![]() |
| Jorge Hessen - DF |
A existência simultânea de ricos e pobres não decorre de uma vontade arbitrária ou de um determinismo social imutável, mas constitui uma condição pedagógica própria dos mundos de expiações e provas, como ainda é a Terra. Nessas esferas, as desigualdades materiais funcionam como instrumentos de aprendizado moral, destinados a favorecer o progresso individual e coletivo.
Em certos momentos da
evolução humana, faz-se necessário que os recursos materiais se concentrem nas
mãos de alguns, a fim de impulsionar o desenvolvimento econômico, científico e
social. Há Espíritos mais proativos, empreendedores e audaciosos, que assumem a
dianteira das iniciativas, enquanto outros se beneficiam, direta ou
indiretamente, dos frutos desses empreendimentos. Tal dinâmica, entretanto, não
legitima abusos, exploração ou egoísmo, pois toda posse implica
responsabilidade moral proporcional (KARDEC, 1861).
É inegável que o mau uso
da riqueza gera injustiças e sofrimentos. Contudo, à luz da Lei de Justiça,
Amor e Caridade, nada permanece em desordem indefinidamente. O Espiritismo
ensina que a Lei da Reencarnação corrige os aparentes desequilíbrios da vida social,
permitindo que o Espírito experimente, ao longo de múltiplas existências,
situações contrastantes: ora a opulência, ora a escassez; ora a condição de
dirigente, ora a de subordinado; ora o poder de decidir, ora a necessidade de
obedecer (KARDEC, 1857).
Dessa forma, aquele que
possui bens materiais é chamado a aprender a nobreza no uso da riqueza,
exercitando a generosidade, a solidariedade e o desprendimento. Já aquele que
enfrenta a carência é convidado ao aprendizado da humildade, da perseverança e
do esforço construtivo, desenvolvendo valores espirituais que não dependem da
posse material. Ambos se encontram sob provas distintas, mas igualmente
educativas (DENIS, 1911).
Importa destacar que essa
diversidade de condições sociais não é uma característica dos mundos
superiores. Nas esferas mais elevadas da Criação, onde a matéria é sutil e as
necessidades físicas são mínimas ou inexistentes, não subsistem as ambições, o
orgulho ou o apego aos bens transitórios. Ali habitam Espíritos moralmente
adiantados, para os quais a verdadeira riqueza reside no saber, na harmonia e
no amor vivido em plenitude (EMMANUEL, 1950).
A igualdade de riquezas
prometida pelo comunismo é uma alucinação aritmética aplicada a uma
realidade humana complexa. Ao negar as diferenças naturais e morais entre os
indivíduos, ela subverte a justiça, corrói a liberdade e empobrece a
sociedade. A justiça social autêntica não nivela; eleva. Não confisca; capacita.
Não promete paraísos — constrói caminhos.
Assim, riqueza e pobreza,
longe de serem fins em si mesmas, constituem meios educativos temporários,
destinados a desaparecer à medida que a humanidade progride moralmente e se
aproxima da lei divina em sua expressão mais pura.
Referências
bibliográficas:
KARDEC, Allan. O Livro
dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
KARDEC, Allan. O
Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 2015.
DENIS, Léon. Depois da
morte. Tradução de Leopoldo Cirne. Rio de Janeiro: FEB, 2010.
EMMANUEL (Espírito). O
Consolador. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 29. ed. Rio de Janeiro:
FEB, 2014
