19 dezembro 2011

FILHOS TEMPORÕES E OS DESAFIOS PARA OS “PAIS-AVÔS”


Quais os limites de idade para a maternidade/paternidade na velhice, considerando as novas tecnologias de reprodução humana? Casos de gravidez tardia têm ficado mais comuns. Muitas questões são evocadas para o tema. Temos um caso recente de Gabriella, uma bibliotecária italiana de 57 anos e Luigi de Ambrosis, um aposentado de 70. Casados há 21 anos, decidiram ter um bebê com óvulos doados. Há um ano e sete meses nasceu Viola. Todavia, perderam a guarda da filha porque a corte de Turim (Itália) entendeu que eles são velhos demais e não têm condições de criá-la. A menina foi colocada para adoção.
Segundo os juízes, a menina Viola  poderia ficar órfã muito jovem ou seria forçada a cuidar de seus pais idosos na idade em que os jovens mais precisam de apoio. Cremos que esse não deve ter sido o motivo, pois só em setembro de 2011, outros dois casais italianos mais velhos (elas, de 57 e 58 anos; eles, 65 e 70 anos) geraram gêmeos por doação de óvulos.  Em verdade, Gabriella e Luigi de Ambrosis foram submetidos a testes psicológicos e psiquiátricos que concluíram que a mãe não estabeleceu vínculos emocionais com a filha. O marido também não teria demonstrado preocupação com o bem-estar da Viola.
Um estudo feito pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, sugere que homens que se tornam pais com mais de 45 anos têm filhos com dificuldade de interação social com mais frequência e até indica que filhos de pais mais velhos têm mais probabilidade de ter autismo ou QI mais baixo. No estudo analisaram dados de 450 mil adolescentes do sexo masculino com 16 ou 17 anos de idade. Os resultados desse trabalho, porém, estão ainda longe de ser conclusivos.
Outra pesquisa realizada pela Universidade de Queensland, na Austrália, consigna que pais mais velhos têm maior probabilidade de ter filhos com menor habilidade cognitiva, isto é, menos inteligentes. Será? Os pesquisadores usaram informações do US Collaborative Perinatal Project, que realiza diferentes testes em crianças com oito meses, com anos 4 e com 7 anos de idade.
Os testes verificam habilidades de linguagem oral, leitura e escrita, memória, compreensão, concentração e coordenação motora. O resultado final do estudo demonstrou que as crianças que tinham papais mais velhos pontuaram menos nos testes de habilidades cognitivas, com exceção das habilidades motoras. O estudo sugere que os governantes conscientizem a população dos agravos de se ter um filho em idade tardia (tanto homens como mulheres) e eduque para a gestação em idade mais apropriada.
Entendemos que, se por um lado a gravidez com os papais mais velhinhos pode ser um pouco arriscada, por outro a infância da criança poderá ser muito melhor. Casais idosos têm maior experiência e geralmente estão numa condição financeira mais propícia para ter filhos. Inobastante a opinião dos especialistas, o fato de os pais mais velhos tentarem poupar os filhos de tudo é o principal fator responsável pelo desequilíbrio dos filhos. A superproteção pode provocar nos jovens a dificuldade de se relacionar com outras pessoas e de estabelecer laços afetivos fora do ambiente familiar.
Será que gerar filhos na velhice pode tornar-se um problema social? Ninguém quer pensar que os pais estão envelhecendo ou desencarnando. Em verdade, imaginar que os pais velhos se aproximam mais rápido da morte pode gerar muita ansiedade e frustração. O ideal seria que as pessoas refletissem sobre não abreviar a morte de ninguém, mas aceitar a vida em plenitude, mesmo diante da fatalidade biológica.
Sou um “pai-avô” – tenho uma filha de 7 anos e creio que a figura do “pai-avô” pode ser compreendida como uma das inúmeras formas que temos de lidar com a finitude que aguilhoa a todos, e de maneira contundente, a partir da maturidade. Talvez a geração de filhos da velhice traga  mais dificuldades em conviver com os filhos na adolescência. Mas o Espiritismo nos treina para  lidar com os conflitos comuns aos adolescentes, e nada melhor do que nós, pais anciãos, tentarmos nos colocar no lugar dos jovens. Não esqueçamos que carregamos uma vantagem sobre os demais pais de outras faixas etárias. Para nós, esse diferencial é a maturidade. A possibilidade de educarmos de forma diferente e melhor é incontestável.
Se moldarmos uma sociedade em que os idosos sejam queridos e respeitados pelos filhos temporões, seremos capazes de envelhecer sem temer o destino deles.

Jorge Hessen

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30 novembro 2011

O ELITISMO ANTE O PERSONALISMO DE CLASSE "ESPÍRITA"


Temos recebido com certa freqüência alguns emails contendo mensagens supostamente doutrinárias, essencialmente destrutivas, malsãs, apelativas, exaltando assuntos frívolos, escritos sob o guante de verborragias repetitivas, vulgares, agressivas. Num desses petardos virtuais, lemos entre outras jóias uma advertência aos que programam escalas de oradores,  a fim de evitarem convidar para palestras “simplesinhas” a “Dra.” Sicrana, Diretora de uma associação  de notáveis espíritas, .pois ela não tem perfil para falar nos eventos espíritas comuns (comuns!!??), onde ela tenha que falar, por exemplo, abordando temas do Evangelho Segundo o Espiritismo porque são temas comuns (isso mesmo que o missivista diz...comuns????), porque, na opinião da “Dra.” Sicrana, na cidade do escalador deve ter expositores simplesinhos  para falar sobre estes temas “comunzinhos do Evangelho” e não vê porque chamar alguém de outro estado, abarrotados de “Drs.”  e bamba (“especializada”) em outra área, para falar sobre os “reles”  capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo. (pasmem!)  
Cita, ainda,  tal email que se o escalador pretende levar a Dra Fulana à sua cidade, tente aproveitá-la bem, criando algum evento monumental junto a uma Universidade (de preferência de renome internacional, por certo), onde ela possa verbalizar sua singela teoria “científica” sobre o Espiritismo para uma platéia acadêmica (de preferência com  pós-doutorados), sobretudo mestres de tal ou qual área universitária gente da área de psicologia, biologia, química, medicina, física e outras assemelhadas. O mesmo deve ser feito em relação ao “Dr.” Fulano, e vários outros “especialistas espíritas”.
Esse assunto remeteu-nos ao diálogo que mantivemos com membro de uma associação “espirita” de notáveis, vejamos:
Sicrana: Prezado Sr. Jorge Hessen
Jorge Hessen: Prezada Dra Sicrana
Sicrana: Permita-me uma reflexão sobre conteúdo de sua entrevista ao C.E. Joana D´Arc. (*)
Jorge Hessen: Certamente, minha irmã.
Sicrana: Eu nasci em berço espírita, em uma das menores cidades do Estado de ........ e convivi com as pessoas mais simples e economicamente desprovidas, que se possam imaginar. A gente estudava Karcec, fazia preces, participava das reuniões mediúnicas e tinha Jesus como Mestre.
Jorge Hessen: Toda Casa Espírita, minha irmã, tem que ter esse perfil, ou seja: Oração, Estudo e Caridade, tendo Jesus como Mestre e Modelo.
Sicrana: Na sequência dos tempos, vim estudar em (...) e fiquei por aqui, onde desenvolvi minha vida profissional, criei minha família e continuei com minhas atividades junto a essa nossa doutrina de libertação das consciências. Foi assim que acabei me ligando tb à Associação de (...). Tenho testemunhado o esforço hercúleo de seus integrantes, em divulgar um paradígma de humanização de todos os procedimentos de bem-estar, agregando profissionais (..........), enfim, de todas as modalidades correlatas. Lá eu tenho ouvido sempre que "o diploma do (profissional) espírita pertence a Jesus".
Jorge Hessen: A minha opinião particular sobre os profissionais da área da saúde, principalmente, é que todos, indistintamente, deveriam honrar o compromisso que assumiram, como humildes servidores do Cristo, pois são irmãos que vivenciam, na alma, a dor dos seus semelhantes; são os socorristas de plantão, literalmente falando. Devemos a eles o nosso maior respeito, sem dúvida alguma. Porém, não podemos entender “humanização” a portas fechadas, onde profissionais se reúnem para estabelecerem um padrão de comportamento humanitário, mas que, na verdade, ainda têm uma visão turva sobre o que realmente isso significa. O maior humanista que já tivemos, na área, foi o inesquecível Dr.Bezerra de Menezes. É nele que a classe médica deveria se inspirar. Por outro lado, quem já leu a coleção André Luiz sabe qual foi a sua surpresa ao adentrar no Mundo dos Espíritos. Preciso dizer mais, minha irmã?
Sicrana: O trabalho das associações......, por exemplo, em defesa da vida, contra o aborto intencional, inclusive contra o aborto do chamado (equivocadamente) de "anencéfalo", é inegável. Foi com a estrutura da associação........ que o Espiritismo conseguiu ser ouvido no Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, defendendo a vida do anencéfalo.
Jorge Hessen: Eu seria incoerente, minha irmã, se negasse esse esforço em defesa da vida. Perdoe-me, mas é muita presunção atribuir à associação........, a única e legítima representante legal do Espiritismo na Alta Corte a defender a vida do anencéfalo. Não somente os espíritas, mas, principalmente estes, arregimentaram-se e avançaram contra a descriminalização do aborto. Nesse dia, minha irmã, não houve distinção de classe, pois todos estavam irmanados em um só coração, em um só pensamento em nome do amor incondicional e do respeito à vida. Modestamente escrevi muito e publiquei sobre o específico e dei ampla divulgação à época. Foi minha humilde contribuição diretamente de Brasília, onde resido há 40 anos.
Sicrana: Em todos os eventos das associações ....., de que eu tenho participado, assisto sempre a demonstração do caráter verdadeiro da Doutrina Espírita, ou seja, de ciência, de filosofia e da moral de Jesus. Não se tem o objetivo de "elitização", nem de "atrair para si os holofotes da fama" ou de "divulgar o evangelho apenas às pessoas laureadas" (expressões que constam de sua entrevista). Pelo contrário, nas associações...... os profissionais se reunem em uma entidade de classe, para assumir a responsabilidade de tratar de assuntos específicos à sua formação, como aborto, transplante de órgãos, utilização de células-tronco embrionárias, depressão e obsessão, etc., sem perda de seu denominador comum, que é o fato de serem espíritas.
Jorge Hessen: O verdadeiro caráter da Doutrina Espírita, minha irmã, não se resume em “assistir a reuniões de classe” para tratar de assuntos específicos à sua formação, pois basta ser específico e ser entidade de classe, para assumir caráter “elitista” e, mesmo porque, o personalismo de classe caracteriza um comportamento egoísta e, sobretudo vaidoso, uma vez que se julgam cumprindo admirável missão, mas “a sete chaves”. Ser espírita exige mais, muito mais do que isso. Os exemplos Chico Xavier e Bezerra de Menezes respondem por mim.
Sicrana: Senhor Jorge, eu tenho estado lá e estou testemunhando o que digo. Portanto, é com tristeza que leio referências injustas e infundadas ao trabalho de companheiros idealistas que só merecem nosso respeito e consideração. Não vejo a menor diferença de atitude nesses companheiros, em comparação a dos trabalhadores do centro espírita de minha pequena cidade natal. A seara continua a ser a de Jesus e laureados ou não pela academia da Terra, a honra que nos cabe é a de servir na condição de aprendizes na escola da vida.
Sicrana: Com abraço fraterno
Jorge Hessen: Não duvido, minha irmã, do seu testemunho. Porém, eu vejo uma diferença imensa entre uma coisa e outra, pois ser idealista não significa ser ativista. O equilíbrio está em ser idealista e ativista sincero e humilde.
Concluindo: Associação é uma organização entre duas ou mais pessoas para a realização de um objetivo comum. Sendo assim, podemos finalizar que o associativismo, normalmente de voluntariado, usado como instrumento de satisfação das necessidades individuais humanas, pode ser facilmente banalizado e colocado à prova a sua credibilidade se, e somente se, for para privilegiarmos um determinado grupo ou classe no campo da religião ou mesmo da fé, propriamente dita. Eu entendo que a possibilidade de pessoas de uma mesma ideologia, de uma mesma formação acadêmica, de uma mesma classe social, criarem uma orientação à parte, mesmo dentro da mesma crença religiosa, é visível a intenção de manter relações sociais somente com seus iguais. Criar uma associação, onde se destaca somente aqueles da mesma “formação”, acho inviável, imoral e degradante – perdoe-me a franqueza - pois revela um sentido, totalmente, contrário a tudo aquilo que qualquer religião ensina.
Allan Kardec propõe que o Espiritismo é uma doutrina natural, isto é, que coloca o homem ou o espírito diretamente em relação com Deus, de forma igual perante o SENHOR. Portanto, qualquer formação fora dessa realidade é, simplesmente, demagogia e pretensionismo.
Não estou aqui para julgar ou criticar, mas, para contra-argumentar e dizer que o meu pensamento, sobre a criação de tais Associações, encontra-se patenteado na entrevista a que você se refere e nos artigos que escrevo, pois que essa iniciativa afasta, cada vez mais, a idéia de União Espírita, tão aguardada pelos Espíritos Superiores que nos transmitiram essa abençoada Doutrina, que é o Espiritismo.
 Fraternalmente,
 Jorge Hessen

(*) Acesse o link da entrevista que concedi ao C.E Joana Darc:

29 novembro 2011

O QUE PENSAR DOS DIZEM QUE "JESUS É SOMENTE O EMERGIR DE UM ARQUÉTIPO PLASMADO NO INCONSCIENTE COLETIVO" ?


Stephen Sawyer,  desenhista que vive em Kentucky, EUA,  autor das imagens do Cristo com peitoral tatuado, braços musculosos , recentemente publicadas na capa do jornal The New York Times,  inventou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens do “cristianismo”. Sawyer acredita-se um legítimo pregador (!?...) do Messias de Nazaré. Através de livros, revistas e blogs, Stephen tem viajado os Estados Unidos divulgando a sua bizarra ideologia, retratando a figura máscula de Jesus igualando-O a um super-herói.
Embora os desenhos sejam absolutamente grotescos e chocantes, é muito difícil em uma sociedade aberta, democrática e plural como a nossa, evitar expressões como essas, ou opiniões e teses, tenham elas ou não caráter histórico, científico, religioso ou moral, público ou privado. Todavia, o Espiritismo preconiza e defende a liberdade de expressão responsável, ou seja, quando exercida de forma justa e respeitosa, de modo que não venha a agredir ou desmerecer o direito de crença do seu semelhante.
A partir do momento que Deus dotou de razão o homem e lhe conferiu o livre-arbítrio, permitiu dessa forma que o mesmo abrace o caminho que espera ser o mais acertado para ele, tornando-o responsável pelas suas preferências. Quem somos nós para impor a quem quer que seja a nossa vontade, ou aquilo que acreditamos ser o melhor? Todavia , quando lemos a matéria relativa à veiculação da imagem de Jesus, igualando-O aos chamados homens “sarados”, ficamos extremamente indignados, pois guardamos a certeza de que a memória e imagem do Mestre devem ser respeitadas e veneradas no alcance máximo da liberdade  humana.
É bem verdade que os espíritas não idolatram  nenhum mensageiro em pinturas, fotos, esculturas, etc., Mas, esse comportamento de Sawyer  cremos ser uma violentação gratuita e inteiramente desnecessária como tantos outros desrespeitos já praticados sob a “proteção” da vilipendiada liberdade de expressão, que culmina atingindo o sentimento de todos aqueles que têm Jesus como exemplo de moral, caráter, bondade, amor, humildade.
No que tange à aparência de Jesus, sabe-se que atualmente não existe uma unanimidade de como ele era realmente. Mas, Públio Lentulos dizia que “Ele era belo de figura e atraia os olhares. Seu rosto inspirava amor e temor ao mesmo tempo. Seus cabelos eram compridos e louros, lisos até as orelhas, e das orelhas para baixo cresciam crespos anelados. Dividia-os ao meio uma risca e chegavam-lhes aos ombros segundo o costume da gente de Nazareth. As faces cobriam de leve rubor. O nariz era bem contornado, e a barba crescia, um pouco mais escura do que os cabelos, dividida em duas pontas. Seu olhar revelava sabedoria e candura. Tinha olhos azuis com reflexos de várias cores. Este homem amável ao conversar, tornava-se terrível ao fazer qualquer repreensão. Mas mesmo assim sentia-se Nele um sentimento de segurança e serenidade. Ninguém nunca o via rir.” (1)
“Muitos, no entanto, O tinham visto chorar. Era de estatura normal, corpo ereto, mãos e braços tão belos que era um prazer contemplá-los. Sua Voz era grave. Falava pouco. Era modesto. Era belo quanto um homem podia ser belo." (2) Como se observa há dois mil anos havia  um Homem incomum, entre os milhões de habitantes terrestres... E Esse Homem singular veio tornar-se o centro da história da humanidade. Muito mais do que isso: Ele se tornou um marco para a história da humanidade, de tal modo que até o tempo histórico é contado tendo-O como referência.
Como se não bastasse, em meio à crescente proliferação de idéias esdrúxulas sobre o Cristo,  há infelizmente  no seio do movimento espírita os que desejam ver Jesus banido das hostes doutrinárias.  São arautos caolhos que têm deturpado  a legítima concepção  espírita sobre  o Meigo Rabi da Galiléia. São bonifrates das trevas que espalham as extravagantes idéias do tipo: "Jesus é somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo".
Nos seus devaneios, tais títeres atestam que, de “tudo quanto a civilização cristã reteve de Jesus, nesses dois milênios, muito mais há de mito.” Enxovalham nossas mentes com afirmativa: -"Nosso Jesus não é o mítico Governador do Planeta, aquele que vive, entre Anjos e Tronos, na bela ficção literária de Humberto de Campos" e, ainda, regurgitam outras pérolas frasais como: -"Nosso Jesus, inteiramente homem, não evoluiu em linha reta" e, mais ainda, vociferam: -"Jesus não criou nenhuma nova moral. Apenas interpretou, adequadamente, aquela que sempre esteve no coração do homem por todos os tempos e lugares.”! Que talento! Tratam, o mais supremo dos seres da criação como um "João ninguém".
Na Terra, onde se multiplicam as conquistas da inteligência (algumas resvalam e se enterram nas valas profundas das retóricas vazias) e fazem-se mais complexos os quadros do sentimento amarfanhado no materialismo, saibamos que Ele (Jesus) no campo da Humanidade [foi o único] orientador completo, irrepreensível e inquestionável, que renunciou à companhia dos anjos para viver e conviver com os homens.
Nos tempos áureos do Evangelho o apóstolo Pedro, mediunizado, definiu a transcendência de Jesus, revelando que Ele era "o Cristo, o Filho de Deus vivo" (3) . No século XIX o Espírito de Verdade atesta ser Ele "o Condutor e Modelo do Homem" (4). Para o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi "Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus e, finalmente, Médium de Deus."(5) Não há dúvidas que Jesus foi o Doutrinador Divino (6) e por excelência o "Médico Divino",  segundo André Luiz. (7) Por sua vez, Emmanuel o denomina de "Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino". (8)
Para a maioria dos teólogos, Jesus  é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Para nós espíritas, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da Religião. "Tudo tem passado nestes dois mil anos, na Terra- mas a [Sua] Palavra brilha como um Sol sem ocaso, guiando as ovelhas tresmalhadas, os cordeiros perdidos do Rebanho de Israel à porta do aprisco, para restituí-los ao Bom Pastor". (9)
O Espiritismo vem colocar a Mensagem do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o sentimento e a razão podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano.
Inobstante não ser a experiência humana uma estação de prazer, por isso, continuemos trabalhando no ministério do Cristo, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem violências e presunções, Ele foi tido por imprudente e rebelde, transgressor da lei e inimigo da população, sendo escolhido por essa mesma multidão para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, mas sob o influxo do bom ânimo Ele venceu o mundo!
O Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens . E mais ainda. Jesus Cristo é incomparável em face da dedicação e a santidade que Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados nos pântanos das questiúnculas teológicas , não temos parâmetros para avaliar a Sua magna importância para o Espiritismo, isto porque a Sua excelsitude se perde na escura bruma indevassável dos milênios. Dizemos mais: O Espiritismo sem Jesus pode alcançar as brilhantes expressões acadêmicas, mas não passará de atividade fadada a modificar-se ou desintegrar-se, como todas as conquistas superficiais da Terra. E o espírita cristão, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Mestre, pode ser virtuose da inteligência, Phd de qualquer coisa e filósofo, com as mais subidas aquisições científicas, mas estará sem bússola e sem norte no momento do “furacão” inevitável da dor moral.
Temos dito!
Jorge Hessen
Jorgehessen.net

Referências bibliográficas:

(1)    Descrição tradicional feita pelo pró-consul Públios Lentulos
(2)    idem
(3)    Mt 13, 16-17.
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, pergunta 625
(5)    Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2
(6)    Xavier, Francisco Cândido. Os Mensageiros, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, cap. 27)
(7)    Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB 2003, cap. 18
(8)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB 2001, 283 e 327.
(9)    SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus, SP: ed. O Clarim- Matão, 1993, p. s/n

24 novembro 2011

COMO SE ENCONTRA O ATUAL CENÁRIO ESPÍRITA NA PÁTRIA DO EVANGELHO?


Lemos recentemente o primeiro aviso espiritual sobre a missão da Pátria do Evangelho, ditada em 1873 pelo Espírito Ismael! Sublinhamos na mensagem lida os seguintes trechos: “o Brasil tem a missão de cristianizar. É a Terra da Fraternidade. A Terra de Jesus. A Terra do Evangelho. Não foi por acaso que tomou o nome de Vera Cruz, de Santa Cruz. Na Era Nova que se aproxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre reconhecer em Jesus, o chefe espiritual [do Brasil]. A missão dos espíritas no País é divulgar o Evangelho, em espírito e verdade. Os que quiserem bem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunirem-se debaixo deste pálio trinitário: Deus, Jesus e Caridade. Onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, Ismael.!” (1)
Após a leitura dessa histórica mensagem, deliberamos analisar o atual  cenário espírita na Pátria do Evangelho. Propomos ao caríssimo leitor fazer conosco um ligeiro check-up do atual movimento espírita nas terras do “Cruzeiro do Sul”. Sem muito esforço de apreciação, identificaremos uma redução acentuada do número de militantes sérios e comprometidos com a Codificação Kardeciana. Lamentavelmente, assistimos irromper-se o espírito elitista junto às muitas instâncias doutrinárias; vemos crescer a volúpia da oficialização das cobranças de taxas para ingresso nos eventos ditos “espíritas”. Promovem-se insistentemente a espetacularização da oratória e do conhecimento doutrinário “decorado” através de congressos, simpósios, workshop, palestras ou conferências realizados quase sempre em lugares esplêndidos.
A Internet tende a democratizar a informação mundial e poderia ser o grande instrumento de divulgação dos princípios espíritas, porém o “olho grande” nos  lucros através das vendas de livros psicografados caros (cuja renda deveria destinar-se a obras assistenciais), salvo raras exceções, estão sendo proibidos para “download” com a evocação do execrável argumento materialista dos  tais “direitos autorais” (mas, os autores são os espíritos, ou não?). É urgente um basta aos especuladores ambiciosos, que continuam industrializando Jesus através do Espiritismo. Cremos que se o Chico Xavier tivesse plena noção de que os livros que doou seriam alvo de ganância financeira, ele não os doaria, com certeza! É necessária a abolição dessa nefasta corretagem doutrinária em que comerciantes avarentos transformam o Espiritismo em balcão de negócios inaceitáveis.
O Espiritismo, no aspecto meramente humano das suas atuais diretrizes, ostentando convênio de agrado ou de cessão com as infiltrações mundanas do materialismo, do ganho financeiro supostamente justificado pelo assistencialismo de superfície, não se tem diferenciado da competição entre as empresas comerciais que só visam ganhar mercado, clientes e muitos cifrões.
Emmanuel advertiu, entre outras coisas (como observaremos mais abaixo), que os diretores de centros espíritas agenciam muito mais assembléias para discutir modos de angariar dinheiro e haveres para o custeamento de projetos desnecessários, e às vezes até supérfluos, do que para instruir doutrinariamente os frequentadores da instituição. Por essas razões, é importante analisar equilibradamente o movimento espírita brasileiro de hoje.
O incomparável médium Chico Xavier advertiu há algumas décadas que a mensagem espírita não pode se distanciar do povo. É “preciso fugir da tendência à elitização no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos todos os companheiros, sobretudo os espíritas mais humildes, social e intelectualmente falando, e das massas nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade [isso não se consegue com os shows dos eventos pagos, protagonizados por alguns pregadores que comercializam as palestras que realizam]. Se não nos precavemos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos [que não abrem mão de manter o burlesco “Dr.” antes dos endeusados nomes e sobrenomes] ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo evitarmos isso (repetiu várias vezes) a “elitização” no Espiritismo, isto é, a formação do “espírito de cúpula”, com evocação de infalibilidade, em nossas organizações.”(2)
Numa das entrevistas concedidas a Jarbas Leone Varanda, publicada no jornal uberabense, Chico exprobra mais uma vez: “a falta de maior aproximação com irmãos socialmente menos favorecidos, que equivale à ausência de amor, presente no excesso de rigorismo, de formalismo por parte daqueles que são responsáveis pelas nossas instituições; o médium mineiro reprova a preocupação excessiva com a parte material das instituições, com a manutenção, por exemplo, de sócios contribuintes ao invés de sócios ou companheiros ligados pelos laços do trabalho, da responsabilidade, da fraternidade legítima; é a preocupação com o patrimônio material ao invés do espiritual e doutrinário; é a preocupação de inverter o processo de maior difusão do Espiritismo fazendo-o partir de cima para baixo, da elite intelectualizada para as massas, exigindo-se dos companheiros em dificuldades materiais ou espirituais uma elevação ou um crescimento, sem apoio dos que foram chamados pela Doutrina Espírita a fim de ampará-los na formação gradativa.” (3)
O mestre lionês certifica que “quando as idéias espíritas forem aceitas pelas massas, os sábios se renderão à evidência”. (4) Não podemos permitir a “deturpação da mensagem dos Espíritos, como aconteceu com o Cristianismo legalizado por Constantino, em 313, e posteriormente oficializado como religião do Império romano por Teodósio, em 390. A Doutrina dos Espíritos veio para consertar o Cristianismo, todavia, na sua feição evangélica primitiva. Os líderes que se transviarem das legítimas mensagens espíritas cristãs sofrerão as severas sanções das Leis do Criador, em face da invigilância, pois com as Leis de Deus não se pode brincar.
Corroborando a tese de Humberto de Campo sobre a missão cristã do nosso país no contexto mundial, Emmanuel registra - “achamo-nos todos à frente do Brasil, nele contemplando a civilização cristã, em seu desdobramento profundo. Nele, os ensinamentos de Jesus encontram clima adequado à vivência precisa.”(5)  “Embora nos reconheçamos necessitados da fé raciocinada com o discernimento da Doutrina Espírita, é forçoso observar que não é a queda dos símbolos religiosos aquilo de que mais carecemos para estabelecer a tranquilidade e a segurança entre as criaturas, mas sim a nova versão deles, porquanto sem a religião orientando a inteligência cairíamos todos nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios volvendo , talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material na vida do Planeta.” (6)
Culminamos nossos argumentos relembrando que se “o Brasil puder conservar-se na ordem e na dignidade, na Justiça e no devotamento ao progresso que lhe caracterizam os dirigentes, mantendo o trabalho e a fraternidade, a cultura e a compreensão de sempre, para resolver os problemas da comunidade e, com o devido respeito à personalidade humana e com o devido acatamento aos outros povos, decerto que cumprirá os seus altos destinos de pátria do Evangelho, na qual a Religião e a Ciência, enfim unidas, se farão as bases naturais da felicidade comum através da prática dos ensinamentos vivos de Jesus Cristo.” (7)

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas:
(“1)    Mensagem recebida no Grupo Confúcio, 1873. O Grupo Confucio (02 agosto 1873) foi a 1ª Sociedade Espírita nascida com o objetivo de divulgar a Doutrina. Posteriormente mudou seu nome para Grupo Ismael. No Rio de Janeiro foi a primeira, mas no Brasil foi a segunda  porque a 1ª Sociedade Espírita fundada no Brasil foi na cidade de Salvador, em 17 de Setembro de 1865 : Grupo Familiar do Espiritismo. (Grandes Espíritas do Brasil – Zeus Vantuil, pág 118)
(2)    Xavier, Francisco Cândido. Encontros No Tempo, São Paulo:  Editora Instituto de Difusão Espírita, 1979, 2ª edição,
(3)    Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: “Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros”. Publicado no livro Encontro no Tempo, 2ª edição
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1973, Introdução
(5)    Mensagem psicografa por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, MG, na tarde de 18/08/1971, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, da qual – edição de 01/09/1971, pág. 25 – permanece aqui transcrita
(6)    idem
(7)    idem