25 junho 2012

“PÁTRIA DO EVANGELHO” – SERÁ QUE ISMAEL CONSEGUIRÁ CONDUZIR ESSA EMPREITA?

Chico Xavier
 Para o Espírito Humberto de Campos “o Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro.”(1) Evidentemente, essas ideias não são para já e nem se restringem ao desenvolvimento dos ensinos de Jesus apenas por aqui, até porque a visão doutrinária  do pensamento de Jesus é universalista.
 O ilustre filho de Miritiba (município maranhense hoje batizado com o seu nome) narra que Jesus, “pelas mãos carinhosas de Ismael, acompanha desveladamente a evolução da pátria extraordinária e delegou autoridade aos grandes médiuns, que seriam os portadores da luz do Cristo. Dentre eles, é citada a personalidade de Bezerra de Menezes, aclamado na noite de julho de1895, diretor de todos os trabalhos de Ismael no Brasil.”(2) Há estudiosos que abominam os argumentos do livro, sobretudo porque Humberto faz referência a Roustaing (estudado por Bezerra no século XIX), sendo esse fato uma “punhalada cruel contra Kardec”! Que exagero! (não sou roustenista, porém divirjo dessa postura intolerante dos adversários da obra).
 Acudimos a tese de que Jesus realmente transferiu a Doutrina Espírita, a mais liberal filosofia que o mundo já conheceu, para o Brasil, e creio que aqui haverá de ser o celeiro imenso de riquezas espirituais e recursos materiais para os povos mais pobres do planeta. Quanto a isso, não paira dúvida de que o Brasil aposta ser hoje o grande exportador do Espiritismo, nas suas teses abençoadas, que valorizam a Terra, as nações, todos os povos e todos os seres.
 Quando mencionamos nosso país como "celeiro", materialmente falando, é importante frisar que até hoje no Brasil somente foi extraído do subsolo aproximadamente 10% do petróleo existente (incluindo o pré-sal). As reservas minerais estão em grande monta intocadas. As reservas florestais ainda são colossais. A plataforma continental brasileira é depósito de recursos quase infinitos. A nossa reserva hídrica e capacidade fluvial é uma das maiores do mundo. As terras imensas, inabitadas, virgens, guardam possibilidades incontáveis de realizações no que tange ao ecossistema global.
 O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - calcula que existam 20 milhões de adeptos e simpatizantes da Doutrina Espírita no Brasil. Existem pelo menos 9.000 núcleos espíritas; milhares de instituições kardecianas de assistência e promoção social; há uns 500 jornais espíritas impressos, milhares de Portais da Internet contento Revistas Eletrônicas, Jornais Virtuais, Blogs, Salas de Estudos espíritas, centenas de  programas radiofônicos, alguns poucos programas espíritas de televisão (aqui o número é irrisório); são pelos menos 50 as editoras espíritas, editando aproximadamente 4.000 livros (alguns bons e outros que jamais deveriam ter sido publicados); são quase 90 milhões de exemplares de livros editados e vendidos; atualmente, há centenas traduções para dezenas de idiomas dos livros psicografados por Chico Xavier. Como se não bastasse, o movimento espírita mundial é incrementado por brasileiros que se radicaram noutros países.
 Pronuncia Humberto de Campos que o Cristo orientou Ismael nos seguintes termos: “doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Para aí transplantei a árvore da minha misericórdia e espero que a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo. Concentraremos todos os nossos esforços, a fim de que se unifiquem os meus discípulos encarnados. Na pátria dos meus ensinamentos, o Espiritismo será o Cristianismo revivido na sua primitiva pureza. Sem as ideologias de separatividade, e inundando todos os campos das atividades humanas com uma nova luz.”(3)   
Bezerra de Menezes
 O “Conselheiro XX”, magno esteta das letras do Maranhão, explana: “a Federação Espírita Brasileira, fundada em 1884, aguardava, sob a proteção de Ismael, a ocasião propícia para desempenhar a sua tarefa junto aos grupos do País. Quando Bezerra de Menezes assumiu a direção da FEB e fez da Instituição o porto seguro a todos os corações.”(4) Entretanto, após a sua administração, tem-se a impressão de que o Movimento Espírita Brasileiro ficou sem orientação.
 Com vistas à integração nacional do Movimento, no dia 5 de outubro de 1949, por ocasião da Grande Conferência Espírita no Rio de Janeiro, com a participação de vários dirigentes de Instituições Espíritas, foi firmado um acordo, que passou a ser chamado "PACTO ÁUREO". Nessa ocasião foi criado, na Casa-Máter, o Conselho Federativo Nacional, integrado pelas Federações e Uniões representativas dos Movimentos Espíritas estaduais e do DF (o Distrito Federal era no Rio de Janeiro). Tal instância foi instituída com o objetivo de promover a união dos espíritas e a unificação do Movimento Espírita no Brasil.
 A bem da verdade, os Benfeitores nos ofereceram todas as condições necessárias para o cumprimento da missão (Pátria do Evangelho). Eles fizeram e continuam fazendo a parte que lhes cabe, mas será que a liderança atual está fazendo a sua? Sinceramente? Não percebemos esse empenho com muita clareza! Pronunciamos isso baseado na seguinte premissa: Quando o Mestre enfatiza a revivescência do Evangelho na sua “primitiva pureza”, infelizmente constatamos que as federativas atuais (com raríssimas exceções) estão absurdamente longe de alcançar o que significa “PIMITIVA PUREZA”. Basta medirmos os eventos esplêndidos e dispendiosos que obstinadamente são concretizados no Brasil. Paira um infeliz ranço aristocrático na coordenação do movimento espírita contemporâneo. Como resolver esse imbróglio?
 Ora, que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar como insistentemente advertia Chico Xavier. Devem primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, mercantilismos dos eventos doutrinários, urge melhorar o emprego dos recursos financeiros oriundos do comércio de produtos espíritas (CD’s, DVD’s, Livros e outros).
 É impraticável “um Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.”(5) A tendência fidalga nas celebrações  doutrinárias vai sujeitando-nos a dogmatização dos postulados espíritas na configuração do Espiritismo para abastados, para pobrezinhos, para intelectuais, para iletrados, para expoentes (estrelas) da tribuna, para empavonados sabichões (“doutores”), para associações de “notáveis”, e para uma lista colossal de diversos disparates.
 Infelizmente, alguns insistem e se perdem nos labirintos das promoções de eventos cognominados “congressos espíritas” que jamais se assemelham às reuniões modestas conduzidas por Jesus há dois mil anos. Realizam esses festivos encontrões não raro em luxuosos Centros de Convenções destinados a espíritas abastados. Sem qualquer inquietação espiritual ou escrúpulos, justificam a cobrança de taxas (falaciosamente alcunhada de “contribuição espontânea, colaboração ou rateio”) aos interessados, razão pela qual a flâmula tão “almejada”  da “unificação” se submerge nesse cipoal de incongruências.
 Nos chamados eventos grandes, os órgãos “unificadores” devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos fortuitos participantes. O ideal será a opção por eventos menores, com estruturas modestas e eficazes. Muitas vezes temos a impressão de que a liderança atual deseja concorrer com os segmentos evangélicos a fim de abarrotarem de gente os  ginásios e estádios. Detalhe: o expositor-mor que arrebanha milhares de ouvintes para esse desiderato não vai ficar reencarnado 300 anos e já está próximo dos 90.
 Batendo sempre na mesmíssima tecla, recordamos o Cândido Xavier de Uberaba, que alertou: "é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais.”(6)   
Não queremos ser prisioneiros do pessimismo. Talvez nem tudo esteja perdido. Não ignoramos que há muitos Centros Espíritas bem conduzidos em alguns municípios do Brasil. É exatamente por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes que o Espiritismo poderá se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no futuro, possamos dizer que o Brasil é concretamente a “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo ”, segundo Jesus determinou e ordenou a Ismael a tarefa de administrar essa empreita.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
Referências Bibligráficas:
(1)       XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos). 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
(2)       idem
(3)       idem
(4)       idem
(5)       Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979
(6)       idem

16 junho 2012

A CONEXÃO TELEVISÃO-VIOLÊNCIA-COMPORTAMENTO É PREOCUPANTE

A violência de todas as gradações conspurca as conquistas sociológicas deste século. Irrompe-se em todos os níveis da sociedade, manifestando-se em múltiplas magnitudes. Lemos um jornal, uma revista; assistimos televisão e a bestialidade é obstinadamente difundida, seja pelos noticiários, pelos documentários, seja pelos filmes (inclusive desenhos “infantis”), pelos programas de auditório cada vez mais obscuros em termos de valores éticos.
Por quanto tempo teremos que conviver com os aviltantes programas de tevê na Pátria do Evangelho? São como “shows” que profanam os princípios fundamentais da moral e da ética. Há programas televisivos brasileiros que estão sendo vetados pelos telespectadores europeus através passeatas contra as licenciosas aberrações que se cometem nas programações importadas destas plagas do Cruzeiro do Sul.
É imperioso que haja, no Brasil, um movimento de conscientização popular robusto, a fim de que ocorra uma alteração na legislação para que seja devolvido ao País o culto dos valores morais elevados veiculados pelas emissoras de TV. Uma mobilização popular será necessária e justa, pois são nossos filhos que estão sendo influenciados pelas programações promíscuas que vêm corrompendo a família brasileira.
Atualmente, é claro que o conflito fundamental não é mais, unicamente, o conflito de classes. Há conflitos de gênero, étnicos, religiosos, regionais, por afirmação de identidade sexual etc. Que princípio filosófico será capaz de dar conta da relação entre os agentes de socialização – desenvolvimento de opinião pública, de ethos (1) e de sociabilidade – e qual a importância dos meios de comunicação, particularmente da mídia televisiva, nesse processo de harmonização social?
Dois estudos realizados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2009, mostraram que as telenovelas apresentadas nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em aspectos como número de filhos e divórcios. As telenovelas produzidas no país não estão exclusivamente influenciando e acarretando polêmica no Brasil. Especialistas afirmam que em Angola, na África, por exemplo, as novelas são os programas de maior sucesso. O comércio igualmente é influenciado, desviando centenas de feirantes informais angolanas a atravessarem o Atlântico e desembarcarem em São Paulo à procura de produtos para (re)venda em seu país. Para as pessoas de Angola, as novelas brasileiras são referência sobre o que vestir.
Dizem os especialistas que estamos na “era da alienação”, do estar sozinho e das adesões frágeis, o que facilita a violência. O alcance do produto televisivo, em particular das teledramaturgias (as famigeradas telenovelas), nos juízos e desejos dos brasileiros, suscita empecilhos, superstições, supressões e anuências que, além de repercussões particulares, acarretam sequelas sociais em nível mundial.
Como se não bastasse, a mídia televisiva tornou-se uma das principais instituições de influência sobre a formação cultural da criança e jovens. Estudos realizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul demonstram que a exibição de violência na TV tem efeitos inequívocos. Há correlações concretas entre a frequente exposição à violência exibida na Televisão e o comportamento agressivo do telespectador. Pesquisas comprovam que nos Estados Unidos, após a entrada da televisão os lares, na década de 40, a taxa de homicídios aumentou 93%.
A televisão ocupa um lugar central nos descaminhos dos rumos que a infância tem tomado. Para desviar-se dos choros e esperneios, muitos pais permitem que os filhos permaneçam mais tempo diante da tevê do que o preconizado. Mesmo considerando que a criança assista apenas a programas “infantis”, aquelas menores de cinco anos deveriam assistir televisão no máximo duas horas por dia. A recomendação é da Academia Americana de Pediatria (AAP). Os programas invadem as casas, afetam os ouvidos, os olhos, modificam as opiniões das pessoas, estabelecem campanhas, decompõem comportamentos. Diante desse dilema foi perguntado a Chico Xavier como era analisado o trabalho dos meios de comunicação pelo Mundo Espiritual.
O médium de Uberaba respondeu: “Na Inglaterra há uma lei que consideramos de muita importância. A própria imprensa, através da cúpula formada pelos homens de responsabilidade que a representam, decidiu formar uma associação de censura, de tudo que tivesse de ser lançado ao público pelos mais novos, pelos jornalistas, pelos radialistas, por todos aqueles que estivessem começando a tarefa de se comunicar com o público. No Brasil, a minha opinião, sem qualquer crítica, mas absolutamente sem qualquer crítica, eu creio que os excessos na televisão, nos jornais e nas revistas são de molde a falsear os sentimentos e pensamentos de muita gente.” (2)
Somos influenciados a partir do bombardeio informativo detonado pelos programas televisivos. Há uma espécie de efeito acumulativo, isto é, uma exposição exagerada à violência midiática que poderá desenvolver um certo temor e uma espécie de complexo de vítima. Quanto mais violência vemos na tevê, mais facilmente aceitamos  a ideia de que o comportamento agressivo é uma coisa normal.
Embora alguns afirmem que os efeitos da tevê não interferem no comportamento, ou seja, seus efeitos são mais discretos do que se imagina, não concordamos com isso! Afirmam que a violência que a tevê transmite  não é inventada pelas emissoras, pois sempre existiram gangues, traficância, prostituição, assassinatos, antes mesmo da TV existir, vociferam os acadêmicos “libertários”! Entretanto, entronizar os lixos da sociedade numa ensandecida guerra por audiência nos leva a refletir sobre a tese da regulação das programações, a fim de diminuir a exposição das pessoas, sobretudo crianças, aos entulhos da violência que a televisão transmite.
A guerra pela audiência, como todo duelo, é demente, é irracional. E na pugna pela audiência, como em toda batalha, as principais vítimas são as crianças. Numa sociedade de mercado, tudo é tratado como mercadoria. Inclusive a infância. Conquanto seja questão bastante discutida, não há como tapar o sol com peneira; não podemos desconsiderar a nefasta influência da tevê na formação das crianças, tanto na erotização precoce quanto na antecipação do imaginário social. Hoje isso pode ser considerado uma forma de profunda violência.
Óbvio que o controle é um bom método, sempre a partir da discussão popular, possibilitando determinar programas a ser privilegiados ou não na veiculação. Uma regulação (sem a característica de censura), porém de um controle democrático, por parte do telespectador sobre as programações que serão exibidas.
A relação televisão-violência-comportamento, é evidente que existe! Não obstante seja uma relação extremamente complexa e não confinante. Não há como deixar de responsabilizar os meios de comunicação, em especial a TV, para explicar ao conjunto da população o aumento do grau de violência que se tem observado. Segundo alguns especialistas, a televisão amolece o corpo e anestesia o espírito. Diante da tevê, o telespectador permanece, fisicamente, inerme, qual androide. Dos seus sentidos, trabalham somente a visão e a audição, mas de maneira absurdamente parcial.
É evidente que quem estuda o Espiritismo e pratica seus preceitos vê-se melhor instrumentalizado para a vida em sociedade nestes tempos atribulados, encontrando conceitos lógicos e racionais para o entendimento da vida numa visão cristã da mesma. Em nome de uma pretensa ruptura com a antiga base educacional, modelada nos princípios da austeridade, não podemos abraçar o comodismo na tarefa disciplinadora dos filhos, por preguiça ou porque não adquirimos as bases necessárias para essa tarefa. Em face disso, não podemos permitir que os nossos frágeis rebentos sejam marionetes dos processos de (des)educação alienante da mídia televisiva.
A criança é um adulto que está numa fantasia transitória, conforme afirmava, sempre, Chico Xavier. O adolescente, nos seus 14 e 15 anos, não tem ainda perfeito discernimento para fazer opções quanto ao caminho que lhe cabe trilhar. É geralmente muito instável, o que é natural. Por essa razão, os programas de tevê têm de ser mais bem selecionados pelos pais espíritas, especialmente aqueles que contêm cenas degradantes nos filmes, novelas e em programas de auditório de qualidade duvidosa, e em horários impróprios para eles.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

REFERENCIAS:


(1)    Ethos, na Sociologia, é uma espécie de síntese dos costumes de um povo.
(2)    Entrevista com Chico Xavier durante o Programa "Terceira Visão", da Rede Bandeirantes,  São Paulo, exibido em 25/12/1987.

10 junho 2012

CHICO XAVIER E OS DISCOS VOADORES

Fala-se muito nos contatos de seres extraterrenos. Certa vez perguntou-se ao Chico Xavier se ele acreditava na existência de discos voadores. Com extremo bom senso e cautela doutrinária Chico respondeu o seguinte:

"- Eu acredito que existem naves interplanetárias. Mas o assunto é um tanto quanto difícil, porque pertence ao campo da ciência.
Nós não podemos ignorar que, depois da Segunda Guerra Mundial, as superpotências experimentaram determinadas máquinas, mormente máquinas voadoras, naturalmente com segredos de Estado que são compreensíveis. Possivelmente, teremos máquinas de formas esféricas para voar e concorrer com nossos aviões, com nossos "Concordes" e talvez estejam esperando a hora certa para surgir.
Se entrarmos aí numa contenta sobre discos voadores, que dependem de outros mundos, de outras regiões de nossa galáxia, e se as sedes desses engenhos não permitirem que eles venham visitar a Terra durante muito tempo e aparecerem as máquinas esféricas das superpotências, então com que rosto vamos aparecer?
Vamos deixar que a ciência resolva este problema." Grifo meu(*)





(*)Jorge Hessen
http//jorgehessen.net



  Transcrito do livro Chico Xavier - Mandato de Amor,
editado pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais.

06 junho 2012

AOS ESCRAVOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS RECOMENDAMOS JESUS – “VINDE A MIM...” ( Mateus 11:28-30)

O consumo de alcoólicos pelo ser humano não é hábito recente; é tão antigo quanto o próprio homem das cavernas. Seja qual for o período histórico e em que sociedade com a qual se relacionou ou a cultura que recebeu, o homem tem bebido. Há 3700 anos “Código de Hamurabi” já trazia normativos sobre as situações, lugares e pessoas que podiam ou não fazer a ingestão de bebida alcoólica. Há 2500 anos os chineses perdiam – literalmente – a cabeça por causa da bebida alcoólica – a prática era punida com a decapitação. Configura-se um costume extremamente antigo e que vem persistindo por milhares de anos.
Paulo escreveu para os cristãos de Efésio: “e não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.”.(1) O álcool é a droga “lícita” mais consumida no mundo contemporâneo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a OMS, a bebida alcoólica é a droga legalizada de escolha entre crianças e adolescentes. Estima-se que o uso desse tóxico tenha início aos 10 a 12 anos. Os males gerados pelo alcoolismo são a terceira causa de morte no mundo.
Estudos encontrados na literatura científica mostravam que os homens bebiam mais que as mulheres em todas as faixas etárias, e que jovens consumiam mais álcool do que idosos. Porém, outras pesquisas apontam para o aumento anual, no Brasil e no mundo, do porcentual de mulheres dependentes. No passado, pontuam os especialistas, para cada cinco usuários problemáticos de álcool existia uma mulher na mesma condição. O estudo demonstra que atualmente a razão comparativa é de 1 para 1. Elas já bebem tanto quanto eles, mas concentradas em fases distintas. É mais recente a aceitação social do uso do álcool pelas mulheres. Realmente, antes elas não bebiam tanto. Com isso, o foco das campanhas preventivas ficou muito centrado nos homens. As mulheres ficaram negligenciadas nessa abordagem. Raros são os ginecologistas, por exemplo, que questionam se as suas pacientes bebem.
As grandes vítimas são os filhos, envolvidos numa rotina de restrições e constrangimentos. Filhos de mulheres que consomem álcool em excesso durante a gravidez estão sujeitos à síndrome alcoólica fetal, que pode provocar sequelas físicas e mentais no recém-nascido. Crianças e adolescentes filhos de pais com o vício estão mais sujeitos a desequilíbrios emocionais e psiquiátricos. Normalmente, o primeiro problema identificado é um prejuízo severo na autoestima, com repercussões negativas sobre o rendimento escolar e as demais áreas do funcionamento mental. Esses adolescentes e crianças tendem a subestimar suas próprias capacidades e qualidades.
Os dados atuais sobre alcoolismo são devastadores. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (HC) de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso. O levantamento feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital paulista.
Demonstrado cientificamente que o álcool é pernicioso em qualquer faixa etária, seus danos entre os adolescentes são patentes, sobretudo, durante a fase escolar, uma vez que o uso sucessivo da substância impede o rendimento, além de provocar desordem mental, falta de coordenação, problemas de memória e de aprendizado. Consequentemente, esse processo resulta também em dores de cabeça, alteração do ciclo natural do sono, da fala e do equilíbrio.
A dependência ao álcool pode ser hereditária, havendo uma predisposição orgânica do indivíduo para o seu desdobramento, no qual o Espírito imortal traz em seu DNA perispiritual as marcas e consequências do vício em outras experiências reencarnatórias, sendo compreensível, então, que o alcoolismo seja transmissível de pais para filhos. As matrizes dessas disfunções estão no passado, seja de forma hereditária ou espiritualmente, em decorrência de experiências infelizes, remanescentes de pregressas existências.
Segundo André Luiz, “ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos, a exemplo, da Síndrome de Down, da hidrocefalia, da paralisia, da cegueira, da epilepsia secundária, do idiotismo, do aleijão de nascença desde o berço.” (2) “O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual”. (3) Em “Evolução em dois Mundos” o mesmo autor espiritual revela-nos que “os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.”(4) Portanto, a ação do álcool no psicossoma é letal, criando fuligens venenosas que saturam no corpo psicossomático, danificando tanto as células perispirituais quanto as células físicas.
As substâncias dos alcoólicos ingeridos caem na corrente sanguínea, daí chegam ao cérebro, atacam as células neuronais; estas refletirão nas províncias correlatas do corpo perispiritual em configuração de danos e deformações apreciáveis que, em alguns casos, podem chegar até a desfigurar a própria feição humana do perispírito.
Infelizmente a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção: é mito considerar que maconha leva os jovens a outras drogas. São as bebidas alcoólicas que fazem esse papel. Nefastamente é a azada família que estimula a ingestão dos “inofensivos destilados e/ou fermentados”. Não são poucos que começaram a beber quando o patriarca (pai), orgulhoso do filho que virava homem, os atraía para os drinques dos “machões”.
O vício de beber cria rotinas que envolvem cúmplices encarnados e desencarnados que compartilham do mesmo hábito e manias. Bares, restaurantes, lanchonetes, clubes sociais e avenidas estão repletos de jovens que, displicentemente, fazem uso, em larga escala e abertamente, das tragédias engarrafadas ou enlatadas. A instalação do alcoolismo envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras podem ser geneticamente diferentes, porém só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis.
Os infelizes “canecos carnais” não só desfiguram e arrasam o corpo como agridem e violentam o caráter e deterioram o psicossoma através das obsessões, acendidas por espíritos beberrões que compartilham junto do bêbado os mesmos vícios e se alimentam através dos vapores alcoólicos expelidos pelos poros e boca numa simbiose mortificante. É precisamente esse vampirismo incorpóreo que ilustra o motivo de o alcoolismo ser avaliado como moléstia progressiva e de certo modo incurável. É verdade! Parar de beber, dizem membros do AA’s (Alcoólicos Anônimos), é a vitória maior para o dependente, mas a doença não acaba. Se ele voltar a dar uns goles, em pouco tempo recupera um ritmo igual ou até maior do que o mantido antes da pausa. “Não existe ex-alcoolista nessa história”, sustentam os frequentadores dos AA’s.
Essas são razões suficientes para que nas celebrações e festejos com amigos nos bares da vida, fugir do compromisso da vã tradição da bebedeira a fim de divertir-se. O oceano é constituído de pequenas moléculas de H2O, e as praias se formam com incontáveis grânulos de areia. É indispensável, portanto, desatar-se daquele clichê do “é só hoje”, e quando arrastados a comportamentos para “distrair”, não se deve aceitar a perigosíssima escapadela do "só um golinho", até porque não se pode esquecer que uma miúda picada de cobra peçonhenta, conquanto em acanhada porção, pode produzir a morte imediata, portanto ao invés de se distrair vai se destruir.
Sem dúvida que  mais fácil é evitar-lhes a instalação do que lutar depois pela supressão do vício (como dizem os membros dos AA’s: não há ex-alcoólatra). A questão assenta raízes densas na sociedade, provocando medidas curadoras e profiláticas nos círculos religiosos, médicos, psicológicos e psiquiátricos, necessitando de imperiosa assistência de todos os segmentos sociais para (quem sabe!) minimizar seus efeitos flagelantes. Destarte, faz-se urgente assentar a questão da alcoolfilia no foco dos debates públicos. Até porque o problema da consumação alcoólica precisa ser atacado sem trégua, a fim de que sejam encontradas soluções para a complexa epidemia do “tóxico legal”.
Para todos jugulados pelos vícios recomendamos Jesus. Sim! O Messias que prometeu: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”(5)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas :
(1) Efésios, 5:18.
(2) Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, p.139-140
(3) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2001
(4) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em, Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2003
(5) Mateus 11:28-30