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  • 28 de jan. de 2026

    A IGUALDADE DE RIQUEZAS PROMETIDA PELO COMUNISMO É UM FRENESI IRRACIONAL

    Jorge Hessen - DF

    A existência simultânea de ricos e pobres não decorre de uma vontade arbitrária ou de um determinismo social imutável, mas constitui uma condição pedagógica própria dos mundos de expiações e provas, como ainda é a Terra. Nessas esferas, as desigualdades materiais funcionam como instrumentos de aprendizado moral, destinados a favorecer o progresso individual e coletivo.

    Em certos momentos da evolução humana, faz-se necessário que os recursos materiais se concentrem nas mãos de alguns, a fim de impulsionar o desenvolvimento econômico, científico e social. Há Espíritos mais proativos, empreendedores e audaciosos, que assumem a dianteira das iniciativas, enquanto outros se beneficiam, direta ou indiretamente, dos frutos desses empreendimentos. Tal dinâmica, entretanto, não legitima abusos, exploração ou egoísmo, pois toda posse implica responsabilidade moral proporcional (KARDEC, 1861).

    É inegável que o mau uso da riqueza gera injustiças e sofrimentos. Contudo, à luz da Lei de Justiça, Amor e Caridade, nada permanece em desordem indefinidamente. O Espiritismo ensina que a Lei da Reencarnação corrige os aparentes desequilíbrios da vida social, permitindo que o Espírito experimente, ao longo de múltiplas existências, situações contrastantes: ora a opulência, ora a escassez; ora a condição de dirigente, ora a de subordinado; ora o poder de decidir, ora a necessidade de obedecer (KARDEC, 1857).

    Dessa forma, aquele que possui bens materiais é chamado a aprender a nobreza no uso da riqueza, exercitando a generosidade, a solidariedade e o desprendimento. Já aquele que enfrenta a carência é convidado ao aprendizado da humildade, da perseverança e do esforço construtivo, desenvolvendo valores espirituais que não dependem da posse material. Ambos se encontram sob provas distintas, mas igualmente educativas (DENIS, 1911).

    Importa destacar que essa diversidade de condições sociais não é uma característica dos mundos superiores. Nas esferas mais elevadas da Criação, onde a matéria é sutil e as necessidades físicas são mínimas ou inexistentes, não subsistem as ambições, o orgulho ou o apego aos bens transitórios. Ali habitam Espíritos moralmente adiantados, para os quais a verdadeira riqueza reside no saber, na harmonia e no amor vivido em plenitude (EMMANUEL, 1950).

    A igualdade de riquezas prometida pelo comunismo é uma alucinação aritmética aplicada a uma realidade humana complexa. Ao negar as diferenças naturais e morais entre os indivíduos, ela subverte a justiça, corrói a liberdade e empobrece a sociedade. A justiça social autêntica não nivela; eleva. Não confisca; capacita. Não promete paraísos — constrói caminhos.

    Assim, riqueza e pobreza, longe de serem fins em si mesmas, constituem meios educativos temporários, destinados a desaparecer à medida que a humanidade progride moralmente e se aproxima da lei divina em sua expressão mais pura.

     

    Referências bibliográficas:

    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

    KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2015.

    DENIS, Léon. Depois da morte. Tradução de Leopoldo Cirne. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

    EMMANUEL (Espírito). O Consolador. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 29. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2014