18 fevereiro 2010

TODA DOENÇA SEMPRE SERÁ REFLEXO DO ESTADO MENTAL DO DOENTE


Em caso raro, ocorrido no Japão, falha no sistema imunológico do bebê fez as células cancerígenas da mãe, de 28 anos, serem transferidas para a criança ainda no útero. Os pesquisadores detectaram que células de leucemia tinham atravessado a placenta da gestante e afetado a saúde de seu bebê. Por esse motivo, equipe do Instituto de Pesquisa do Câncer, da Universidade de Londres, trabalhando em conjunto com médicos japoneses, tem se esforçado para apresentar mais provas, a fim de demonstrar que o câncer pode ser transmitido durante a gestação.
Um mês após o nascimento do bebê, a mãe foi diagnosticada em estágio avançado de leucemia e faleceu. Quando o bebê completou 11 meses de idade, foi levado ao hospital com a face direita do rosto inchada. Exames mostraram que a criança tinha um tumor em seu maxilar e o câncer já havia se espalhado para os pulmões. Os médicos japoneses suspeitaram de uma ligação com a leucemia que levou sua mãe a óbito. Foram examinados os genes das células cancerosas no bebê e encontraram uma mutação, ou seja, um “apagamento” em uma região do DNA que controla a expressão do lócus principal de histocompatibilidade (1), que é responsável pela imunidade do indivíduo. Essa falha, para os médicos, impediu que o sistema imunológico do bebê reconhecesse que as células de câncer eram “invasores” e, por isso, elas não foram destruídas.
As conclusões foram publicadas em um artigo da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual os pesquisadores explicam como usaram a genética para demonstrar que as células do câncer vieram da mãe. O que há de mais instigante no câncer é que, em tese, ele é parte do nosso próprio corpo - uma parte que resolveu se “rebelar” contra o resto. As células cancerosas se tornam "traiçoeiras" ao sofrerem mutações em seu DNA. Várias das mutações que levam a um câncer são bem conhecidas e estão relacionadas a danos em genes responsáveis pela capacidade das células de controlar sua multiplicação.
No que se refere ao bebê em questão, considerando os mecanismos da reencarnação, transmitindo-se, ou não, células malignas materna, durante a gestação, indiferentemente, a doença se instalaria, ou não, pois toda patologia sempre será reflexo do estado mental do doente. No caso analisado, se há cumplicidade entre a mãe e o bebê, obviamente, o roteiro da existência seguirá consoante a Lei de Ação e Reação. Ora, se o bebê não trouxesse uma pendência do passado fincada ao câncer, por exemplo, não ocorreria a transmissão de célula cancerosa da mãe para a criança na vida intra-uterina, porém, ainda que eventualmente ocorresse essa transmissão, as células doentes não se desenvolveriam no corpo do rebento, pis não teria campo para isso. É a Justiça da Lei de Deus! Até porque, das patologias humanas, o câncer é o mais, fortemente, enraizado aos erros morais do passado (recente ou remoto).
O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença. Isso influenciará no sistema imunológico. Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas.
Todavia, será crível que a carga mental positiva, por meio de um estado psicológico ou emocional, tem a capacidade de curar doenças? Para alguns, o fato de as pessoas com câncer estarem otimistas ou pessimistas, em relação à cura, não influencia, diretamente, nas chances de sobrevivência à doença. Evidentemente, discordamos desses argumentos, uma vez que diversas provas registram que, no caso de doenças graves, a mente pode influenciar no resultado de recuperação.
Em que pese considerarmos a importância dos médicos e o valioso contributo da ciência, quando não apoiados na mudança de comportamento mental do doente, somente o bom relacionamento médico-paciente é limitado e insuficiente para atacar as causas da doença e a angústia dela decorrente. O paciente, ao chegar ao hospital, traz consigo, além da doença, sua trajetória de vida atual e passada. O seu estado emotivo é resultante de alguns vetores como a estrutura da personalidade, interpretação e vivência dos acontecimentos, considerando aspectos do imaginário e do real, além de outras variáveis de causas patogênicas.
Os espíritas sabem que a matéria mental é criação de energia que se exterioriza do Espírito e se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de propagação de energia existente no Universo. Pensar é um processo de projeção de matéria mental e essa matéria é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, saúde ou doenças, que não se reduzem, efetivamente, a abstrações, por representarem turbilhões de forças em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo, para si mesma, os agentes [por enquanto imponderáveis], de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade, conforme conceitua o Espiritismo.
Nesse aspecto, o estado mental, fruto das experiências de vida passada e presente, deixa de ter uma dimensão intangível para se consubstanciar na condição de matéria em movimento. Muitos pacientes, diante do diagnóstico da doença, transformam a dor em esperança e despertam, neles, a vontade de lutar por uma vida melhor. Outros, porém, desistem e se entregam, admitindo que estão sob uma sentença de morte. Cada caso é um caso e, a cada um, a vida responde segundo seus merecimentos.
Do exposto, urge que busquemos, acima de tudo, os hábitos salutares da oração, da meditação e do trabalho, procurando enriquecer-nos de esperança e de alegria, para nunca desanimarmos diante dos desafios de qualquer doença, ainda que sob o guante de nossos delitos do passado “esquecido”. Lembremos, sempre, que o Evangelho do Senhor nos esclarece que o pensamento puro e operante é a força que nos arroja das trevas para a luz, do ódio ao amor, da dor à alegria.
Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus, pois nosso remédio é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é a meta de nossa renovação.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
jorgehessen@gmail.com

Nota
1 Compatibilidade de tecidos; grau de similitude de seus caracteres antigênicos, de que depende a não-rejeição de enxertos e transplantes de órgãos.

06 fevereiro 2010

TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS É VALIOSA OPORTUNIDADE PARA O EXERCÍCIO DO AMOR.


Quando se pode precisar que uma pessoa esteja, realmente, morta? Para a American Society of Neuroradiology, é através da morte encefálica, isto é, "quando constatado o estado irreversível de cessação de todo o encéfalo e funções neurais (resultante de edema e maciça destruição dos tecidos encefálicos) apesar da atividade cardiopulmonar poder ser mantida através de avançados sistemas de suporte vital e mecanismo de ventilação”. (1) Morte cerebral significa a desvitalidade do cérebro, incluindo tronco encefálico que desempenha funções cruciais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora, ainda, haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. A medicina, no mundo inteiro, tem como certeza que a morte encefálica, incluída a morte do tronco cerebral, só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica. (2)
Recentemente, um homem, cujo coração estava parado há mais de uma hora e cujos órgãos os médicos estavam se preparando para recolher, a fim de utilizar em transplantes, despertou na mesa de cirurgia, ou seja, havia nele "sinais de vida", a rigor, um enunciado equivalente a determinar a ausência de sinais clínicos de morte. "Os participantes da equipe de cirurgiões presentes enfatizaram que, caso as recomendações oficiais que estão em vigor no momento tivessem sido seguidas à risca, o paciente, provavelmente, teria sido considerado como morto.” (3)

Os Espíritos afirmaram a Kardec que o desligamento do corpo físico é um processo altamente especializado e que pode demorar minutos, horas, dias, meses.(4) O fato, obviamente, demonstra que a fronteira entre vida e morte suscita uma rigorosa reflexão dos profissionais de medicina (especialmente, entre especialistas em reanimação e as autoridades que regulamentam a bioética), e os obriga, algumas vezes, a questionar sobre quais critérios objetivos permitem definir o momento exato em que um paciente, que foi submetido a tentativas de reanimação, pode começar a ser considerado um potencial doador de órgãos. A situação representa uma ilustração pujante de questões que persistem, irresolvidas, pelo menos, na área da reanimação médica, quanto às modalidades de intervenção e critérios que permitam determinar o fracasso de um esforço de reanimação.
Em que pesem as controvérsias sobre a morte encefálica, na vigência da qual os órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em enfermos deles necessitados (transplantes), é mister considerar que estar em morte encefálica é permanecer em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém, em tempo algum, recupera-se. Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e, também, apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas os aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes, por tempo indeterminado.  "É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos "morrer" através da ortotanásia e, só então, seus órgãos serem aproveitados - já que órgãos sem irrigação sangüínea não servem para transplantes.
Eutanásia? Evidentemente que caracterizar o fato como tal carece de argumentação científica (...) para condenarem o transplante de órgãos. A eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada."(5) A doação de órgãos é um procedimento médico moderno que não é, especificamente, mencionado nos textos evangélicos. Algumas pessoas se opõem a esse avanço da medicina, simplesmente, porque é "novo" e "diferente", mas esse argumento não serve de base correta para julgar a questão. O Criador deu, ao homem, a capacidade de pensar e a habilidade de inventar e nunca condenou o progresso tecnológico em si. Imaginemos o seguinte: Se a doação do próprio braço direito ou do rim direito salvar a vida do próprio filho, qual o pai amoroso que se recusaria a doá-lo? Portanto, a doação é um ato de bondade e amor que beneficia, também, um receptor desconhecido. O órgão que já não serve mais para a pessoa morta pode permitir a uma jovem mãe cuidar de seus próprios filhos, ou a uma criança chegar à idade adulta. "Se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças às conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada.” (6)
A temática "doação de órgãos e transplantes" é bastante coetâneo no cenário terreno. Sobre o assunto, talvez, porque as informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais não serem abundantes, há o receio do desconhecido que paira no imaginário de muitos homens. Eis o motivo pelo qual alguns espíritas se recusam a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne.
Porém, é interessante introjetarmos a seguinte reflexão: se, hoje, somos doadores, amanhã, poderemos ser (ou nossos familiares e amigos) receptores de órgãos. "Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas, para quem está esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida! Joanna de Angelis, sabendo dessa importância, ressalta "(...) Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude - que é a vida em si mesma, estuante e real “(7)
Em de entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, na qual Francisco Cândido Xavier comenta que o "transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante." Os Espíritos, segundo ele, "não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito". "(8)
Não se pode perder de vista a questão do mérito individual. "Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necropsia?! O bom senso e a razão assinalam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!” (9) E mais, em síntese, a doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Planeta à deriva da Sua Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Criador não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (conquista da ciência humana) é valiosa oportunidade, dentre tantas outras, colocada  à nossa disposição para o exercício do amor.
  FONTES:
(1) In: "Dos transplantes de Órgãos à Clonagem", de Rita Maria P.Santos, Ed. Forense, Rio/RJ, 2000, p. 41
(2) Pode-se ter certeza do diagnóstico de morte encefálica quando dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar, procedimento esse regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.
(3) Disponível http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2944622-EI8146,00.html, acessado em 02-02-10
(4) Kardec, Allan, O Livros dos Espíritos, RJ: Ed FEB/2003, questão n° 155, Cap. XI.
(5) Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998
(6) Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]
(7) Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/BA: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos
(8) Entrevista de Francisco Cândido Xavier, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38,
(9) Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998

02 fevereiro 2010

A POLÍTICA ELEITOREIRA ANTE A POLÍTICA DO EVANGELHO .





Nas proximidades dos debates para eleições políticas, "esquenta" a discussão sobre o tema, se o espírita deve ou não participar da política partidária. Sobre isso, um amigo me confidenciou que diretores de uma federativa têm feito convites, aos espíritas, para o engajamento na militância política. (pasmem!) Por lógica, essa tolice não mereceria nossos comentários, pois já escrevemos muito sobre a questão. Todavia, somos forçados a analisar essas insistentes posturas, totalmente incompatíveis com o projeto Espírita na Terra. A Doutrina Espírita não estimula o engajamento em idéias e políticas partidárias. Não coloca sua tribuna a serviço da propaganda política de candidatos, de partidos ou de movimentos políticos.

Em que pese a frase de um conhecido líder espírita, que proclama que "o problema não é de como o espírita entra na política, mas de como dela sai", o espírita, se estiver vinculado a alguma agremiação partidária, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, tem total liberdade de ação, mas que atue bem longe dos ambientes espíritas, para que tudo que fizer ou disser, dentro da Instituição Espírita, não venha a ter uma conotação de atitude de disfarçada intenção, visando a conquistar os votos de seus confrades.

No Espiritismo, a cautela é recomendável, tanto quanto a discussão; não pode haver preconceitos. Todavia, em se discutindo políticas sociais, é inadmissível trazer, para dentro dos Centros ou Instituições Espíritas, a política partidária, embora, como cidadão, cada espírita tem a liberdade de militar no universo fragmentado das ideologias políticas. Até porque, o Espiritismo não é fragmento da política partidária, e nem, tampouco, envolve-se com grupos políticos sectários, que utilizam meios incoerentes com os fins de poder. 

É muito importante distinguir a política terrena, da política do Cristo. O espírita, quando trabalha pela erradicação da miséria e da exclusão social do ser humano, está adotando a política do Evangelho, ou seja, a sua política, nesse sentido, é a da caridade sem fronteiras para todas as classes. A política do legítimo espírita é a favor do ser humano e de seu crescimento espiritual. Não se submete e não se omite diante do poder político, e nem, tampouco, assume o lugar de oposição ou de situação. Explica, Emmanuel, que "o discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido. O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis, embora". (1)

Quando da criação da SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS, fundada em 1º de abril de 1858 O Estatuto aprovado no  Capítulo I- Objetivo e Formação da Sociedade, no seu art. 1 consigna - "A Sociedade tem por objeto o estudo etc"...e encerra este artigo: "As questões políticas, de controvérsia religiosa e de economia social nela são interditas. É inadmissível a utilização da tribuna espírita, como palanque de propaganda política. O Espiritismo não pactua com superficiais e transitórios interesses terrenos. Por isso, ninguém pode deixar-se escravizar à procura de favores de parlamentares, a ponto de, este, exercer infausta influência nos conceitos espíritas. Outra hipocrisia é um espírita nos palanques, implorando votos, qual mendigo, com sofismas e simulação de modéstia, de pobreza, de humildade, de desprendimento, de tolerância, etc., com finalidade demagógica, exaltando suas próprias "virtudes" e suas "obras" beneficentes. O bom senso nos sussurra que o ideal seria se esses "espíritas" (!?), que mendigam votos, optassem por outro credo, para que lhes seja assegurada a não-contaminação dessa infecciosa politicagem em nossas hostes, até porque, "não temos necessidade absoluta de representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana".(2)

Pela transformação de comportamento individual, lutando pelo ideal do bem, em nome do Evangelho, os espíritas não estão alheios à Política; engana-se quem pensa o contrário. Os espíritas honestos, fieis à família e aos compromissos morais, são, integralmente, cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou obrigação (depende do ponto de vista) de votar; porém, sem vínculos com as querelas e questiúnculas partidárias. 

E, mais ainda, "iniciados na luz da Revelação Nova, os espiritistas cristãos possuem patrimônios de entendimento muito acima da compreensão normal dos homens encarnados." (3) Por isso mesmo, sabem, à saciedade, que "a missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la, por um lugar no banquete dos Estados, é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal." (4)

É oportuníssimo lembrar que, nas pequeninas concessões, vamos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Urge que façamos uma profunda distinção entre Espiritismo e Política. É bem verdade que somos políticos desde que nascemos e vivemos em sociedade, sim, e daí? A Doutrina Espírita não poderá, em tempo algum, ser veículo de especulação das ambições pessoais, nesse campo. Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e sociais, não há como tolerar militância política dentro das hostes espíritas.

Emmanuel nos comprova que não se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos, ao nosso alcance, ajudaremos a melhorar o mundo. Recordemos que Jesus cogitou muito da melhora da criatura em si. Não nos consta que Ele tivesse aberto qualquer processo político-partidário contra o poder constituído à época. Nossa conduta apolítica não deve ser encarada como conformismo. Pelo contrário, essa atitude é sinonímia de paciência operosa, que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade da administração de nossos interesses públicos, e PONTO FINAL.



Jorge Hessen

FONTES:
(1) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 59
(2) VIEIRA, Valdo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10
(3) Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 60
(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60

30 janeiro 2010

EUTANÁSIA E SUICÍDIO, ALGUNS APONTAMENTOS ESPÍRITAS



Notícia recente relata que a Justiça da Inglaterra absolveu Bridget Kathleen Gilderdale, pelo crime de tentativa de homicídio, por ter induzido, ao suicídio, a filha Lynn Gilderdale, portadora de esclerose múltipla, que se comunicava, apenas, através de sinais, e estava, há dezessete anos, aprisionada em uma cama. (1) A corte foi informada de que Lynn já havia tentado se matar antes e registrado um pedido para que não mais fosse ressuscitada. Gilderdale confessou ter auxiliado a filha a suicidar-se depois de ter tentado, sem sucesso, convencê-la a permanecer viva.

A decisão do Tribunal de Lewes, no condado de East Sussex, ganhou as páginas dos principais jornais ingleses porque, dias antes, a mesma justiça britânica condenou Frances Inglis à prisão perpétua por ter induzido a morte, com injeções de heroína, o filho que havia sofrido lesão cerebral e estava sob tratamento intensivo, desde 2007, gerando o debate sobre mudanças nas leis que tratam de suicídio assistido, eutanásia e homicídio. Enquanto o juiz do caso Gilderdale declarou apoio à ré, o juiz Brian Barker do caso de Inglis disse que "não há na lei nenhum conceito sobre assassinato misericordioso - isso continua sendo assassinato".

Sem entrar no mérito jurídico, a manchete nos induz a comentar, doutrinariamente, sobre a eutanásia e o suicídio. A eutanásia, como sabemos, é uma prática que não tem o apoio da Doutrina Espírita. Kardec e outros autores, como Joanna de Ângelis, já se posicionaram sobre esse tema.

Muitos médicos revelam que eutanásia é prática habitual em UTIs do Brasil, e que apressar, sem dor ou sofrimento, a morte de um doente incurável é ato freqüente e, muitas vezes, pouco discutido nas UTIs dos hospitais brasileiros. Apesar de a Associação de Medicina Intensiva Brasileira negar que a eutanásia seja frequente nas UTIs, existem aqueles que admitem razões mais práticas, como, por exemplo, a necessidade de vaga na UTI, para alguém com chances de sobrevivência, ou a pressão, na medicina privada, para diminuir custos.

Nos Conselhos Regionais de Medicina, a tendência é de aceitação da eutanásia, exceto em casos esparsos de desentendimentos entre familiares sobre a hora de cessar os tratamentos. Médicos e especialistas em bioética defendem, na verdade, um tipo específico de eutanásia, a ortotanásia, que seria o ato de retirar equipamentos ou medicações, de que se servem, para prolongar a vida de um doente terminal. Ao retirar esses suportes de vida, mantendo, apenas, a analgesia e tranquilizantes, espera-se que a natureza se encarregue da morte.

A eutanásia vem suscitando controvérsias nos meios jurídicos, lembrando, no entanto, que a nossa Constituição e o Direito Penal Brasileiro são bem claros: constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado e, portanto, é vedada, ao médico, a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento, eticamente, inadequado.

No aspecto moral ou religioso, sobretudo espírita, lembremos que não são poucos os casos de pessoas desenganadas pela medicina, oficial e tradicional, que procuram outras alternativas e logram curas espetaculares, seja através da imposição das mãos, da fé, do magnetismo, da homeopatia ou mesmo em decorrência de mudanças comportamentais. Criaturas outras, com quadros clínicos de doenças incuráveis, uma vez posto o magnetismo em atividade, também conseguem reverter as perspectivas de uma fatalidade, com efetivas melhoras, propiciando horizontes de otimismo para suas almas.

Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia , essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Nós, espíritas, sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem.

Nem sempre conhecemos as reflexões que o Espírito pode fazer nas convulsões da dor física e os tormentos que lhe podem ser poupados graças a um relâmpago de arrependimento. Dessa forma, entendamos e respeitemos a dor, como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhe experimentam a presença constrangedora e educativa, lembrando sempre que a nós compete, tão-somente, o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus, que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte, no momento oportuno.

Sobre o suicídio, o Espiritismo adverte que o suicida, além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas conseqüências de seu gesto impensado, de revolta diante das leis da vida, ainda renascerá com todas as sequelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar, novamente, a mesma situação provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial.

É verdade que, após a desencarnação, não há tribunal nem Juízes para condenar o Espírito, ainda que seja o mais culpado. Fica ele, simplesmente, diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais.

O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado, violentamente, para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, os acicates de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.

André Luiz cita, nas suas obras, que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos, que são unidades de força psicossomáticas que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol, irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente, em atingindo as células nervosas"(2)

A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores.(3)

Recordemos que Jesus nos assegurou que "O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo". (4)

O verdadeiro cristão porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida e com respeito aos desígnios de Deus, buscando não só minorar os sofrimentos do próximo - sem eutanásias/claro! - mas, também, confiar na justiça e na bondade divina, até porque, nos Estatutos de Deus não há espaço para injustiças. Somos responsáveis pela situação em que o mundo se encontra. "Todos os suicidas, sem exceção, lamentam o erro praticado e são acordes na informação de que só a prece alivia os sofrimentos em que se encontram e que lhes pareciam eternos."(5)

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

FONTES:
(1) Lynn sofria desde os 14 anos de encefalomielite miálgica. A doença que afeta o sistema nervoso e lhe privou dos movimentos da cintura para baixo e da capacidade de engolir alimentos.
(2) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003,
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920
(4) MT 24:13
(5) INNOCÊNCIO, J. D. Suicídio. REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 112,