27 outubro 2011

O CENTRO ESPÍRITA NÃO É UM HOSPITAL PÚBLICO, MAS SIM UMA ESCOLA DE CONSCIENTIZAÇÃO DO ESPÍRITO


Ficamos consternados ao ler pela imprensa as seguintes publicações: “500 km em busca de UTI (mãe e bebês gêmeos viajam mais de 500 km em busca de UTI em Porto Alegre-RS).”(1); “Falta de estrutura mata idosa no Rio” (Falta de estrutura da rede pública de saúde faz mais uma vítima no Rio de Janeiro) (2); “SUS gaúcho - 500 mil procedimentos não atendidos” (Estudo aponta 500 mil procedimentos não atendidos no SUS gaúcho). (3); “Mitos em torno dos recursos para a saúde”(4); “Saúde em greve no RS” (justiça determina restabelecimento das emergências).(5); “Pacientes como mercadoria” (Uma doença chamada propina).(6); “Do caos ao colapso na saúde.”(7); “Pesadelo da saúde.”(8); “Hospital é festival de horrores”. (9)
No Brasil, a Constituição de 1988 tornou, em tese, o acesso à saúde gratuita um direito universal de todo cidadão brasileiro. Para atender a esse objetivo, foi criado, há duas décadas, o Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, no entanto, ocorreu com a saúde algo semelhante ao observado na educação. A precária qualidade do atendimento público empurrou a classe média para o sistema privado. O Ministério da Saúde possui o maior orçamento do governo. O Brasil gasta, com saúde, mais do que outros países em desenvolvimento, e nem por isso possui indicadores mais favoráveis, ou seja, o país não oferece um nível mínimo de atendimento digno.
Observamos o sucateamento do setor público de saúde no Brasil, razão por que os Centros de Saúde não atendem satisfatoriamente a demanda da população, pelo número excessivo de pacientes a serem socorridos, seja por falta de equipamentos básicos necessários em casos de emergência, seja pelo número reduzido dos profissionais de que podem dispor, ou seja, pelos baixos salários que esses profissionais recebem, dentre outros fatores. Tudo isso tem provocado uma reação de abandono do serviço público nesses profissionais.
Muitas vezes as pessoas tendem a buscar meios alternativos para tratar suas enfermidades, e dentre eles estão os espaços religiosos, que possibilitam o acolhimento fraterno, dando importância e atenção ao que a pessoa está sentindo, e que, em muitas das vezes, aproxima-se da real condição do doente. Outras radicalizam mais, preferindo o auxílio das "rezadeiras" ou dos "curandeiros", disponíveis a atender, gratuitamente, através da reza e dos curativos feitos com ervas por exemplo, crendo na cura dessas pessoas apenas pelo fato de terem recebido o "dom de Deus".
Entretanto, alguns procuram as casas de orientação espírita, pois nelas encontram-se tratamentos para o bem-estar dos indivíduos, tendo o centro um papel interessante nesse contexto para prevenção e manutenção da saúde.
Já que o governo tem suas dificuldades na área, os espaços religiosos procuram oferecer alívio a esses males e sofrimentos, como também conforto, solidariedade e acolhimento. Daí a representação da relevância das práticas espíritas na saúde da população. O Centro Espírita percebe a prevenção de saúde de forma ampliada e contínua, através da difusão (sem prosélitos) das suas instruções espirituais. Portanto, o papel desempenhado pelas estruturas espíritas e/ou religiosas, de forma geral, pode ser de fato entendido como apoio à saúde (prioritariamente espiritual ) na sociedade.
A temática de práticas espíritas relacionadas à saúde pública é pouco discutida, razão pela qual não encontramos muitas publicações referentes à percepção desse fenômeno social pelos escritores espíritas. O descaso com a saúde pública tem confirmado o papel do apoio social e espiritual do Centro Espírita na percepção do bem-estar e sua relação com a concepção do amor e da caridade como fundamentos da conduta humana, explicados como saudáveis e capazes de manter a saúde relativa da população.
A caridade, apoiada na fé raciocinada que o Espiritismo propõe, dá sentido à vida, oferecendo consolo, renovando energias e dando orientação eficaz ante as situações de angústia, incerteza das idéias e, consequentemente, ante a insegurança pessoal. Essa fé está ligada à vida concreta dos que nela depositam a sua crença. Em todo tipo de religião está implícito um problema central: liberar o homem da incerteza de sua transcendência, dar sentido à sua vida no mundo e além dele. Numa palavra: "conscientização" do mundo espiritual.
Obviamente o Centro espírita não pode e nem deve ser um hospitalzão, entronizando métodos de cura física para os doentes que o procuram, mas uma escola da alma em que se prioriza a terapêutica da educação do ser pela ciência do espírito, a fim de que os doentes possam curar suas próprias doenças.
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
http://jorgehessen.net


Referências:

(1)    BOM DIA BRASIL, REDE GLOBO, Terça-feira, 25/10/2011
(2)    RJ TV - REDE GLOBO, Segunda-feira, 24/10/2011
(3)    OPINIÃO - O Estado de S.Paulo - 17/10/2011
(4)    EDITORIAL O GLOBO, 07/10/2011 às 18h13m
(5)    ZERO HORA 26/08/2011
(6)    O GLOBO, 20/08/2011 às 20h09m, Fabíola Gerbase
(7)    ZERO HORA 19/08/2011
(8)    RBS Notícias - Série Pesadelo da Saúde - Reportagem 4, 28/7/2011
(9)    O GLOBO, 10/09/2010.

20 outubro 2011

EDUCAÇÃO ESPÍRITA: ARCABOUÇO DA FUTURA GERAÇÃO SAUDÁVEL.



Thylane Lena Rose Blondeau, de 10 anos de idade, fez uma produção fotográfica para a revista Vogue Paris, levantando polêmica devido à roupa ousada, maquiagem e poses provocantes. O ensaio fotográfico está causando indignação em pessoas ligadas a ONGs de proteção à criança. De acordo com a organização “Concerned Women for America”, os pais da criança devem ser responsabilizados por ter permitido à criança realizar aquele trabalho. “Isto é claramente exploração infantil e os progenitores deviam ser processados judicialmente”, segundo Penny Nance, presidente da Organização.
O mundo ingênuo da criança vem sendo explorado pela fúria predadora da erótica irresponsável, aviltando a inocência e dignidade infantis. Como se não bastasse “o caso Thylane”, há outras situações polêmicas na contenda, a exemplo dos cursos para crianças de pole dancing (1), no México, e de funk “carioca”, no Rio de Janeiro. Muitas delas (crianças e adolescentes) têm aderido ao 'sexting', postando fotos sensuais na internet. São meninas e meninos que buscam os espaços virtuais nos sites de relacionamento.
O termo “sexting” é originado da união de duas palavras em inglês: “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens). Para praticar o “sexting” crianças e adolescentes  produzem e enviam fotos sensuais de seus corpos nus ou seminus usando celulares, câmeras fotográficas, contas de e-mail, salas de bate-papo, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento. O que estão fazendo com a infância e a juventude atual? Muitas crianças e jovens não têm capacidade crítica, não têm noção do perigo a que estão sujeitos.
A infância é, sem dúvida, o período fértil para a absorção de valores os mais variados. O relacionamento entre pais e filhos deve ser embasado no amor, capaz de suprir as deficiências de ambos. Nossa responsabilidade como pais, educadores e participantes da comunidade, de maneira geral, deve ser voltada ao bom emprego dessa facilidade de assimilação, para a edificação de um mundo mais perfeito.
A criança é o amanhã. E, “com exceção dos espíritos missionários, os homens de agora serão as crianças de amanhã, no processo reencarnacionista.”.(2) A demanda de redenção dos novos tempos que chegam há de principiar na alma da infância, se não quisermos divagar nos cipoais teóricos da fantasia exacerbada. Precisamos perceber no coração infantil o esboço da geração próxima, procurando ampará-lo em todas as direções, pois “a orientação da infância é a profilaxia do futuro.”.(3) Por questão de prudência cristã, não podemos permitir “que as crianças participem de reuniões ou festas que lhes conspurquem os sentimentos em nenhuma oportunidade, porque a criança sofre de maneira profunda a influência do meio.”(4)
Uma legítima educação é aquela em que os poderes espirituais regem a vida social. Antigamente, a pureza das crianças era uma realidade mensurável. Sua perspectiva não ultrapassava os simples livros didáticos, um único humilde caderno e brinquedos baratos. Para repreendê-las e educá-las, às vezes, bastava um olhar firme dos pais. Porém, aquele imaginário infantil, de quietude e sonho ingênuo, desmoronou sob o impacto da era do sensualismo, da violência, do materialismo.
Em nossa análise, concebemos que o mundo fashion, a televisão e a internet, ao invadirem os lares, potencializaram nas crianças o despertar antecipado para uma realidade nua e cruel, o que equivale a afirmar que elas foram arrancadas do seu universo de fantasia e conduzidas para a inversão dos valores morais, estimuladas, também, pela vaidade dos pais. Destarte, o período de inocência e tranquilidade infantil foi diminuindo.
Cada vez mais cedo, e com maior intensidade, as inquietações da adolescência brotam acrescidas pelos múltiplos e desencontrados apelos das revistas obscenas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo descontrolado, do mau gosto comportamental, da vulgaridade exibida e outras tantas extravagâncias, como reflexos óbvios de pais que vivem alienados, estagnados e desatualizados, enclausurados em seus afazeres diários e que nunca podem permanecer à frente da educação dos próprios rebentos.
Cremos, e isso é a nossa esperança!, que no conjunto de provisão dos Benfeitores Espirituais, a Terceira Revelação assumirá seu espaço na sociedade moderna decididamente. Isso equivale a afiançar que esse arranjo suis generis do Espiritismo permitirá aparelhar a criança atual para uma vivência normal e incorruptível no futuro, desde que os espíritas sejam cautelosos. Jesus prossegue o majestoso e eterno modelo.
Estejamos atentos à verdade de que educar não se resume apenas a providências de abrigo e alimentação do corpo perecível. A educação, por definição, constitui-se na base da formação de uma sociedade saudável. A tarefa que nos cumpre realizar é a da educação das crianças e jovens pelo exemplo de total dignificação moral sob as bênçãos de Deus. Nesse sentido, os postulados Espíritas são antídotos contra todos os venenosos ardis humanos, posto que aqueles que os conhecem têm consciência de que não poderão se eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o futuro é uma decorrência do presente. Destarte, é urgente identificarmos no coração infantojuvenil o esboço da futura geração saudável.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
 

Referências bibliográficas:

(1)           Pole dance tem suas raízes na dança exótica, strip-tease e burlesco e têm elementos de apelo sexual e subversão

(2)           Xavier, Francisco Cândido. Coletânea do Além, ditado por Espíritos Diversos, São Paulo: FEESP, 1945, Cap. A Criança e o Futuro pelo Espírito Emmanuel

(3)           Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997, Cap. 21- Perante a Criança

(4)           idem

17 outubro 2011

MINHA SÚPLICA ATRAVÉS DE UMA FILHA ESPECIAL



Na condição de pai a 33 anos de Karina, uma filhinha  com deficiência mental severa, asseguro  que ela  tem sido o bondoso suporte espiritual para meus anseios de escritor espírita. Ela tem sido o arrimo de minha peregrinação doutrinária . Pelo fato dela existir escrevo artigos  espíritas sugerindo sempre reflexões doutrinárias sobre diversos temas, alguns  deles controversos.
Rogo licença ao amigo leitor para anotar, na sequência, uma incontida emoção que me envolveu quando  inspirado pela oração  me posicionei no lugar da Kakazinha, ela  que naquele instante me admirava compenetrada  com os seus amendoados olhos alegres,  parecia agradecer-me por tudo e por todos os momentos que temos desfrutado nesta atual etapa de regeneração moral, pelas vias dos conhecimentos espíritas. Como se eu fosse a Karina orei na mais profunda comoção paternal:
"Senhor! Ante os descoordenados passos do meu caminhar e das minhas mãos inseguras quero rogar-te para os que me envolvem de amor.
Imploro-te a quietação para os que aguçam a audição a fim de escutar palavras que não consigo e nem sei articular, posto não ser fácil transformar em palavras os meus pensamentos encarcerados.
Venho implorar  comiseração para os que se impregnam  de paciência  à frente dos vagarosos reflexos da minha mente confinada.
Senhor, agradeço a presença daqueles que com um semblante feliz me estimulam a sorrir e a tentar  fazer sempre mais uma vez tarefas que não consigo nunca fazer .
É magnífico Senhor, estar diante daqueles que jamais  desistem de, ao meu lado, entoarem os sons harmoniosos  da complacência,  mesmo quando nada consigo ouvir.
É maravilhoso estar envolta na tolerância daqueles que, embora olhando, não vêem a comida que eu deixo cair fora do prato.
Sou feliz  por aqueles que nunca me lembram que hoje fiz a mesma pergunta mental milhares  de vezes, embora me escutem espiritualmente porque sabem que sempre tenho algo a dizer.
Cubra com teu manto de luz os que transformam os pedregulhos  da minha estrada em trilhos floridos e iluminados de esperança.
Por ser diferentes dos chamados normais, imploro  pelos que me amam como sou, exatamente como sou, tão-somente como sou e não como eles gostariam que eu fosse.
De minha parte quero agradecer-te porque tenho certeza que depois desta situação carnal, na outra dimensão e nas outras encarnações, minhas pernas serão normais, minhas mãos trabalharão, meus ouvidos escutarão,meus olhos enxergarão,  minhas palavras serão os reflexos do meu raciocínio, e a Tua Soberana Justiça permanecerá sendo o bastão seguro das minhas conquistas pessoais.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

14 outubro 2011

DESARMAMENTO, UM REFERENDO QUE CONFIRMOU A INSENSATEZ HUMANA

O plebiscito sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido no Brasil em 23 de outubro de 2005, não permitiu que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826, de 23 de dezembro de 2003) entrasse em vigor. O artigo apresentava a seguinte redação: “É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional.”. No referendo, a questão proposta foi: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". Os eleitores puderam optar pela resposta "sim" ou "não", pelo voto em branco ou pelo voto nulo. O resultado final foi de 59.109.265 votos rejeitando a proposta (63,94%), enquanto 33.333.045 votaram pelo "sim" (36,06%).
Infelizmente, a maioria da população apoiou a comercialização de armas de fogo, quando detinha o poder de decidir pela sua proibição. Uma das dúvidas erguidas e muito entronizadas à época era: o desarmamento da população seria a solução para a redução da criminalidade no país? Muitos setores da sociedade defenderam a manutenção do comércio legal das armas aos cidadãos que delas necessitem, por algum motivo, justificando que todos têm direito a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc.
O resultado do plebiscito revelou a grave índole moral da maioria da sociedade, contrariando na conjuntura um levantamento realizado pelo Instituto Brasmarket, a pedido do jornal Diário do Grande ABC, mostrando que 81,6% da população da região do ABC de São Paulo estava contra a comercialização de armas.(1)
Os estrábicos partidários optaram “democraticamente” pelo delírio do comércio das armas a fim de  “defenderem-se” contra a violência. Com essa decisão irrompeu-se um assombroso débito moral dos brasileiros. É lamentável! Lembramos que há vários anos André Luiz tem advertido: “Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.”(2)
A maior influência maléfica identificada no homem contemporâneo é a angústia social, provocada pela estratificação de classes. Nela deparamos desde o miserável ao abastado, criando uma subdivisão da raça humana. E muitas dessas distorções sociais provocam uma inconstância psíquica ou uma incompletude emocional do ser pensante.
Cremos que a criminalidade tem seus pilotis na dessemelhança social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, destacadamente, na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem de forma decisiva para o avanço do tráfico de drogas, dos assaltos, dos roubos, dos sequestros e, por fim, dos homicídios.
A ONU – Organização das Nações Unidas – divulgou um relatório no dia 06 de outubro de 2011 sobre a violência no mundo avaliada pelos homicídios. Em números absolutos, o Brasil ainda lidera a lista entre todas as nações. Na América do Sul, a Venezuela registra 49 homicídios em cada 100 mil habitantes. A Colômbia, apesar de uma grande melhora, 33. O Brasil, 22,7, um pouco melhor que cinco anos atrás. Uruguai, Argentina, Peru e Chile ficam abaixo da média mundial.
É constrangedor saber que o Brasil encabeça a lista mundial em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo. Após ter a oportunidade no referendo de eliminar o comércio das armas, atualmente o brasileiro lamenta e clama por soluções efetivas para o problema da violência urbana. E, por forte razão, cremos ser falsa a segurança oferecida pelas armas no ambiente doméstico, especialmente considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida familiar.
A cada dia sucumbem muitos jovens e adolescentes, que são recrutados para o mercado do tráfico de armas, algemados nos ambientes regados por alucinógenos e profunda violência, onde são perpertrados crimes inconcebíveis sob o estímulo da miséria moral e da obsessão. Atualmente, muitas pessoas hesitam em sair nas ruas por causa dos assaltos e sequestros-relâmpago que têm ocorrido a todo instante.
Defendemos a idéia de que uma das soluções para a diminuição da criminalidade será a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal, estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituídas, na forma prevista em Lei.
Infeliz e paradoxalmente, a “Pátria do Evangelho” é grande fabricante de armas (em evidente rota de colisão com o compromisso cristão), por isso entendemos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática inadiável, porque o problema será atacado diretamente em sua matriz.
Obviamente não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Uma arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos, e isso só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.
Nesse panorama, a mensagem do Cristo deve ser o grande edifício da redenção social, que haverá de penetrar a consciência humana. Sim! O homem iluminado intimamente pelo Evangelho e tendo consciência quanto à sobrevivência do Espírito ao sepulcro e da sua precedência ao berço, sabendo-se legatário de si mesmo, modificar-se-á e transformará o ambiente onde vive, modificando a comunidade que deixará de a ele se impor para dele receber o reforço expressivo e retificador.
Ante esse desiderato, em face da transformação do cenário social, o homem necessita alimentar a compaixão, cultivar grandeza d'alma que principia no procedimento de ofertar coisas para culminar no dom de doar-se ao próximo. Fazer qualquer coisa boa nos bastidores (que ninguém saiba) a benefício de um adversário. Aprender a exorar e ponderar, e na conseqüência poder soltar o grito enérgico qual informou Paulo aos gálatas: "eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim", expressando adesão total ao projeto de Jesus pala paz.

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://http//jorgehessen.net

 

Referencia bibliográfica:

(1)       A pesquisa entrevistou 2.509 pessoas em sete municípios, entre os dias 28 e 30 de junho de 2005

(2)           Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2003, cap. 18.