Jorge Hessen
Brasília-DF
O movimento espírita, ao
longo de sua trajetória, sempre valorizou o estudo, a caridade e o esforço pela
transformação moral. Ainda assim, há a liderança dos “mornos bonzinhos”.
A
ideia de mornidão espiritual refere-se àquele que conhece a
Doutrina, mas evita aplicá-la a si mesmo ou mascara virtude através de palavras
e gestos mansos. Embora frequente a Casa Espírita, porém resiste à autotransformação.
Não se trata de praticar
o mal deliberadamente, mas de não avançar no bem , porque mascaram bondade
permanecendo em uma zona confortável de
neutralidade ética. Ou pensam que todos estão errados menos eles....
Allan Kardec nunca
separou o Espiritismo do aprimoramento moral. Ao contrário, estabeleceu um
critério objetivo e inconfundível para identificar o verdadeiro espírita: “Reconhece-se
o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega
para domar suas más inclinações.”¹
Essa afirmação desloca o
centro da vivência espírita do discurso para a prática, do saber para o ser. O
Espiritismo não se mede pela projeção pessoal, pela eloquência nem pela
frequência às reuniões, mas pelo trabalho silencioso que cada um realiza sobre
si mesmo.
No mornão a virtude
que não é transparente. O termo “bonzinho” surge porque, em regra, essas
pessoas são “educadas”, “afáveis”, “respeitosas” e “bem-intencionadas”. No
entanto, a bondade, quando não sustentada pela vigilância interior, pode
permanecer apenas na superfície, confundindo cordialidade social com virtude
moral.
A caridade eventual, o
comportamento gentil e a ausência de conflitos não substituem o esforço
contínuo de superação do orgulho, do egoísmo e da vaidade.
Emmanuel alerta para esse
risco sutil: “O bem que não se renova acaba por estagnar.”² A estagnação
espiritual não é barulhenta, mas é profundamente limitadora.
É importante destacar: o
Espiritismo não condena, não acusa, não rotula. Ele
esclarece, orienta e convida. Todos nós, em diferentes momentos da caminhada
evolutiva, já experimentamos fases de acomodação moral.
Reconhecer-se, ainda que
parcialmente, em atitudes mornas não deve gerar culpa, mas consciência
e responsabilidade. O progresso espiritual não exige perfeição imediata,
mas esforço honesto e perseverante.
O movimento espírita
necessita menos de “bonzinhos conformados” e mais de trabalhadores
conscientes, dispostos a aprender, cair, levantar-se e seguir adiante sem
omissões.
O Espiritismo não nos
chama à santidade aparente, mas à coerência possível. Não exige heróis
morais, mas discípulos sinceros do Evangelho, comprometidos com a própria
transformação.
A verdadeira superação da
mornidão começa quando o espírita deixa de perguntar apenas “o que a
Doutrina diz?” e passa a refletir diariamente: “O que estou fazendo, de
fato, sem falsas virtudes, com o que aprendi?”
Notas bibliográficas:
1- KARDEC,
Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XVII, item 4 – “O
homem de bem”.
2- XAVIER,
Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. Federação
Espírita Brasileira (FEB).
