Jorge Hessen
Brasília-DF
A morte sempre despertou questionamentos profundos na humanidade. Para muitos, ela ainda é vista como o fim absoluto da existência. Entretanto, quando analisada à luz da ciência e do Espiritismo, a morte revela-se como um processo natural de transição, necessário ao progresso do Espírito.
Do ponto de vista biológico, o corpo humano é finito. Ainda
que a expectativa de vida tenha aumentado com os avanços da medicina, o
organismo físico chega, inevitavelmente, ao seu limite. A ciência descreve com
precisão os fenômenos que acompanham a morte do corpo, como a interrupção das
funções vitais, a falência dos órgãos e a decomposição gradual da matéria.
Somente morre o corpo; a medicina
demonstra que, cessada a oxigenação, o cérebro é o primeiro órgão a sucumbir,
seguido pelo coração e demais sistemas. Com o tempo, surgem fenômenos naturais
como o rigor mortis e o livor mortis, até que o
corpo retorna plenamente aos elementos da natureza.
Para o Espiritismo, porém, a morte não representa o
desaparecimento do ser consciente. Allan Kardec é claro ao afirmar: “A
morte não é o aniquilamento do ser; é apenas a destruição do invólucro
material.”(1)
Assim, o falecimento do corpo físico não extingue a vida,
apenas encerra uma etapa da experiência terrena. O Espírito sobrevive
conforme ensinam os Benfeitores. Quando Kardec questiona
diretamente o destino da alma no instante da morte e recebe uma resposta
objetiva e consoladora: “Volta a ser Espírito, isto é, retorna ao mundo
dos Espíritos, de onde se havia apartado momentaneamente.”(2)
Essa afirmação fundamenta a esperança espírita: a vida
continua além do túmulo, e o Espírito prossegue sua jornada evolutiva, levando
consigo suas conquistas morais e intelectuais.
A morte é somente uma “passagem”, pois a separação
entre o Espírito e o corpo não ocorre de forma brusca. Trata-se de um processo
gradual que varia conforme o grau de apego à matéria e o estado moral do
indivíduo. Kardec sintetiza em A Gênese essa realidade ao ensinar
que a vida corporal é transitória: “A vida espiritual é a vida normal
do Espírito; a vida corporal é transitória e passageira.”(3)
Sob essa perspectiva, a morte deixa de ser um fim temido e
passa a ser compreendida como uma passagem necessária, um retorno à
verdadeira vida. E a ciência explica o funcionamento e o desgaste do corpo
físico; o Espiritismo esclarece a continuidade da vida. Juntas, essas visões
nos convidam a viver com mais responsabilidade, consciência e esperança, certos
de que a existência não se limita aos poucos anos da experiência material.
Durante nosso sono físico há uma espécie de morte parcial.
Na morte corpórea, antes mesmo do desligamento definitivo da alma — processo
denominado desencarnação —, pode ocorrer fenômeno semelhante ao do sono. Tal
fato explica muitas manifestações de comunicação espiritual observadas nos
momentos finais da existência física, amplamente estudadas por pesquisadores
como Ernesto Bozzano.
O desligamento completo da alma não é, em regra,
instantâneo. Conforme ensina o Livro dos Espíritos (questão
155) , a separação ocorre de maneira gradual, pois o perispírito se liga ao
corpo físico molécula a molécula durante a reencarnação, exigindo tempo para
que essa ligação se desfaça. A libertação do Espírito assemelha-se mais a um
processo progressivo do que a uma ruptura súbita.(4)
Diversas obras espíritas de origem mediúnica relatam o
auxílio prestado por benfeitores espirituais nesse momento delicado. Em Obreiros
da Vida Eterna, André Luiz descreve a desencarnação de Dimas, evidenciando
a complexidade do processo e a atuação cuidadosa dos Espíritos amigos na
liberação dos centros vitais do corpo.(5)
Esses ensinamentos nos convidam à reflexão sobre a
importância da prece, do respeito e da serenidade nos instantes que cercam a
morte física. Atitudes de paz e elevação espiritual favorecem a libertação
harmônica da alma, auxiliando o Espírito em sua transição
Notas bibliográficas
1- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 68 Ed. FEB
2 - ____Allan. O Livro dos Espíritos, questão 149 Ed. FEB
3 - ____Allan. A
Gênese, cap. XI, item 21 Ed. FEB
4 - ____Allan. O Livro dos Espíritos questão 155 Ed. FEB
5 - Xavier, Francisco Cândido. Obreiros da Vida Eterna, E
