do esforço individual. Uma verdade é inconteste: os pais transmitem disposições genéticas, jamais qualidades morais! A consciência traça o destino, o corpo apenas reflete a alma. “Toda agregação de matéria obedece a impulsos do espírito. Nossos pensamentos fabricam as formas de que nos utilizamos na vida.”. (12)
O corpo herda do corpo conforme o estado mental que se ajusta a outras mentes [pais], pela lei da afinidade, cabendo reconhecer que a hereditariedade [relativa ou compulsória] talhará o corpo físico de que necessitamos em determinada encarnação, não nos sendo possível alterar o plano de serviço que merecemos ou de que fomos incumbidos. “Segundo as nossas aquisições e necessidades podemos, pela própria conduta feliz ou infeliz, acentuar ou esbater a tonalidade dos códigos que nos recomendam a rota, através dos bióforos [unidades de força psicossomática que atuam no citoplasma], projetando sobre as células e, consequentemente sobre nosso corpo, os estados da mente, que estará enobrecendo ou agravando a própria situação, de acordo com a nossa escolha do bem ou do mal.”.(13)
Como se depreende, a lei da hereditariedade não é determinística. A criatura não receberá, ao renascer, a total imposição dos característicos dos pais. As enfermidades ou as disposições criminosas não serão transmissíveis de maneira integral. Sob quaisquer hipóteses das pesquisas acima, recordemos igualmente que cada ser humano [encarnado ou não] é um mundo por si mesmo. O espírito que possui a mente alicerçada nas bases do amor emite forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células de seu próprio organismo; “todavia, quando perturbada, emite raios magnéticos do alto poder destrutivo para estas mesmas células. 
Certamente, um estado depressivo da mãe pode alterar a tessitura de um reencarnante, tanto quanto o vínculo sólido entre mãe e bebê pode diminuir o estresse da criança e ajudá-la a desenvolver recursos que a auxiliarão em suas interações sociais e na vida de maneira geral.  Mas será que o calor maternal na infância poderá ser fator determinante e exclusivo para o comportamento dos filhos anos mais tarde? Em verdade, a vida física é puro estágio educativo, dentro da eternidade, e a ela ninguém é chamado a fim de candidatar-se a paraísos de favor.”.(14) 
Reencarnar não é ganhar um corpo para nova aventura, ao acaso das circunstâncias, contudo “significa responsabilidade definida nos serviços de aprendizagem, elevação ou reparação, nos esforços evolutivos ou redentores.”.(15)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net



Referências bibliográficas:

(1)           Publicadas na revista científica Translational Psychiatry.
(2)           Segundo pesquisa da Universidade de La Laguna, na Espanha
(3)           Termo referente a qualquer um de um número de quantidades (por exemplo, o peso corporal, a temperatura do corpo) que o corpo tenta manter em um valor específico
(4)           Xavier, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu,  ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap.XII
(5)           Segundo Carmine Pariante, especialista em psicologia do estresse do Instituto de Psiquiatria do King's College London
(6)           Pesquisa divulgada pelo Journal of Epidemiology and Community Health
(7)           ________, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975, Cap.X
(8)           ________, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu,  ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap.XXIX
(9)           Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2000, Primeira Parte - VII
(10)         Xavier, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu,  ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1975,Cap.II
(11)         Xavier, Francisco Cândido. Libertação, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 Cap.III
(12)         Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999 Cap.2
(13)         idem  Cap.12
(14)         Xavier, Francisco Cândido. E a Vida Continua, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1968, Cap.17
(15)         Xavier, Francisco Cândido. Sexo e Destino, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1963, 2ª parte - Cap.X

01 setembro 2011

COGITAÇÃO SOBRE TRATAMENTO DE MOLÉSTIAS MENTAIS E AS PROPOSIÇÕES ESPÍRITAS


 Há 60 anos, a absorvente “psiquiatrização” da terapêutica das enfermidades mentais foi robustecida com o advento das primeiras drogas facilmente absorvida no Sistema Nervoso Central, porém seu uso tornou-se abusivo e indiscriminado, cristalizando a doença mental crônica e incapacitante. Mais recentemente, todavia e felizmente outras terapias têm surgido a exemplo da arteterapia e outras técnicas expressivas, todas consideradas intervenções admiráveis dentro desse novo “approach” (enfoque) mais humano.
Há grande contingente de expressão, viabilizados por atividades atreladas à música e ao teatro, trabalhando a ampliação da comunicação com o mundo interno e externo. A metodologia, enquanto manifestação criativa do ser humano na sua luta interior, tem sido resgatada enquanto prática terapêutica na assistência em saúde mental e destina-se tanto a transtornos neuróticos como psicóticos.
No anfiteatro da psiquiatria, pesquisadores mais atrevidos já incluíam algumas doenças de origens nervosas e mentais, sendo induzidas pela influência de seres extracorpóreos (espíritos); no entanto, os convencionalismos da época evitaram que as pesquisas com esse viés espiritual avançassem. Malgrado poucos informes científicos, há muitas evidências de que o processo obsessivo ou a imantação e interposições de magnetismos deletérios desempenha ação terrível na fisiopatogenia das enfermidades no corpo físico e espiritual, e, às vezes, evoluindo com quadros gravíssimos.
A ação obsessiva espiritual , sob qualquer ocorrência que se exprima, é moléstia muitas vezes de longo caminho, exigindo terapêutica especializada, de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir imediatamente. A atuação mental e magnética do obsessor sobre o cérebro, se não forem retiradas em tempo hábil, dará, basicamente, em resultado, a consternação daquele órgão, tanto mais intenso quanto mais período encontrar-se sob a influência destruidora daqueles fluidos.
Para os tratamentos de ordem psíquico e mental é importante a formulação quimioterápica (sedativos, antidepressivos e medicamentos de ação central. Consideramos a importância dos eletrochoques ) embora muito raramente, apenas nos casos de difícil remissão (casos catatônicos) ou de extrema resistência à quimioterapia; a psicoterapia – segundo as técnicas usuais, de escolha do terapeuta (aliada, sempre que possível, à noção de reencarnação); a psicanálise profunda – (calcada, sempre que possível, na pluralidade das existências); e, como vimos acima, a terapia ocupacional – mantendo o paciente ocupado em trabalho que o atraia e de seu interesse, de modo a mantê-lo afastado de seus pensamentos doentios; a ludoterapia – divertimentos sadios e cultivo de esportes (ginástica, natação, e outros tipos de exercícios); a musicoterapia – o senso musical talvez seja o último elo que o doente mental perde e deve ser cultivado com carinho; a reeducação – através de contatos freqüentes com assistentes sociais e palestras educativas.
Ainda, sob o ponto de vista das alternativas médicas, ressaltamos a importância da homeopatia, acupuntura e todos os esforços no sentido de levar o indivíduo a uma busca objetiva diante da vida, sem culpas, sem cobranças, valorizando a sua auto-estima, o pensamento positivo e a força de vontade.
Os espíritas sensatos devem respeitar as orientações dos profissionais da área de saúde, evitando equívocos como: fazer diagnósticos, trocar e/ou suspender medicamentos e, às vezes, tornar o quadro dos pacientes mais graves que verdadeiramente o são. Por outro lado caberia aos médicos, ao tratar seus pacientes, admitindo a hipótese de influência espiritual, ainda que não comprovada, academicamente, pedir ajuda às casas espíritas que exercem suas atividades com objetivos sérios, seguindo os postulados do Cristo e os preceitos da Doutrina Espírita.
Apesar de todos os esforços, às vezes, é difícil fazer um diagnóstico diferencial específico, considerando que os sinais e sintomas são idênticos, tanto na loucura, propriamente dita, com lesões cerebrais, quanto nos processos obsessivos, onde há grande perturbação na transmissão do pensamento.
O tratamento espiritual, oferecido na Casa Espírita bem orientada, não dispensa tratamento médico. O prognóstico, de modo geral, poderá ser bom ou ruim, considerando todos os fatores envolvidos, especialmente, o interesse do obsedado em profundas transformações íntimas e a boa vontade da família em dar-lhe toda a assistência possível sob todos os aspectos.
O Espiritismo e a medicina, no futuro, poderão se entender não se contradizendo, todavia de unidas, marchando conectadas, procurando todos os expedientes disponíveis no sentido de atenuar a agonia do doente. Caso contrario, a medicina  boiará em um mar de dúvida, enquanto esperar que a demência está amarrada, unicamente, no universo  cerebral. A ciência precisa distinguir as causas físicas das causas morais, para poder aplicar às moléstias os meios correlativos.
Portanto, uma excelente proposta para tratamento dos portadores de doenças psíquicas é a participação em reuniões de desobsessão. No caso do obsessor (encarnado e desencarnado), ele terá a oportunidade de comparecer à reunião, onde deverá ser recebido com muito amor, visando o esclarecimento pela doutrinação, a fim de que possa compreender os erros do irmão e assim encontrar forças para perdoar.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

A PROPOSIÇÃO DA CIÊNCIA ESPÍRITA É DESCORTINAR A REALIDADE DO ESPÍRITO IMORTAL




A Ciência, propriamente dita, é uma conquista recente; não ultrapassa a três séculos, embora seus primeiros ensaios tenham começado na Grécia dos áureos séculos VI, V, IV a.C. Temo-la representada por Arquimedes, em cujas pesquisas deram base para a mecânica, por Pitágoras de Samos, por Tales de Mileto, por Euclides de Alexandria, no desenvolvimento da matemática e da estruturação numérica.

Um milênio após essas apoteóticas realizações gregas, ocorreu, na Europa, a desagregação do Império romano, no século V, e a liderança cristã surgiu como elo de agregação dos “bárbaros invasores” e se transformou em Igreja soberana absoluta dos destinos “espirituais” no Ocidente.

No século XIII, Tomás de Aquino se destacou, propondo a síntese do cristianismo vigente com a visão aristotélica do mundo. Em suas duas Summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de então. No século XIV, a Igreja romana, sob os guantes tomasistas, entronizou uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundiram numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo ao Criador. A tese de Aquino afirmava que não podia haver contradição entre fé e razão e estabeleceu o pensamento filosófico-teológico manifesto na truculenta filosofia do “Roma locuta causa finita”.

a partir dos séculos XV e XVI, o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo). Os pensadores criticaram e questionaram a autoridade dessa autoritária Igreja romana. Nessa conjuntura a apropriação do conhecimento partia da realidade observada pela experimentação, pela constatação, e, por fim, pela teoria, decorrendo uma ligação entre ciência e técnica. No século XVII, a primeira grande teoria de que se tem notícia na moderna ciência versou sobre a gravitação universal elaborada por Newton, desmembrada das leis dos movimentos planetários de Kepler e na Lei de Galileu sobre a queda dos corpos.

No século XIX Marx Plank propôs a teoria do Quantum. No século XX, Albert Einstein resignificou a teoria da relatividade e outros pressupostos das teses newtonianas sobre a gravitação universal, chegando a conclusões inusitadas na abordagem sobre as realidades do micro ou do macrocosmo, sobretudo no que reporta a tempo e espaço na dimensão material. Até então, a física tradicional era considerada a chave das respostas da vida no mundo palpável, estribada no determinismo mecanicista. Todavia, na década de 1920, as pesquisas de Brooglie, no universo da física quântica, redirecionaram o pensamento científico na formulação heisenberguiana do “princípio da indeterminação ou da incerteza” e com ele irrompeu-se um “irracionalismo” na ciência redimensionando a distância do homem das realidades naturais da vida.

Em meio a essas trajetórias históricas, surge, no cenário terrestre, no século XIX, a personalidade luminosa de Allan Kardec, que, inspirado pelos Benfeitores do Além, sentenciou: Fé verdadeira é a que enfrenta frente a frente a razão em qualquer época da humanidade , esclarecendo os enigmas que desafiavam as inteligências daqueles mesmos que confiavam nos determinismos tecnicistas do nec plus ultra acadêmico.

A proposição da Ciência Espírita é descortinar a realidade do Espírito imortal, fundamentada em realces científicos acerca dos fenômenos mediúnicos coletados na metodologia doutrinária. A proficuidade desse saber está na razão direta do seu bom emprego por parte daqueles que dele tomam ciência. Desse modo, é preciso que nos apropriemos de tal forma do saber contidos nas obras básicas da Doutrina dos Espíritos que, por via de consequência, nos façamos senhores de nós mesmos, ou seja, emancipados intelectualmente da cegueira espiritual do materialismo, tanto quanto das superstições.

O mestre de Lyon ainda afirmou em outras palavras que o Espiritismo independe de qualquer crença científica ou religiosa e não propõe que fora do Espiritismo não há salvação; tanto quanto não pretende explicar toda verdade, razão pela qual não propôs – “fora da verdade não há salvação”. Os preceitos kardecianos consubstanciam-se no manancial mais expressivo das verdades eternas. A missão da Doutrina Espírita perpassa o processo de reerguimento do edifício desmoronado da crença cristã.


Jorge Hessen

http://jorgehessen.net