SITES E BLOGS

  • LEITORES
  • 19 de jan. de 2026

    O Espiritismo desmonta o edifício do dogmatismo


     

     

    Jorge Hessen

    Brasília-DF

     É um equívoco recorrente afirmar que o Espiritismo tenha criado uma nova moral. Essa ideia, além de imprecisa, revela desconhecimento da própria obra de Allan Kardec. A Doutrina Espírita não inventa valores éticos: ela desmonta o edifício do sectarismo dogmático que, ao longo dos séculos, obscureceu a simplicidade da moral ensinada por Jesus.

    Kardec é categórico ao afirmar que a moral do Cristo é a expressão mais pura da lei natural (1). Se assim for, não pode ser propriedade de igrejas, nem instrumento de controle moral, tampouco código de submissão. O Espiritismo rompe com a lógica do medo, da culpa e da obediência cega, ao afirmar que nenhuma fé é legítima se não puder enfrentar a razão (2).

    A promessa do Consolador não foi a de uma nova religião, mas a de uma Revelação libertadora. O Espiritismo cumpre esse papel ao retirar o Evangelho do púlpito da autoridade e devolvê-lo ao foro íntimo da consciência.

    Seguir Jesus, à luz do Espiritismo, não é repetir fórmulas religiosas, mas assumir a responsabilidade integral pelos próprios atos. Por isso, Kardec define o verdadeiro espírita não por sua adesão institucional, mas por sua transformação moral (3). Todo o resto é discurso.

    O Espiritismo nos convida a compreender que a moral ensinada por Jesus nunca precisou ser reinventada, apenas redescoberta. Longe de criar novos princípios éticos, a Doutrina Espírita esclarece o Evangelho, ajudando-nos a compreendê-lo à luz da razão e da experiência espiritual.

    O Codificador ensina que a moral do Cristo é a expressão mais elevada da lei natural, acessível a todos os Espíritos, em qualquer tempo ou lugar. Ao explicá-la sem dogmas ou ameaças, o Espiritismo nos ajuda a vivenciar o Evangelho com liberdade e consciência.

    A fé proposta pela Doutrina Espírita não se apoia no medo, mas na compreensão. Por isso, Kardec afirma que a verdadeira fé é aquela que pode caminhar lado a lado com a razão. Essa perspectiva nos fortalece na prática do bem, não por obrigação, mas por convicção íntima.

    Ser espírita, portanto, é um exercício diário de coerência entre o que se crê e o que se vive. Reconhece-se o verdadeiro espírita, lembra Kardec, pela transformação moral e pelos esforços sinceros de melhoria. É nesse caminho simples e profundo que a moral de Jesus se torna viva em nós.

     

    Referências  bibliográficas:

    1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. J. Herculano Pires. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2019, cap. I, item 5, p. 33.
    2. KARDEC, Allan. A Gênese. Trad. J. Herculano Pires. 53. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2018, cap. I, item 39, p. 54.
    3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. J. Herculano Pires. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2019, cap. XVII, item 4, p. 255.