13 outubro 2012

O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO E NÓS NOS UFANAMOS DISSO



ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA O CONSOLADOR
ACESSE O LINK ABAIXO



Esta frase foi dita em novembro de 1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo

Circula pela internet, e também em alguns periódicos espíritas, absurdas críticas à literatura de Emmanuel. Trata-se, sem dúvida, de improfícua tentativa de desmerecer a extraordinária obra do excelso médium Chico Xavier e de entronizar-se a hegemonia ideológica desses agentes da perturbação.
Não é preciso fazer um grande esforço para identificar nesses irmãos a carência de sensatez, pelo fato de se encontrarem inteiramente distanciados da Doutrina dos Espíritos, engolfados nas malhas do fascínio obsessivo.
Melancólicos críticos de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, tais confrades permanecem no torpor hipnótico, delirando no interior de uma composição descarrilada que culminou na tolice apontada como "emmanuelismo", patrocinada por “espíritas” que não têm mais o que fazer de útil.
Essa ojeriza a Emmanuel há muito existe no movimento Espírita, da mesma forma a aversão a André Luiz, desde a publicação do livro Nosso Lar. Recentemente, deliberamos assistir a uma apresentação em vídeo sobre o que apelidam de “Emmanuelismo”. Vimos; contudo, não suportamos a mutilada pseudopesquisa e paramos de assistir para não obliterar nosso mundo cerebral.
Entre as “preciosidades” do conteúdo, afirma-se que até para os próprios “espíritas” Emmanuel é um “pseudossábio”. Não sabemos em qual fonte bebericaram para afirmação tão incoerente.

Emmanuel: um pseudossábio?

A fundamental descrição de Emmanuel que fazemos é: ele nem enaltece, nem recrimina. Demonstra, conscientiza. É veemente, faz notar que os que se recuperam são incólumes aos horrores do amanhã. Por isso exorta-nos à reforma íntima. Nós que o interpretamos, e consentimos em admirá-lo, deixamos escapar um grito de conforto: "Sim, nós somos capazes!” Isso é meio poético, mas é assim que sentimos o benfeitor Emmanuel.
É evidente que para um espírita consciente o assunto cheira a discussão estéril, sem lógica. Retrucá-lo pode ser perda de tempo, mas, mesmo assim, vamos utilizar um tempinho para escrever sobre essa doideira, lembrando que teremos o cuidado para não esbarrarmos na mesma faixa de sintonia.
É risível o esforço dos confrades (reencarnações tupiniquins dos ex-científicos do século XIX) que consideram Emmanuel um pseudossábio. Quem consideram sábio? Afonso Angeli Torteroli? Ou eles mesmos? irrisão!! Escrevemos com o propósito de alertar os leitores, pois “conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos sejam enganados e se tornem suas vítimas". (1)
Esses irmãos, sob o guante de fértil imaginação e desnorteados no raciocínio, reverberam que o jovem “católico” Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o padre Manoel da Nóbrega em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu mentor espiritual. Com isso, todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro teria sido plasmado por um “misticismo católico”. (!?...)

Espiritismo: uma academia de expoentes do “saber”?

Destarte, os atuais idólatras de Torteroli (aquele “científico” que abusava da resignação do “místico” Bezerra de Menezes, no século XIX) andam dizendo que, por ter sido jesuíta, Emmanuel impôs um viés catoliquizante ao Movimento Espírita. Ora, se esses companheiros estudassem com inteligência os princípios espíritas, identificariam que o Espiritismo não precisou se catoliquizar com as sublimes mensagens do grande arquiteto do catolicismo, o Doctor Gratia, Aurélio Agostinho, ex-bispo de Hipona, que ditou dezenas mensagens insertas no Pentateuco Kardeciano. O importante é a essência de suas orientações, que em nada ferem a Terceira Revelação; ao contrário, contribuem para clareá-la ao fulgor do Evangelho. "O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral, e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha ninguém que mude de religião.” (2)
A rigor, o que está escamoteada na retórica desses aventureiros da ilusão, sob o tema “Emmanuelismo”, é, nada mais nada menos, uma restrição velada ao aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica.
Esses kardequeólogos “PhD’s de coisa nenhuma”, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles, obviamente! Isso só pode ser chacota!

Jesus: o tipo mais perfeito, nosso guia e modelo

Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livros, artigos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas das “inteligências” sombrias do Umbral. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens, e não foi Emmanuel que o disse, mas os imortais que participaram da codificação do Espiritismo e o próprio Kardec. Não nos custa lembrar aqui o que lemos na questão 625 d´O Livro dos Espíritos: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?” Resposta: “Jesus”.
Comentando a resposta, Kardec anotou, em seguida: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”. (L.E., item 625.)
Tais confrades têm-se colocado como vítimas da pecha de afugentadores do Mestre Jesus das hostes doutrinárias. Trôpegos, cavalgam sem norte, suspirando a falácia de que peregrinam o calvário do xenofobismo contra eles. Talvez porque, numa entrevista cedida a confrades de Uberaba, Chico advertiu: "Se tirarem Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarem Religião do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarem a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é Jesus". (3)

Jesus: Messias divino, o enviado de Deus

Atacam, com o mesmo propósito, até a figura do pioneiríssimo Olympio Teles de Menezes, alcunhando-o de espiritólico. As hordas das regiões densas são poderosas e se "organizam", uma vez que têm, como meta, a proscrição de Jesus dos estudos espíritas. Confrades esses, aprisionados por astutos cavaleiros das brumas umbralinas, atestam que Kardec escreveu o Evangelho para apaziguar os teólogos, tentando uma aproximação com a Igreja (pasme, leitor, e acredite se quiser!).
Ficam rubros de fúria quando leem Kardec, que afirmou: "O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso". (4) Além disso, o Espírito São Luís adverte que "os Espíritos não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário, confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes".(5) O mestre lionês assevera com todas as letras que o "Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes". (6)
Para os arautos da antirreligião que afirmam ser "Jesus somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo", lembramos que o Mestre da Galileia foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade. E para Kardec, o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi um Espírito superior, dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre: “Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino”. (7)


Referências bibliográficas:

(1) Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. X, 20:21
(2) Kardec, Allan. Revista Espírita, fevereiro de 1862 - Resposta dirigida aos Espíritas Lionenses por ocasião do Ano-Novo, Brasília: Edicel, 2001
(3) Entrevistas com Chico Xavier disponíveis em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/espiritismo-sem-jesus.html e http://www.meumundo.americaonline.com.br/eespirita/espiritismo_sem_jesus.htm
(4)  Kardec, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1868, discurso de Kardec em reunião pública realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Brasília: Edicel, 2001
(5)  Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2002, perg. 1.010 (a)
(6)  Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns RJ: Ed. FEB, 2000, Capítulo III, Do Método, Item 24,
(7)  Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2.

11 outubro 2012

SE ABRAÇAMOS O ESPIRITISMO POR IDEAL...

Se abraçamos o Espiritismo por ideal não podemos negar-lhe lealdade.
 Se abraçamos o Espiritismo por ideal, não podemos negar-lhe lealdade.
A fidelidade doutrinária ressoa como algo vazio para os que não têm compromisso alinhado com Jesus e Kardec. A lealdade a Kardec incide na observância da singeleza dos preceitos anotados, atidos e alicerçados na Codificação, cujos preceitos fundamentais foram sustentados pelos Espíritos Superiores. Uma Instituição Espírita tem que laborar como legítimo pronto-socorro espiritual, tal qual refrigério em favor das almas em desalinho, e não qual recinto de miragens e devaneios. O adequado reduto kardeciano tem que estar preparado para abrigar um contingente cada vez maior de pessoas submersas no atoleiro de suas próprias crises morais, e que jazem nos vales nebulosos da ignorância.
Os núcleos espíritas refletem a índole e consciência doutrinária dos seus dirigentes. Instituições que adotam práticas “doutrinárias” que chocam com os postulados Kardecianos não constituem casas genuinamente espíritas.
O Espiritismo apresenta-nos uma nova ordem religiosa que necessita ser resguardada. A Codificação é a resposta ajuizada dos Espíritos superiores às questões do homem aflito na Terra, conduzindo-o ao encontro do Criador. Entendemos que protegê-la da arrogância dos novidadeiros e das propostas vaporosas dos que a desconhecem é obrigação de todos nós.
Se adotamos o Espiritismo por ideal cristão não podemos negar-lhe fidelidade. O espólio da tolerância não pode tanger pela omissão diante das enxertias anormais e métodos irregulares que seres incautos planejam infligir, sobretudo nas sinuosidades do Movimento Espírita.
Não estamos discorrendo sobre defesa intransigente dos postulados espíritas, e nem propondo rígida igualdade de metodologias sem a devida consideração aos graus distintos de evolução em que estagiam as pessoas.
Seria contraproducente enredarmos pelos atalhos dos extremismos injustificáveis. É óbvio que não podemos transformar defesa da fidelidade doutrinária em uniformização estanque de exercícios que podem bloquear a criatividade natural diante do livre arbítrio de cada um. Conquanto rebatamos atitudes extremadas, não podemos abrir mão da prudência preceituada pela pureza dos postulados espíritas. Não hesitemos, pois, quando a situação se impõe, e estejamos alertas sobre a fidelidade que devemos a Jesus e a Kardec. É importante não olvidarmos de que nos sutis consentimentos vamos descaracterizando a programação do Consolador Prometido.
É imprescindível conservar o Espiritismo segundo herdamos do Codificador, conservando-lhe o fulgor dos conceitos, a clareza dos seus conteúdos, não consentindo que se lhe aloje ideias nocivas, que somente irão embaraçar os ingênuos e os pouco informados das suas lições.
No Espiritismo, o Cristo desponta como sublime e magnânimo condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol para iluminar todas as consciências. Lembremos que Kardec transmitiu à humanidade a melhor de todas as embalagens (fidelidade doutrinária) ao grandioso presente que é a Doutrina dos Espíritos, e todos aqueles que têm como base o alicerce do amor podem, até, coexistir com qualquer obra ou filosofia, que permanecerão blindados contra os agentes das influenciações obsedantes.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

AOS ESCRAVOS DA BEBIDA INDICAMOS JESUS

O consumo de alcoólicos pelo ser humano não é hábito recente; é tão antigo quanto o próprio homem das cavernas. Seja qual for o período histórico e em que sociedade com a qual se relacionou ou a cultura que recebeu, o homem tem bebido. Há 3700 anos “Código de Hamurabi” já trazia normativos sobre as situações, lugares e pessoas que podiam ou não fazer a ingestão de bebida alcoólica. Há 2500 anos os chineses perdiam – literalmente – a cabeça por causa da bebida alcoólica – a prática era punida com a decapitação. Configura-se um costume extremamente antigo e que vem persistindo por milhares de anos.
Paulo escreveu para os cristãos de Efésio: “e não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.”.(1) O álcool é a droga “lícita” mais consumida no mundo contemporâneo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a OMS, a bebida alcoólica é a droga legalizada de escolha entre crianças e adolescentes. Estima-se que o uso desse tóxico tenha início aos 10 a 12 anos. Os males gerados pelo alcoolismo são a terceira causa de morte no mundo.
Estudos encontrados na literatura científica mostravam que os homens bebiam mais que as mulheres em todas as faixas etárias, e que jovens consumiam mais álcool do que idosos. Porém, outras pesquisas apontam para o aumento anual, no Brasil e no mundo, do porcentual de mulheres dependentes. No passado, pontuam os especialistas, para cada cinco usuários problemáticos de álcool existia uma mulher na mesma condição. O estudo demonstra que atualmente a razão comparativa é de 1 para 1. Elas já bebem tanto quanto eles, mas concentradas em fases distintas. É mais recente a aceitação social do uso do álcool pelas mulheres. Realmente, antes elas não bebiam tanto. Com isso, o foco das campanhas preventivas ficou muito centrado nos homens. As mulheres ficaram negligenciadas nessa abordagem. Raros são os ginecologistas, por exemplo, que questionam se as suas pacientes bebem.
As grandes vítimas são os filhos, envolvidos numa rotina de restrições e constrangimentos. Filhos de mulheres que consomem álcool em excesso durante a gravidez estão sujeitos à síndrome alcoólica fetal, que pode provocar sequelas físicas e mentais no recém-nascido. Crianças e adolescentes filhos de pais com o vício estão mais sujeitos a desequilíbrios emocionais e psiquiátricos. Normalmente, o primeiro problema identificado é um prejuízo severo na autoestima, com repercussões negativas sobre o rendimento escolar e as demais áreas do funcionamento mental. Esses adolescentes e crianças tendem a subestimar suas próprias capacidades e qualidades.
Os dados atuais sobre alcoolismo são devastadores. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (HC) de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso. O levantamento feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital paulista.
Demonstrado cientificamente que o álcool é pernicioso em qualquer faixa etária, seus danos entre os adolescentes são patentes, sobretudo, durante a fase escolar, uma vez que o uso sucessivo da substância impede o rendimento, além de provocar desordem mental, falta de coordenação, problemas de memória e de aprendizado. Consequentemente, esse processo resulta também em dores de cabeça, alteração do ciclo natural do sono, da fala e do equilíbrio.
A dependência ao álcool pode ser hereditária, havendo uma predisposição orgânica do indivíduo para o seu desdobramento, no qual o Espírito imortal traz em seu DNA perispiritual as marcas e consequências do vício em outras experiências reencarnatórias, sendo compreensível, então, que o alcoolismo seja transmissível de pais para filhos. As matrizes dessas disfunções estão no passado, seja de forma hereditária ou espiritualmente, em decorrência de experiências infelizes, remanescentes de pregressas existências.
Segundo André Luiz, “ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos, a exemplo, da Síndrome de Down, da hidrocefalia, da paralisia, da cegueira, da epilepsia secundária, do idiotismo, do aleijão de nascença desde o berço.” (2) “O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual”. (3) Em “Evolução em dois Mundos” o mesmo autor espiritual revela-nos que “os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.”(4) Portanto, a ação do álcool no psicossoma é letal, criando fuligens venenosas que saturam no corpo psicossomático, danificando tanto as células perispirituais quanto as células físicas.
As substâncias dos alcoólicos ingeridos caem na corrente sanguínea, daí chegam ao cérebro, atacam as células neuronais; estas refletirão nas províncias correlatas do corpo perispiritual em configuração de danos e deformações apreciáveis que, em alguns casos, podem chegar até a desfigurar a própria feição humana do perispírito.
Infelizmente a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção: é mito considerar que maconha leva os jovens a outras drogas. São as bebidas alcoólicas que fazem esse papel. Nefastamente é a azada família que estimula a ingestão dos “inofensivos destilados e/ou fermentados”. Não são poucos que começaram a beber quando o patriarca (pai), orgulhoso do filho que virava homem, os atraía para os drinques dos “machões”.
O vício de beber cria rotinas que envolvem cúmplices encarnados e desencarnados que compartilham do mesmo hábito e manias. Bares, restaurantes, lanchonetes, clubes sociais e avenidas estão repletos de jovens que, displicentemente, fazem uso, em larga escala e abertamente, das tragédias engarrafadas ou enlatadas. A instalação do alcoolismo envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras podem ser geneticamente diferentes, porém só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis.
Os infelizes “canecos carnais” não só desfiguram e arrasam o corpo como agridem e violentam o caráter e deterioram o psicossoma através das obsessões, acendidas por espíritos beberrões que compartilham junto do bêbado os mesmos vícios e se alimentam através dos vapores alcoólicos expelidos pelos poros e boca numa simbiose mortificante. É precisamente esse vampirismo incorpóreo que ilustra o motivo de o alcoolismo ser avaliado como moléstia progressiva e de certo modo incurável. É verdade! Parar de beber, dizem membros do AA’s (Alcoólicos Anônimos), é a vitória maior para o dependente, mas a doença não acaba. Se ele voltar a dar uns goles, em pouco tempo recupera um ritmo igual ou até maior do que o mantido antes da pausa. “Não existe ex-alcoolista nessa história”, sustentam os frequentadores dos AA’s.
Essas são razões suficientes para que nas celebrações e festejos com amigos nos bares da vida, fugir do compromisso da vã tradição da bebedeira a fim de divertir-se. O oceano é constituído de pequenas moléculas de H2O, e as praias se formam com incontáveis grânulos de areia. É indispensável, portanto, desatar-se daquele clichê do “é só hoje”, e quando arrastados a comportamentos para “distrair”, não se deve aceitar a perigosíssima escapadela do "só um golinho", até porque não se pode esquecer que uma miúda picada de cobra peçonhenta, conquanto em acanhada porção, pode produzir a morte imediata, portanto ao invés de se distrair vai se destruir.
Sem dúvida que  mais fácil é evitar-lhes a instalação do que lutar depois pela supressão do vício (como dizem os membros dos AA’s: não há ex-alcoólatra). A questão assenta raízes densas na sociedade, provocando medidas curadoras e profiláticas nos círculos religiosos, médicos, psicológicos e psiquiátricos, necessitando de imperiosa assistência de todos os segmentos sociais para (quem sabe!) minimizar seus efeitos flagelantes. Destarte, faz-se urgente assentar a questão da alcoolfilia no foco dos debates públicos. Até porque o problema da consumação alcoólica precisa ser atacado sem trégua, a fim de que sejam encontradas soluções para a complexa epidemia do “tóxico legal”.
Para todos jugulados pelos vícios recomendamos Jesus. Sim! O Messias que prometeu: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”(5)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
Referências bibliográficas :

(1) Efésios, 5:18.
(2) Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, p.139-140
(3) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2001
(4) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em, Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2003
(5) Mateus 11:28-30

01 outubro 2012

COMEÇO DO FIM DO MUNDO?...QUAL MUNDO?...

Em face da atual saturação mística sobre o “calendário 2012”, avulta-se a obstinação nostradâmica lançando previsões absurdas. Cada facção com seu cortejo de iludidos vão estabelecendo sua agenda. Datas são repetidamente afixadas, ou adiadas, porque os adivinhos não abrangem que a fragmentação do tempo em milênios, séculos, anos, dias, horas, minutos etc, é apenas uma convenção humana, fruto da observação secular dos fenômenos naturais.
A contagem do tempo como um fluxo linear nasceu, sobretudo com a Renascença. De Leonardo da Vinci a Einstein, observou-se na estruturação da percepção do tempo o devir (vir a ser). Desde eras pitagóricas ao período cartesiano, nos achamos atualmente perante a desconstrução do tempo clássico. A relatividade einsteiniana instituiu uma inovação na percepção temporal. O momento quântico sobrepujou a cadência newtoniana e a percepção do tempo (se houver como o compreendemos), deverá ser (re)significado. Subliminarmente, alguns permanecem assombrados com a passagem do tempo, esquecendo-se de que a nossa contagem cronológica é totalmente arbitrária. As Leis naturais não são tangidas em face da maneira de como dividimos e contamos o tempo.
Crenças antigas têm sido entronizadas. O zoroastrismo, por exemplo, vem influenciando há milênios o pensamento judaico-cristão, notadamente quanto à escatologia e ao tempo linear de mundo. Por conta dessas crenças, uma infinidade de seitas tem arregimentado pessoas de imaginação fecunda, mormente revendendo a ideia de que a “Era de Aquários” está se aproximando, e que haverão transformações definitivas no planeta. Anuncia-se a liquefação da calota polar, irrupções de maremotos, terremotos, tornados, tsunamis, erupções vulcânicas. Afiança-se até que a partir de 2014 um asteroide irá se colidir com a Terra e acarretará uma grande destruição, e logo após os homens estarão aptos a vivenciar a “Nova Era”, em “paz”.(!?...)
Destaca-se o mote da “transição planetária” apregoando-se sobre hipotético “cinturão de fótons”(1) orbitando as Plêiades(2) e da acreditada órbita do sistema solar ao redor da estrela Alcíone. De acordo com a corrente “new age”, a Terra passará por esse “cinturão de fótons”, o que derivará ou na elevação moral da humanidade, ou no fim do Planeta. Essa superstição é rebatida por David Morrison, que atesta ser mística e não ter nada a ver com a ciência. “Ademais o conceito de um cinturão de fótons em órbita é um absurdo. Os fótons são luzes e eles se movem em linhas quase retas, e não orbitando em torno de qualquer coisa, muito menos em torno do aglomerado de estrelas Plêiades”.(3)
Na década de 90, “peritos” e estudiosos das centúrias de Nostradamus também afirmavam o extermínio do Planeta para setembro de 1999. Não obstante o alarme dos adivinhos milenaristas, a Terra não desapareceu do mapa sideral. A ideia de que haverá uma morte planetária é um mito presente em quase todas as civilizações. Para o historiador Georges Duby, há muita similitude entre os medos do homem medieval e os do homem contemporâneo. É verdade! O mundo mudou muito em matéria de hábitos, costumes, tecnologia e ciência, mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia no século XI.
Evoca-se a ideologia milenarista bastante enraizada na cultura cristã. Os historiadores cognominam milenarismo os fenômenos sociais advindos, sobretudo através do movimento ativista medieval aparecido no século XII, sob o auspício intelectual Gioacchino da Fiore, um abade cisterciense e filósofo místico. A partir de uma explicação personalíssima das Escrituras, de Fiore imaginava que por um período de mil anos haveria a paz e a prosperidade na Terra, sob a tutela do Cristo Entretanto, esse milênio seria antecedido por tragédias, fome, moléstias, guerras e cataclismos. Em seguida surgiria a tranquilidade de mil anos, antes do “Juízo Final”, do categórico triunfo das forças do bem sobre as forças do mal, num inacabável fluxo e refluxo de acontecimentos.
Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor permaneça no imaginário de muitos desde o início da cultura judaico-cristã, existem épocas em que o pânico se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando colossais parcelas da população. Paradoxalmente ou não, esquivando-nos dos ultimatos escatológicos (milenarista ou equivalente), distinguimos atualmente a experiência de agudas transformações planetárias. Todavia, também distinguimos que o planeta esteve sucessivamente em processo de transição, até porque faz parte da sua história.
Não há como não admitir que o Orbe atravessa alguns episódios sinistros quais crepúsculos, prenunciando tensas noites. Emmanuel avisou que “ao século XX competiria a missão do desfecho dos acontecimentos espantosos (...)  efetuaria a divisão das ovelhas do grande rebanho e uma tempestade de amarguras varreria toda a Terra. Depois da treva surgiria uma nova aurora. Luzes consoladoras envolveriam todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento.” (4). Em realidade, e não escapando da linearidade do tempo, percebemos que o século passado foi o mais sanguinolento de toda história humana.
Talvez “Deus tenha já marcado com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração”.(5) Sim! “o homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado. Para esse desiderato, a Humanidade necessitará de decididas inovações religiosas, porque a lição do Cristo ainda não foi compreendida.”(6)
Deus adverte-nos por meio de flagelos destruidores para que avancemos mais depressa. Assim, “os flagelos são necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”(7) Assegura o Codificador que o Espiritismo será a doutrina mais apta a desempenhar o papel de secundador do processo de regeneração da humanidade. Recordemos que a prática dos códigos evangélicos é e sempre será a condição intransferível que determinará a grande transformação social, política e econômica do porvir. Nessa esteira, que ainda poderá perdurar alguns séculos, haverá de ser o final do "mundo velho", desse mundo governado pela colossal ambição, pela corrupção, pelo extermínio das normas éticas, pela arrogância, pelo egoísmo e pela descrença.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net/blog



Referências bibliográficas:
(1) Alguns visionários creem que o Sistema solar  ao percorrer a órbita de 26.000 anos mergulha periodicamente no cinturão de fótons, o que supostamente ocasiona transmutação da matéria, e os seres humanos se transformam em uma “nova raça”, mais “espiritualizada”. A humanidade entra em uma “Nova Era”.
(2) As Plêiades (Sete Irmãs ou Messier 45) são um aglomerado estelar aberto com cerca de 1000 estrelas, situado a 440 anos-luz do Sol, na constelação do Touro.
(3) Cf. David Morrison, astrobiologista sênior da NASA, disponível no site https://astrobiology.nasa.gov/acessado em 25/09/2012
(4) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Ed. FEB,
(5) Kardec , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo,  Cap XX, item 5, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997
(6) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro-RJ: Ed. FEB questão 238
(7) Kardec , Allan. O Livro dos Espíritos, perg. 737, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999