Jorge
Hessen
Brasília
-DF
A pretensão de
transformar a humanidade mediante revoluções ideológicas, submetendo o
indivíduo à vontade das massas, constitui uma das mais inquietantes
contradições da história política. Promete-se liberdade, mas frequentemente se
exige submissão; anuncia-se fraternidade, enquanto se alimenta o antagonismo
entre “classes”.
O psiquiatra forense
norte-americano Lyle H. Rossiter Jr., em The Liberal Mind (2006), associa
determinadas manifestações do radicalismo esquerdista a mecanismos psicossociais
de dependência, regressão emocional e hostilidade à autonomia individual.
Rossiter possui
experiência declarada superior a quarenta anos na psiquiatria e atuação em
mais de 2.700 processos civis e criminais. Entretanto, esses números
referem-se à sua atividade profissional, com 2.700 militantes de esquerda.
Sua interpretação é uma tese político-psicológica, não sendo, obviamente, como qualquer
pesquisa psiquiátrica, um diagnóstico universalmente convencional.
O fanatismo político pode
envolver rigidez cognitiva, intolerância à divergência e identificação
excessiva com grupos. Contudo, tais manifestações logicamente não são
exclusivas da “esquerda” e não autorizam classificar adversários políticos como
mentalmente enfermos.
Léon Denis, em Socialismo
e Espiritismo (1924), oferece uma reflexão particularmente esclarecedora. No
capítulo I, reconhece a legitimidade das reivindicações operárias, mas reprova
os métodos revolucionários violentos. No capítulo VII, declara expressamente: “Sou
evolucionista e não revolucionário.”
É indispensável
reconhecer que Denis se identificava com um utópico“socialismo” espiritualista,
orientado pela justiça e pela solidariedade. Rejeitava, entretanto, o funesto
socialismo materialista que fomentava o ódio e a violência.
No capítulo V, Denis
sustenta que nenhuma reorganização institucional produzirá resultados
duradouros sem o aperfeiçoamento moral dos indivíduos. Sua crítica alcança
precisamente a ilusão de corrigir a sociedade exclusivamente pela transformação
das estruturas econômicas.
Allan Kardec, em O Livro
dos Espíritos, questão 793, vincula a verdadeira civilização ao progresso
moral. Na questão 806, esclarece-se que as desigualdades sociais são produzidas
pelos homens, não por Deus.
Emmanuel, em Pensamento e
Vida, e André Luiz, em Nos Domínios da Mediunidade, oferecem reflexões
espiritualistas sobre a responsabilidade dos pensamentos e das atitudes. Essas
contribuições não comprovam nem negam as hipóteses clínicas de Rossiter, mas
reforçam a necessidade da vigilância moral.
A “bandeira vermelha”,
quando convertida em símbolo de intolerância e imposição ideológica, não
transforma consciências: apenas substitui antigos mecanismos de dominação por
novos discursos de poder. O mesmo princípio condena qualquer extremismo
autoritário, independentemente de sua coloração partidária.
Não haverá regeneração
verdadeira enquanto o orgulho, o egoísmo e a violência comandarem as relações
humanas. A justiça social é indispensável, mas não florescerá pela
destruição da liberdade individual.
O Espiritismo propõe um ideário
mais profundo: a educação da consciência, a fraternidade efetiva e a reforma
moral. Sem isso, toda promessa de construir um mundo novo poderá conservar, sob
novas bandeiras, os velhos vícios da humanidade.
Referências Bibliográficas:
DENIS, Léon. Socialismo e
Espiritismo. 1924. Capítulos I, V e VII.
KARDEC, Allan. O Livro
dos Espíritos. Paris: E. Dentu, 1857. Questões 793 e 806.
ROSSITER JR., Lyle H. The
Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness. St. Charles: Free
World Books, 2006.
XAVIER, Francisco
Cândido. Pensamento e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB 2000
XAVIER, Francisco
Cândido. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro:
FEB 1999
