08 outubro 2010

COLETÂNEA DE ARTIGOS SOBRE COBRANÇA DE TAXAS DE CONGRESSOS ESPÍRITAS


INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS”
Allan Kardec escreveu na RE de novembro de 1858, que "jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos — é a discussão séria dos princípios que professamos. " É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca.
Que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar, conforme lembrava Chico Xavier. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários.
Os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” (1)
"A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.” (2) Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos chamados “Congressos”. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a idéia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. Conhecemos Federativa que chega a desembolsar R$. 90.000,00 (noventa mil reais); isso mesmo! 90 mil, para promover evento destinado a 3, 4, 5.000 (cinco mil) pessoas. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"? Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária.
Sobre isso, Divaldo Franco elucida na Revista O Espírita, edição de 1992, o seguinte: “é lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura. Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier. Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” (3)
As Federativas Espíritas devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos participantes de Congressos, exceto em casos extremos (o que não é desejável obviamente), procurando fazer frente aos custos do evento. Para esse mister devem buscar viabilizar, previamente, os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades bem aquinhoados. Realizar promoções, doutrinariamente, recomendáveis para angariar fundos. Os dirigentes devem preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e, aparentemente, fraternistas, que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas.
A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).” (4)

Não reprovamos os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias e cidades satélites de Brasília; e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo, neste artigo, alguma coisa que lembre um tipo de “elitismo às avessas”. Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos!

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net/
jorgehessen@gmail.com

Fontes:
(1) Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979
(2) Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90.
(3) Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde- pag. 16
(4) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

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O ESPIRITISMO PRECISA VOLTAR À SUA ORIGEM - A SIMPLICIDADE

A Doutrina Espírita, como princípio de uma Nova Ordem mundial, no campo dos projetos espirituais, é inexpugnável em qualquer quadrante do Orbe. Porém, lamentavelmente, o movimento Espírita é muito fracionado. Cada qual quer fazer um "espiritismo particular". Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples. Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. O brilho translúcido, nascido na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que observamos, no movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos da doutrina. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém.

O Espiritismo está sendo invadido pelo joio, extremamente prejudicial à realidade que a doutrina encerra, uma vez que vários pretensos seguidores/dirigentes introduzem perigosos modismos à prática Espírita, com inócuas terapias desobsessivas e, como se não bastasse, por mera vaidade, ostentam a insana idéia de superioridade sobre Kardec, alegando que o Codificar está ultrapassado. Será crível que Kardec imaginou esse tipo de movimento Espírita? Ah! Que falta nos fazem os baluartes da simplicidade kardeciana, Bezerra, Eurípedes, Zilda Gama, Frederico Junior, Sayão, Bitencourt Sampaio, Guillon Ribeiro, Manoel Quintão!

Estamos convencidos de que o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da "sopa fraterna", da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação.

O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos "kardequiólogos de plantão", os chamados "intelectuais" de nossas fileiras, sem medo das críticas dos espíritas de "gabinete", dos patrulheiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do movimento Espírita na Pátria do Cruzeiro do Sul.

O movimento Espírita não deveria se organizar à maneira dos movimentos sociais de hoje, sob pena de incentivar hierarquização com recaídas na pretensão vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é atentar, com mais critério, para os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral. Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto.

Um grande exemplo de espírita anti-burocrático foi Chico Xavier, considerado ultrapassado por muitos pretensos cientificistas ressurgidos das cinzas, do Século XIX, que tiveram, em Torterolli, a enfadonha liderança. Atualmente, jactam-se quais pretensos inovadores, porém, não conseguem acrescentar, sequer, uma palavra nova à Codificação. É urgente, pois, que preservemos o Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte. A maior frustração do "Convertido de Damasco" se deu, exatamente, no Aerópago de Atenas, quando os intelectóides, de então, o dispensaram, alegando que haveriam de ouvi-lo em outra oportunidade.

O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos pomposos Congressos que só aguça vaidades), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo "céu aberto". Que tal?

A rigor, a Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à 'elitização' no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)." (1)

Louvemos os congressos, simpósios, seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas nunca nos esqueçamos de que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros acadêmicos e nem se escraviza a grupos fechados. À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios e não nos venham com a retórica vazia de que estamos propondo o "elitismo às avessas"!

Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.

Jorge Hessen
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FONTES:
(1) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.




CONSIDERAÇÕES SOBRE COBRANÇA DE TAXAS EM EVENTOS ESPÍRITAS(*)

No mês de fevereiro de 1994, o Conselho Federativo Estadual da Federação Espírita do Paraná esteve reunido em Curitiba. Na ocasião, dentre os variados assuntos tratados, veio à baila a questão da cobrança de taxa de inscrição em eventos espíritas, prática que vai se tornando comum no Brasil. O Conselho paranaense, então, após catalogar os tipos de promoções doutrinárias mais comuns no Estado, quais sejam, segundo seu entendimento: conferências, seminários e encontros de estudo, considerou que há situações em que determinada promoção pede uma infra-estrutura diferenciada para acolher os participantes, como, por exemplo, estadia, alimentação, apostilas, aluguéis de recintos, o que, por conseguinte, amplia as exigências, inclusive financeiras.
Diante disso, entendeu por bem o colegiado em delinear a seguinte normativa, que deverá funcionar como regra aos órgãos integrantes do sistema federativo (FEP, seus departamentos e as Uniões Regionais Espíritas), e como sugestão de procedimentos aos Centros Espíritas:
1. Patrocinar, apoiar ou promover eventos fundamentalmente espíritas.

2. Os órgãos ou entidades promotoras do evento devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de eventual cobrança de taxa de inscrição dos participantes, procurando fazer frente aos custos do evento, notadamente para com aqueles que digam respeito diretamente com a parte doutrinária, propriamente dita. Para tanto, planejar a sua realização na data e no intervalo de tempo certo, dentro das reais necessidades do Movimento Espírita local, desconsiderando as pretensões de realizações sem objetivos bem definidos de difusão ou intempestivas. Estruturar o programa primando pela simplicidade, minimizando os custos, sem perder de vista a sua qualidade, dando-lhe local (cidade e auditório), carga horária e infra-estrutura adequada, porém, somente de acordo com o essencial. Buscar viabilizar previamente os recursos financeiros através de cotização espontânea de confrades. Em não sendo suficiente, e para não onerar demasiadamente alguns poucos, realizar promoções doutrinariamente recomendáveis para angariar fundos, com a participação, preliminarmente, da comunidade espírita, e depois, em ainda persistindo a necessidade, da comunidade não-espírita.

3. Quando o evento pretendido efetivamente exija uma infra-estrutura, sem a qual esse fique impraticável, e, por conseguinte, as disponibilidades para cobertura do seu custo essencial ainda apresentem-se insuficientes, mesmo após praticado todo disposto no item anterior, somente aí, então, lançar mão da fixação de valor a ser cobrado a título de inscrição, tendo como parâmetro máximo a verba faltante, tão-somente, e dando a possibilidade de opção por parte daqueles que desejem ou não usufruir de determinados itens da infra-estrutura, como refeição e alojamento, por exemplo, e jamais fazer dela um instrumento impeditivo de, quem quer que seja, participar do evento doutrinário, propriamente entendido (a palestra, o seminário, etc.).

4. Trabalhar o entendimento dos confrades anfitriões de que, em nome da fraternidade cristã, devem propiciar a hospedagem domiciliar dos participantes do evento, dentro das suas possibilidades, especialmente dos que exijam atendimento diferenciado, tais como acompanhados com filhos pequenos; aqueles em idade mais avançada e/ou com dificuldades de saúde, sob dietas alimentares ou medicamentosas especiais; as senhoras grávidas; os que se pressupõem passarem por dificuldades financeiras, etc.

5. Em se tratando de órgão federativo, não promover evento doutrinário com renda em favor de uma determinada instituição social, primeiro porque tal tipo de evento não deve se prestar a isto e, segundo, lembrar que todas as demais organizações também fazem parte do Movimento Espírita e a Federação não pode agir discricionariamente, já que são todas merecedoras por igual. Promover, se assim entendido por bem, eventos próprios para tal fim, de iniciativa e responsabilidade da Instituição, desde que doutrinariamente embasados. Considerar que os fins não justificam os meios.

Clareando ainda mais o documento, deve-se entender, para os fins que ele se propõe:

* Patrocínio: Custeio de um evento para fins de divulgação doutrinária.
* Apoio: Auxílio financeiro e/ou de outra natureza para determinado evento doutrinário.
* Promoção: Propaganda direta ou indireta de eventos doutrinários.

Com tais medidas, sem a pretensão de se ter esgotado o assunto, a Federação Espírita do Paraná espera que a divulgação doutrinária se dê cada vez em maior profusão, sempre em lídimas bases, das quais, as ações administrativas também fazem parte.


OS FINS NÃO JUSTIFICAM OS MEIOS


Existe o conceito equivocado de que os fins justificam os meios, principalmente no que diz respeito à captação de recursos financeiros para manterem-se as várias atividades das Instituições Espíritas.

Com base nesse ponto de vista, centros, grupos ou órgãos espíritas têm lançado mão dos mais variados expedientes para conseguir uma receita financeira que atenda suas necessidades.

Enquanto muitos procedem com bom senso e equilíbrio, estruturando tarefas de acordo com as possibilidades do Centro Espírita, sabendo que os vizinhos e o público em geral não têm compromisso assumido com as nossas tarefas de benemerência, razão pela qual entendem que a manutenção destas diz respeito à própria Instituição, outros, no entanto, extrapolam todo e qualquer limite de senso crítico, contrariando até preceitos legais, como o caso de rifas, bingos, tômbolas e similares; ou, vencido algum empecilho legal, resta o desaconselhamento moral dessas práticas.

Também há aqueles que acabam transformando os recintos das Instituições num verdadeiro mercado, com ininterrupto apelo de comercialização de variados produtos.

Outros, ainda, mais "criativos", não titubeiam em apelar ao público em geral, promovendo, não a sã alegria, mas: Semana da Cerveja, Carnaval da Fraternidade, etc. Tudo em nome do Espiritismo e em "prol" do Movimento Espírita.

Torna-se imperioso insistir no mesmo ponto: a finalidade do Movimento Espírita. Movimento Espírita é o resultado do labor dos homens e Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos dirigida aos homens. Logo, o Movimento Espírita deve estar para a divulgação da Doutrina Espírita, como a Codificação está para Allan Kardec. Ou seja, a finalidade precípua é difundir a mensagem espírita, laborando com base na Codificação e segundo os seus princípios.

Tanto é assim que, em nossas organizações, estatutariamente está disciplinado que o objetivo da Instituição é "estudo e prática da Doutrina Espírita, organizada por Allan Kardec."

Sem estudo não haverá prática condizente. Para que o adepto do Espiritismo se integre realmente no espírito da Doutrina, exige-se-lhe aprofundamento intelectual e comportamento moral e social adequados.

Urge estudar a Codificação Espírita, comentá-la, difundi-la e vivenciá-la.

Assim, é necessário critério, zelo e vigilância, para não se proceder equivocadamente.

Djalma Montenegro de Farias, Espírito, bem sintetiza a questão: "O dinheiro que tanto faz falta para a materialização da Caridade, em nosso meio, representa algo, mas não é tudo, porque, se verdadeiramente fosse essencial, as Instituições que guardam importâncias vultosas nas Casas Bancárias dos principais países do mundo, estariam realizando prática abençoada do Evangelho pregado pelo Itinerante Galileu.

Cuidemos zelosamente da propaganda do Espiritismo, vivendo os postulados da fé, honrando o Templo Espírita e iluminando as almas que o buscam esfaimadas de pão espiritual, para não incidirmos no velho erro de que os objetivos nobres de socorro justificam os meios pouco elevados que têm sido utilizados".

Por isso, honrar o Espiritismo, consoante o mesmo autor espiritual "é preservá-lo contra os programas marginais, atraentes e aparentemente fraternistas, mas que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas".

(* )ANEXOS 02 E 03 CONTIDO NAS DIRETRIZES DOUTRINÁRIAS DA FEDERAÇÃO ESPIRITA DO PARANÁ, Publicado na íntegra no item 48/2009 do site http://jorgehessen.net

Jorge Hessen
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HOMENAGENS AO CENTENÁRIO CHICO XAVIER - UMA NECESSÁRIA REFLEXÃO



Chico deve estar tomado pela indignação, no além-túmulo, em face das festividades que estão sendo planejadas para homenageá-lo. Há programação para uma monumental celebração pelo seu centenário, em 2010. Em Brasília, será cobrado, por "pessoa", R$ 120,00 (cento e vinte reais), no mínimo, para a realização de um Congresso. Em Pedro Leopoldo, pretendem erigir um hiper complexo, com grandes pavilhões, construir museus, departamentos diversos, fontes luminosas, cristalinas passarelas de acrílico com a mais alta tecnologia em luzes, laser e neon. Tudo isso, com dinheiro da venda de livros, doações e dinheiro público, cobrando-se ingresso das pessoas nos eventos espíritas, infelizmente!... Em Uberaba, além dos monumentos, dos bustos, dos museus, nas praças e avenidas haverá shows, congressos, festivais, lançamentos... festa.
Chico sempre foi avesso a essas manifestações, e sempre esteve longe dessa idolatria. Dos mais de quatrocentos livros psicografados, todos foram doados, sem quaisquer ônus, para que as editoras e fundações pudessem disseminar a palavra dos mensageiros. Porém, vender livros, atualmente, é um ramo altamente lucrativo, que, infelizmente, tem financiado construções faraônicas, tem custeado viagens e caravanas de doutrinação, e visitas ao exterior, sempre com hospedagens nos mais luxuosos hotéis, é óbvio!!!.
Em Belo Horizonte, estão construindo, ao lado de uma favela, a "Casa de Chico", uma gigantesca e moderna edificação, um verdadeiro palácio arquitetônico, no que serão gastos milhões e milhões de reais, arrecadados da venda exorbitante das obras doadas, um golpe mortal à doutrina do Consolador!
Para homenagear Chico Xavier, deveríamos nos empenhar em minorar o sofrimento dos desvalidos. Ao invés de gastarmos essa dinheirama toda com tamanha soberba, deveríamos aplicá-la em hospitais que estivessem necessitando de mais recursos, em asilos, orfanatos, escolas profissionalizantes, e/ou em inúmeras formas de se exercer a caridade.
A cobrança de taxas para ingresso nos eventos espíritas, sejam eles realizados em qualquer lugar do mundo, é algo absolutamente trágico. Os eventos modestos e produtivos sempre são subestimados e substituídos por congressos, simpósios ou conferências retumbantes, pelo patético prazer de ostentar. Na falta de argumentos que justifiquem o alto preço fixado, são exaltados os títulos e "status" dos ilustres convidados, numa inaceitável elitização da mensagem espírita, que deve ser, por excelência, simples.
Não desconhecemos que todas e quaisquer promoções têm seu custo, sobretudo financeiro. Por isso, os organizadores desses eventos devem, antecipadamente, envidar todos os esforços, no sentido de estudar a viabilidade de eles serem realizados, sem que haja a necessidade de se cobrar taxas para o ingresso dos interessados. Ora, para suportar despesas, é necessário reduzir custos, obviamente, e, em face disso, exige-se um planejamento minucioso, não somente dos gastos, mas quanto ao programa a ser apresentado, à data que dará início ao evento e à sua periodização, com vistas às legítimas necessidades do Movimento Espírita brasileiro, lembrando que o evento deve primar pela simplicidade, sem desconsiderar a sua qualidade, adequando sua logística de acordo com o essencial, e nada mais que isso.
Para esse desiderato, importa captar os recursos com boa antecedência, sobretudo, através do rateio espontâneo entre os companheiros interessados na empreitada. Nada impede que realizem promoções, doutrinariamente corretas, para angariar fundos financeiros, com a participação das instituições espíritas bem dirigidas. Contudo, em nome da difusão doutrinária, algumas instituições tangem nos perigosos jogos da vaidade, realizando congressos, cujos elencos reforçam o palco do estrelismo.
Por oportuno, destacamos aqui o editorial do Jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, de Junho de 2002, que alerta: "Impensável (...) se é que há, o caso daquela Instituição que queira promover eventos doutrinários pagos, visando fazer caixa para sustento de suas atividades gerais. Essa também estará muito distante dos parâmetros efetivamente espíritas."(1) Nesses Congressos pagos, objetivando a divulgação do Espiritismo, seus coordenadores sempre justificam tal cobrança, alegando que têm necessidade de recursos materiais e financeiros, sem os quais não atingiriam seus propósitos , aliás, objetivos muito ao gosto da fina flor social.
É claro que não podemos nos esquecer de que, se temos liberdade para pensar e agir, desta ou daquela maneira, há mister de nos mantermos fiéis aos ensinos dos Espíritos. A propósito, recorremos a André Luiz, em "Conduta Espírita", que nos recomenda "não angariar donativos em nossas instituições, para não sermos tomados à conta de PAGAMENTOS POR BENEFÍCIOS".(2) (grifamos) É óbvio que os eventos espíritas têm despesas a serem pagas, mas podemos promover a sua materialização pelas inúmeras alternativas de colaboração espontânea dos profitentes na sua execução. Somos a favor de quem possa contribuir para cobrir os custos com alimentação, material gráfico, hospedagem e outras despesas necessárias ao evento. Que fique bem claro o seguinte: quem não tiver condições financeiras para colaborar, que possa, igualmente, participar do evento.
O que não podemos, e nem devemos fazer, é cobrar por aquilo que oferecemos em nome do Espiritismo. Por isso, recorremos, mais uma vez, a André Luiz, em "Conduta Espírita", onde ele diz: "QUEM SABE SUPORTAR AS PRÓPRIAS RESPONSABILIDADES, DÁ TESTEMUNHO DE FÉ"! (grifamos)
Recordamos um editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93: "A FÉ COMEÇA NOS LÁBIOS, OBRIGATORIAMENTE PASSA PELO BOLSO, PARA SE INSTALAR NO CORAÇÃO". (3)
Será que os consagrados líderes e divulgadores espíritas, que percorrem o País, sabem desses festivais de Congressos pagos? Se têm consciência, e nada fazem, são omissos e a omissão é falta grave ante as Leis de Deus. Sendo verdadeira a última hipótese, transparece o resultado natural das confusas lideranças doutrinárias, salvo raras exceções, que a despeito de terem um bom patrimônio teórico, falta-lhes o que sobrava em Chico Xavier: modéstia.
É por essas e outras que muitos eventos "grandiosos" remetem médiuns, escritores e oradores, em número expressivo, ligados à tarefa de divulgação, a se perderem, "sutilmente", no exibicionismo, no estrelismo e na tosca vaidade, quando deveriam experimentar a humildade e o esquecimento de si mesmos , para ensinarem, com segurança, a todos os que neles buscam lições.
Chico deve estar tomado pela indignação, no além-túmulo, e com razão.

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
FONTES:
(1) Editorial do Jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, publicado em Junho de 2002
(2) Vieira ,Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2001
(3) Editorial da revista "O Espírita" de Brasília edição de jan/mar-93

06 outubro 2010

A JUSTIÇA DE DEUS ANTE OS MECANISMOS DA REENCARNAÇÃO



Liam Derbyshire, um menino britânico de 11 anos, tem uma história de doenças instigantes. Superou um câncer na infância e tem um sistema gástrico subdesenvolvido, precisa usar permanentemente um tubo de traqueostomia. Desde que nasceu, sofre de hipoventilação central congênita,(1) conhecida popularmente como maldição de Ondina, que pode levar à morte durante o sono, pois a sua respiração pára enquanto dorme. O menino é obrigado a usar um respirador artificial sempre que dorme e, ainda, possui um aparelho para auxiliar na respiração movido a pilha, em caso de dormir no carro ou no avião.
Na concepção de Kim, sua mãe, a cada dia de sua vida é um acréscimo de misericórdia de Deus. Os médicos se espantam com a sua condição física ,que tem desafiado todos os prognósticos. O Dr. Gary Connett, que cuida de Liam no Hospital Geral da cidade de Southampton (sul do país), afirmou nunca ter encontrado relato de crianças que tiveram tantas patologias juntas e sobreviveram.
Narramos o “caso Derbyshire” para alguns amigos materialistas (ateus) e todos reagiram com frases do tipo:
“Se Deus realmente existe, Ele odeia Derbyshire e quer que ele sofra.”
“Se Deus tudo pode, tudo vê, por que não faz nada pra ajudar Liam?”
“Deus gosta de ver o sofrimento de algumas pessoas.” “Só os ignorantes acreditam na justiça de Deus.”
“O "Deus" dos espíritas não é onipresente, onisciente e onipotente? Então por que permitiu que esse menino nascesse com uma doença que causaria tanto sofrimento na vida dele e da família?”
Teve até o que nos desafiou dizendo:
“Não venha com esse blá, blá, blá de “reencarnação”!
Outro vociferou quase em uivos:
“Por que alguns merecem sofrer e outros não? Quais os critérios que Deus usa para escolher quem deve sofrer menos? E ainda preciso engolir que tenho que agradecer minha vida a um Deus imaginário tão sórdido e cruel?”
Pedimos auxílio aos nossos Amigos de “lá” nesse instante e nos esforçamos para esclarecer serenamente ao grupo sobre a lógica da Lei de Causa e Efeito. Afirmamos que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória, ou seja "cada um é punido naquilo em que errou."(2) Os espíritas sabem que "o estado feliz ou desgraçado de um Espírito é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. A completa felicidade prende-se à perfeição. Toda imperfeição é causa de sofrimento e toda virtude é fonte de prazer."(3)
Perante a Lei de Causa e Efeito não existem "vítimas". Disse-lhes!... Só respondemos pelos nossos atos e jamais pelos atos alheios. A ninguém deve o homem culpar em caso de sofrimento, a não ser a ele mesmo, pela sua incúria, seus excessos ou a sua ambição. "A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles deu origem , quer provocando-os pelo exemplo , quer não os impedindo quando poderia fazê-los."(4)
Na reencarnação, o resgate é possível na proporção da dívida contraída. "Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anteriores existências."(5) Cada caso é um caso e as almas mais primárias e atrasadas serão, via de regra, mais atingidas pelos sofrimentos materiais, enquanto os Espíritos de maior sensibilidade e cultura serão mais vulneráveis aos sofrimentos morais.
Dessa maneira e detalhando mais sem digressões ante os códigos de Talião, infere-se o seguinte: os que cometeram aborto renascerão com problemas de esterilidade e doenças genitais; os desregrados sexuais reencarnarão com impotência sexual ou frigidez e decepções na vida afetiva; os ociosos e indolentes amargarão na próxima vida física o desemprego, a má remuneração profissional, a “invalidez” física; os caluniadores e maledicentes (re)nascerão carregando doenças das cordas vocais; os que usaram a inteligência para o mal terão novo corpo com uma hidrocefalia, com oligofrenias; os suicidas carregarão noutra existência doenças congênitas graves e desafiadoras para a ciência médica, poderão sofrer acidentes mortais na infância e adolescência. E, assim por diante!
O caso do menino Derbyshire, invariavelmente, também nos induz à reflexão sobre a função do perispírito (corpo espiritual, segundo Paulo de Tarso), a Lei da Causa e Efeito, a reencarnação, o suicídio, entre outros temas sugestivos que a Doutrina Espírita explora e explica tão preciosamente.
O nosso “blá blá blá” precisou avançar mais. Afirmamos que a partir da fecundação do óvulo, sob o comando da lei natural, o espírito reencarnante imprime, através da ação do perispírito, a integração da sua própria herança espiritual somado ao legado genético dos genitores. A formação do respectivo DNA individualizado – composto de genes dominantes e recessivos - conduzido pelas sagradas Leis da Hereditariedade, provindas do Criador, configurará o novo corpo físico daquele particular espírito imortal, que renascerá conforme o programa, previamente, estabelecido e subordinado, inicialmente a fatores como família, raça, etnia, nacionalidade, predisposições para determinados estados de saúde ou doença - física ou espiritual - e inúmeras outras especificidades individuais.
O compromisso ou "conta do destino criada por nós mesmos" está impresso no corpo perispiritual. Esses registros fluem para o corpo físico e culminam por determinar o equilíbrio ou o desequilíbrio dos campos vitais. "Só o reconhecimento - que um dia chegará -da primazia do espírito sobre a matéria, associada essa primazia ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração da herança espiritual à hereditariedade genética, comandada pelo espírito, via perispírito, regida pela Lei de Causa e Efeito, é que permitirá que se identifiquem, no espírito imortal, as causas concretas dos desequilíbrios que eclodem no corpo físico (um mata-borrão e fio-terra que ele representa), sob o nome de doenças, incluindo-se os distúrbios da psique humana."(6)
Quando forem descobertas tecnologias muito mais sofisticadas, que nos possibilitem um exame aprofundado da estrutura funcional do perispírito, a medicina transformar-se-á radicalmente. Nos hospitais, possuindo instrumentos de altíssima resolução, muito além daqueles que existem hoje, os diagnósticos serão, inequivocamente, precisos, o que possibilitará maiores sucessos sobre as doenças. Os profissionais da saúde trabalharão muito mais de forma preventiva, priorizando curar a causa (o doente) e não remediar o efeito (a doença).
Após nossa exposição , os materialistas ficaram mudos e permaneceram calados até o término da explicação espírita que lhes ofertamos fraternalmente.

Jorge Hessen
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

Referências e Fontes:

(1) A Síndrome de Ondine (Hipoventilação alveolar primária) é uma doença na qual a principal causa é uma mutação ou várias do gene PHOX2B, de herança autossômica dominante. Nessa doença os mecanismos da respiração involuntária não funcionam adequadamente. Ao dormir, os receptores químicos que recebem sinais (baixa de oxigênio ou aumento de dióxido de carbono no sangue) não chegam a transmitir os sinais nervosos necessários para que se dê a respiração.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 973
(3) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap VII
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 645
(5) Pereira , Yvonne. Dramas da Obsessão, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1964
(6) Artigo de Raphael Rios, intitulado Lei de Causa e Efeito determina os Efeitos da Hereditariedade usando os Registros do Perispírito, publicado na Revista Internacional de Espiritismo – dez/2000

01 outubro 2010

NO MUNDO DO SONO, ALGUNS COMENTÁRIOS ESPÍRITAS





Em pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia com a Sociedade Americana de Câncer, envolvendo mais de 1 milhão de adultos, “descobriu-se uma taxa de mortalidade consideravelmente mais alta entre aqueles que dormiram menos de quatro horas ou mais de oito horas por noite.”(1)
A ciência atual tem demonstrado que, durante o sono, o corpo físico não fica em “descanso”. O cérebro e o sistema imunológico, por exemplo, seguem em plena atividade nesse período. Enquanto dormimos há intenso movimento corporal que serve para preservar a plasticidade do cérebro. Os neurônios comunicam-se uns com os outros, fortalecem conexões específicas, enfraquecem outras e apagam o que encaram como inútil.
A atividade espiritual, durante o sono físico, pode fatigar o corpo. Pois, segundo os Benfeitores Espirituais,  o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo. Durante o sono o corpo não descansa e a  alma também não repousa. O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, apenas afrouxam os  laços que nos prendem ao corpo e, não precisando este então da presença do Espírito, a alma se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
Dormir, seja por alguns minutos, parece ser um fator importante para reter conhecimentos adquiridos. “Nossos sistemas de memória ainda estão ativos enquanto dormimos.”(2) E, mais ainda,  “o sono favorece nosso discernimento e nossa intuição.”(3) Há um custo para todo o aprendizado que conseguimos na vigília, porém, “o sono é o preço que pagamos por um instrumento de aprendizado tão fantástico e oneroso como é o cérebro.”(4)
Durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se apagam da nossa memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las.  Estas idéias provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, liberto, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.
Quando dormimos, existem inúmeros benfeitores espirituais que trabalham e operam socorro cirúrgico ou socorro de outra natureza em nosso favor, seja no mundo orgânico, ou seja no nosso corpo perispiritual. Na  emancipação da Alma (durante o sono), quando assistida pela espiritualidade superior, as melhoras adquiridas pelo tecido perispirítico são apressadamente assimiladas pelas  células  do corpo físico. Muitos  médicos sabem que o sono é um dos instrumentos mais eficiente da recuperação de saúde do paciente.
É bem verdade que a ciência, analisando tão somente os aspectos fisiológicos do adormecer, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. Todavia, desconsiderando a emancipação da alma, desconhecendo as propriedades e funções do perispírito, fica difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso da cidadela física.
Diz-se que o sono é a porta que Deus nos abriu, para que possamos ir ter com nossos amigos do além,  é  o recreio depois do trabalho, enquanto esperamos a libertação final, que nos restituirá ao meio que nos é próprio. Destarte, não podemos ignorar que a nossa atividade espiritual estende-se além do sono físico. Contudo, a invigilância e a irresponsabilidade, à frente de nossos compromissos, geram muitos prejuízos morais, toda vez que nos confiamos ao repouso descompromissados com o bem.
São poucos, relativamente, os que sabem dormir inteligentemente.  Muitos  são mantidos durante o sono em obsessões inferiores,  perseguições permanentes, explorações psíquicas de baixa classe,vampirismo destruidor e tentações diversas. Ainda não se tem bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico; contudo, esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual, diante de semelhante momento de refazimento físico, por certo efetuariam as conquistas mais brilhantes, nos domínios psíquicos, ainda mesmo quando ligados ao arcabouço denso da carne.
Infelizmente, porém, a maioria se vale, inconscientemente, do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas (lascívicas). Relaxam-se as defesas próprias, e certos impulsos (sexuais), longamente sopitados durante a vigília (acordado), extravasam em todas as direções, por falta de educação espiritual, verdadeiramente sentida e vivida. Pois que muitos de nós durante o sono  permanecemos detidos nos círculos de baixa vibração.
Esses planos muitas vezes são perpetrados dolorosos dramas que se desenrolam nos campos fisiológicos. Grandes crimes têm nos planos espirituais (durante o sono) as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam por nós, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas terrenas. Quando nos revelamos dispostos a servir ao bem de todos, em favor do domínio da luz, costumamos ser imediatamente visitado, nas horas de repouso, por entidades renitentes na prática do mal, interessadas na extensão do domínio das sombras, que podem desintegrar as convicções e propósitos nascentes com insinuações menos dignas, quando não estamos convenientemente apoiado no desejo robusto de progredir, redimir-nos e marchar para a frente e para o alto.
Do exposto,  convidamos a quem nossas palavras possa chegar, a tarefa preparatória do descanso noturno, através dos afazeres diários retamente aproveitados, a fim de que a noite constitua uma província de reencontro das nossas almas, em valiosa conjugação de energias, não somente a benefício de nossa experiência individual, mas também a favor dos nossos irmãos que sofrem.


Referências:
(1)           Estudo realizado em 2000,  pela equipe do psiquiatra Robert Stickgold, diretor do Centro do Sono e da Cognição da Escola de Medicina de Harvard
(2)           Cf. John Rudoy,neurocientista norte-americano da Northwestern University.
(3)           estudo feito pelo neuroendocrinologista Jan Born e seus colegas da Universidade de Lubeck, em 2004
(4)           Cf. Giulio Tononi e Ciara Cirello, da Universidade de Wisconsin (Estados Unidos)

28 setembro 2010

RIQUEZA E POBREZA SÃO EXPERIÊNCIAS PARA O PROGRESSO ESPIRITUAL




Civilizações antigas adoravam o deus Mamon (estátua construída de ouro e prata), representando a riqueza, o luxo, a ganância e os gozos excessivos. Por isso, nos tempo apostólicos, a analogia proposta por Jesus: "Ninguém pode servir a Deus e a Mamon pois, ou odiando a um, amará o outro, ou aderindo a um, desprezará o outro."(1)
Jesus não condenou a riqueza, pois ela não é contra as Leis Naturais. O condenável é o seu abuso ou mau uso, quando é utilizada para a satisfação de gozos prejudiciais, pelas tristes consequências que acarreta. Embora  o Mestre tenha citado que "é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, do que um rico entrar no reino dos Céus."(2) Muitos acreditam que só alcançarão a paz se conseguirem fortuna e segurança. Entregam-se ao materialismo, à preguiça e ao comodismo. Mas em verdade, o Mestre não quis dizer que todos os ricos são depravados.
Grandes fortunas trazem grandes encargos. Se sob certos aspectos dão comodidade e conforto, de outro trazem muitas obrigações que, se não cumpridas, poderão perder a nossa alma, criando enormes dívidas. "se a riqueza tivesse de ser um obstáculo absoluto salvação dos que a possuem, como poderia inferir de certas expressões de Jesus, interpretadas segundo a letra não segundo o espírito?"(3)
O Evangelho consigna sobre o Rico e o pobre Lázaro que personificam a Humanidade, sempre rebelde aos ditames da Luz e da Verdade. O Rico gozou no mundo e sofreu no Espaço; o Lázaro sofreu no mundo e gozou no Espaço. Nesse caso, o rico pode ser a personificação daqueles que são escravos do reino do mundo, que não vêem mais do que o mundo, esse "paraíso perdido" entre os charcos da degradação moral, que avilta as almas e as atira aos infernos escancarados dos vícios.
Por outro lado, Lázaro representa os excluídos da sociedade terrena, aqueles que, quando muito, podem chegar ao portão dos grandes templos, aqueles que não podem atravessar os umbrais dos palácios dourados, aqueles que essa sociedade corrompida do mundo despreza, amaldiçoa, cobre de labéus, crava de setas venenosas que lhes chagam o corpo todo.
A riqueza é uma prova muito arriscada para o espírito, mais perigosa do que a prova da pobreza. São palavras do próprio Kardec: “a pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.”(4) Todavia, Jesus nos ensinou. “Amai-vos uns aos outros”(5)  . Estas palavras encerram o bom emprego da riqueza, porque aquele que ama o seu próximo tem traçada  toda a linha do seu bem proceder – A caridade.
Portanto, riqueza e pobreza nada mais são que provas, pelas quais o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto, que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. Aliás, essas provas são, com freqüência, escolhidas pelos próprios Espíritos, que, no entanto, nelas geralmente sucumbem.
Espíritos realmente evoluídos, tanto quanto os que compreendem perfeitamente o significado a Lei de Causa e Efeitos, podem solicitar a prova da pobreza como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de certas tarefas que a riqueza certamente prejudicaria. Algumas vezes, também, o mau uso da fortuna em precedente existência leva o Espírito a pedir a condição oposta, com o que espera reparar abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações.

Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria outorgado aos homens. Mas, longe disso, a riqueza, se não constitui elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.
A igualdade das riquezas é impossível no mundo em que vivemos,  porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres. Os homens não são criaturas iguais. Há entre eles os que são mais previdentes, mais inteligentes e mais ativos. Logo, se a riqueza fosse repartida com igualdade entre todos, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito.
Se fôssemos consciente da necessidade da prática do bem, não haveria situações tão extremadas de todos os tipos de aberrações, que se cometem em nome da abastânça. Não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando um pedacinho de pão.
A mensagem do Cristo é um elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou no desprendimento de Vicente de Paulo, na majestosa solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Francisco de Assis, na suprema dedicação de Teresa de Calcutá e no amor de Chico Xavier. É urgente aprendermos a fazer o bem incondicional, e nesse comportamento podermos soltar o sereno grito como o fez Paulo: "Já não sou quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim.”(6)

Jorge Hessen

(1)       Mateus 6:24
(2)       Mateus 19:24
(3)       Kardec, Allan,.  O Evangelho Segundo Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB,1998, Cap.1
(4)       Idem
(5)       Jo.15:9
(6)       Gl. 2,20