Jorge Hessen
Brasília-DF
De acordo com a tradição,
o DNA (Ácido desoxirribonucleico) é a molécula que contém as instruções
genéticas para o desenvolvimento, funcionamento e reprodução de todos os seres
vivos, com uma estrutura de dupla hélice composta por quatro bases nitrogenadas
(Adenina, timina, citosina, guanina) que formam genes, responsáveis pelas
características hereditárias e pela codificação de proteínas.
Essa molécula está
presente no núcleo das células, é responsável por armazenar e transmitir
informações genéticas aos descendentes e tem a capacidade de se autoduplicar.
Mas, o DNA não é apenas um mecanismo biológico herdado dos pais terrenos; é um
instrumento da Lei Divina, ajustado às necessidades evolutivas do Espírito, que
o utiliza como vestimenta temporária para sua experiência na Terra.
Allan Kardec ensina que o
Espírito precede e governa a organização corporal, jamais sendo produto da
matéria: “O Espírito modela o seu envoltório de acordo com o meio em que
deve viver.”(¹)
À luz desse princípio, o
DNA pode ser compreendido como parte do ajuste orgânico do corpo físico,
subordinado às leis naturais, mas direcionado pelas necessidades do Espírito
reencarnante, sem que isso implique qualquer misticismo biológico.
Léon Denis reforça essa
hierarquia entre Espírito e corpo ao afirmar: “O corpo é apenas o
instrumento da alma, que o dirige e dele se serve para manifestar-se.”(²)
Assim, o DNA não define a
essência do ser, mas expressa no plano material as condições educativas, provas
e limitações necessárias ao progresso espiritual.
Emmanuel, ampliando essa
visão, esclarece que o corpo é uma concessão divina vinculada à Lei de Causa e
Efeito: “O corpo físico é uma dádiva de Deus, atendendo às necessidades do
Espírito na experiência reencarnatória.”(³)
Desse modo, o DNA pode
ser entendido como parte do planejamento reencarnatório, refletindo heranças
físicas compatíveis com o passado espiritual do indivíduo, sem jamais
substituir a responsabilidade moral e o livre-arbítrio.
Desta forma, o DNA é
biologia em sua estrutura, mas instrumento da Lei Divina em sua finalidade,
servindo ao Espírito como meio de aprendizado, reparação e progresso.
Notas Bibliográficas:
KARDEC,
Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de
Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, edição
definitiva, 2013, cap. XI, item 18, p. 294.
DENIS,
Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Tradução de Homero Dias de
Carvalho. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012, Parte I, cap.
II, p. 63.
XAVIER,
Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador. Rio de Janeiro: Federação
Espírita Brasileira, 2019, questão 95, p. 87.
