04 janeiro 2011

DESCOBERTA NOVA FORMA DE VIDA NA TERRA

A Sociedade Americana Para Progresso da Ciência (AAAS-“sigla em inglês”) divulgou recentemente que uma equipe liderada por Felisa Wolfe-Simon, do U.S. Geological Survey, ex-cientista do grupo de pesquisas de Anbar, na Escola da Exploração da Terra e do Espaço da Universidade Estadual do Arizona, atualmente pesquisadora do Instituto de Astrobiologia da NASA, descobriu uma bactéria que utiliza arsênio como substituto ao fósforo em sua composição.
A nova bactéria, batizada por Simon como GFAJ-1, foi encontrada em um lago na Califórnia, chamado Monolake, altamente contaminado por arsênico. Poucos organismos vivos sobrevivem neste ambiente, como algas e algumas bactérias, chamadas de extremófilas por viverem em um espaço muito tóxico.  A diferença do organismo descoberto para estes seres vivos seria o uso do arsênio em sua constituição orgânica, enquanto os extremófilos, assim como os demais seres vivos, usam o fósforo.
A bactéria substitui o fósforo, elemento essencial para a geração de energia, pelo arsênico (1), um elemento extremamente tóxico aos organismos vivos.  O fósforo não é um elemento qualquer. Ele faz parte da molécula de DNA, que contém as características de cada ser vivo, e é o responsável pela geração de energia no metabolismo celular.
Em verdade, o fósforo é um dos elementos básicos à vida, encontrado geralmente na forma inorgânica na natureza, como fosfato. Já o arsênio é conhecido como um elemento químico tóxico ao corpo. Todos os seres vivos são compostos com base em uma combinação de seis elementos químicos: carbono (C), hidrogênio (H), nitrogênio (N), oxigênio (O), fósforo (P) e enxofre (S). São encontrados em três componentes básicos das células: DNA (ácido desoxirribonucleico, que contém as informações genéticas dos indivíduos vivos), proteínas e gorduras.
A descoberta, como sói ocorrer nas pesquisas mais ousadas e de alta complexidade, está envolta de ceticismos e de muitas celeumas na comunidade científica. A descoberta expande nossos conceitos sobre o que é vida. Abre campo para futuras pesquisas, considerando releituras teóricas sobre as concepções de vida, não moldadas nas formas de vidas conhecidas pelo homem. Sim! O assunto nos remete para modelos diferentes de pesquisas sobre a forma de vida em outros orbes e dos mistérios sobre a origem da vida aqui no planeta.
Para os pesquisadores, a descrição da GFAJ-1 é como se fosse um aliens vivendo entre nós, porque tem um metabolismo totalmente diferente de todos os seres vivos que conhecemos até hoje. A descoberta lança um novo foco nas pesquisas espaciais, na qual elementos químicos e ambientes previamente inabitáveis ganham destaque.
A vida na Terra e no Universo é um magnífico mistério, Dádiva do Criador, que não podemos e nem vamos compreender de maneira tão simplista.  Atualmente, não é difícil concebermos que Deus criou Sua Casa (Universo), em cuja morada estão os incontáveis planetas, estrelas, galáxias. A questão fundamental é: Nós estamos sozinhos no Universo?
A descoberta do microorganismo confirma os preceitos espíritas por várias razões. “O  homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro e [único]em inteligência, em bondade e em perfeição.”(2) Obviamente as constituições materiais dos outros orbes não se assemelham com a nossa  e “não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos as organizações dos seres que os habitam são diferentes para cada mundo, assim como acontece na Terra em que os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.” (3)
O fato é que estamos na Terra, um dos nove planetas que giram em torno do Sol. Embora pese mais de 6 sextilhões de toneladas e apresente uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, nem por isso é o maior destes planetas que giram ao redor do Astro Rei. O planeta Júpiter, por exemplo, é 1.300 vezes maior do que a Terra. O Sistema Solar possui 9 planetas com 57 satélites. No total, são 68 corpos celestes. E, para que tenhamos noção de sua insignificância, diante do restante do Universo, "nosso Sistema [planetário] compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea" (4), ou seja, um aglomerado de, aproximadamente, 100 bilhões de estrelas, com, pelo menos, cem milhões de planetas, que, segundo Carl Seagan, no mínimo, 100 mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. (5)
Quando há 153 anos o Codificador, na compilação dos preceitos espíritas afirmava cabalmente a existência de vida em outros planetas, os membros acadêmicos da ciência positiva não deram crédito. As provas materiais, da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares, estão em todo lugar: Astrônomos têm descoberto sinais de matéria orgânica em outros planetas; meteoros caem, aos montes, com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo, talvez, o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe a descoberta da nova bactéria, na Terra, mostra-nos que a vida existe, também, nos locais mais inóspitos e surpreendentes, sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas, presentes em ambientes extremos, como gêiseres, mares polares frios e lagos altamente salinos.
Até o momento, o homem dizia que o arsênio era totalmente inconciliável com a nutrição da vida. Mais do que abrir a perspectiva concreta de vida em outros planetas, em tese considerados inóspitos, a descoberta modifica o conceito do que é a vida. “E ainda coloca a ciência diante de uma situação que exige humildade, pois basta esta exceção para provar que a vida é ainda para o ser humano um maravilhoso mistério. Celebremos!”  (6)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Fontes de Referência:

(1)       Elemento químico venenoso para a maioria dos seres vivos. Quando um humano é contaminado por arsênico suas células sofrem morte por asfixia e o tecido, conseguintemente, morre por necrose.
(2)       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB , 2001, questão 55
(3)       Idem questões  56 e 57
(4)       As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões  
(5)       Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis.
(6)       Disponível no portal “Somos espiritos” <http://somosespiritos.blogspot.com/2010_12_01_archive.html.>acessado

27 dezembro 2010

BREVES REFLEXÕES SOBRE O CASAMENTO ENTRE ESPIRITAS

Recentemente ocorreu uma tragédia numa festa de “casamento” no estado de Pernambuco. O noivo se matou após assassinar a noiva e o padrinho. Conforme informou o programa “Fantástico” da Rede Globo(1), o evento era uma cerimônia “espírita”.
Cerimônia espírita?... Que absurdo!
Infelizmente têm surgido confrades em torno dos quais se formam grupos e “indivíduos portadores de mediunidade, nobre ou não, que não poucas vezes tornam-se líderes esquisitos e esdrúxulos, com comportamentos alienados, procurando apresentar propostas de exaltação do seu ego e gerando à sua volta uma mística que infelizmente vem desaguando em determinadas posturas incompatíveis com o Espiritismo, como o casamento espírita, por exemplo.” (2) (grifei)
Observam-se algumas vezes, entre alguns dirigentes de casas espíritas, posturas tradicionalmente religiosas (igrejeira) na maneira de entender e de se relacionar com a Doutrina Espírita. Esse entendimento dá margem a gravíssimos transtornos ao Movimento Espírita, como a ritualização de certas práticas, abuso de poder nas hierarquias e outras lamentáveis práticas. Como se não bastassem tantas asneiras, há dirigentes espíritas celebrando cerimônia de “casamentos”, assumindo uma postura de “oficiantes”, na condição de “dirigente-mor” de algumas instituições. Tais dirigentes “oficiantes” (pasmem!) estão com agendas lotadas, inclusive para “celebrarem batizados”. Ficamos estupidificados diante de tais anomalias doutrinárias.
No casamento entre espíritas só deve haver cerimônia civil; JAMAIS cerimônia religiosa. E nenhum presidente (“dirigente-mor”) de centro espírita ou sociedade de orientação espírita deveria “oficiar” casamentos, pois o Espiritismo não instituiu sacramentos, rituais ou dogmas.
Se, por força das circunstâncias, o cônjuge não-espírita possuir sincero fervor pela religião que professa, e tiver tendência a ficar traumatizado sem a cerimônia tradicional, o espírita poderá aceitar (sem traumas) a cerimônia religiosa do casamento, segundo o costume da religião do seu pretendente. Esta condescendência, todavia, tem suas linhas demarcatórias. Só é aceitável se houver uma profunda necessidade espiritual do(a) noiva(o), porém não se justifica quando a pessoa for apenas uma religiosa de fachada, por convenção social, ou quando a exigência é feita pela família dela. Todavia, se houver por bem ceder, que o espírita não se submeta aos sacramentos individuais como no caso do batismo, da confissão, da comunhão etc., etc., etc. Nesse aspecto, caberá ao cônjuge não espírita providenciar a dispensa dos sacramentos individuais para o espírita.
Reflitamos o seguinte: quem é que dá a um homem o direito de estabelecer esse vínculo sagrado entre duas pessoas? Casamento não depende de nada exterior, de nenhuma ação alheia aos noivos. As duas criaturas se casam e ninguém tem o poder de estabelecer vínculos entre elas. Nem o Juiz de Paz promove o casamento. Essa Autoridade apenas registra nos anais da sociedade, para os efeitos legais, o casamento que é diante dela declarado. Portanto, “o casal espírita apresenta-se diante da autoridade civil apenas para declarar o seu casamento, solicitando seja ele registrado, e não para receber qualquer tipo de legitimação. A legitimidade do casamento é dada pelo grau de responsabilidade e de amor que presidiu a formação do casal.” (3)
Naturalmente, os noivos espíritas devem ter consciência de como se casar perante a sociedade e a espiritualidade, respeitando as convicções dos familiares “não espíritas”, mas tentando fazer prevalecer as suas certezas doutrinárias. O legítimo espírita precisa colaborar para que haja a renovação das concepções religiosas, e não logrará êxito se em nome de uma “falsa humildade e fingida tolerância” ocultar o que já conhece e se curvar ante os costumes religiosos tradicionais. Se somos espíritas, por que então nos mantermos algemados às fórmulas religiosas que nada significam para nossos ideais?
Muitas vezes, confrades nos indagam se poderia e como seria realizada uma cerimônia de casamento espírita. Considerando que o assunto é de alta gravidade e de grande repercussão, atestamos, sem muitas delongas, que não existe ritual nem cerimônia religiosa para o casamento entre espíritas.  O Espiritismo é uma doutrina filosófico-religiosa, com aspectos científicos e consequências éticas e morais, mas não se constitui numa estrutura clerical formalizada. Dessa forma, diferentemente de outras correntes religiosas, não comporta em suas práticas nenhum cerimonial, rito ou aspecto específico ligado ao casamento convencional. Ou seja, não há cerimônia de casamento religioso espírita.
"O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota, e nem usa em suas práticas, altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.” (4) No local escolhido para a cerimônia civil, uma prece singela poderá ser feita por um familiar dos noivos. Não há necessidade de convidar um presidente (“dirigente-mor”) de centro, um orador espírita, um médium, nem é preciso que um “guia” se comunique para “abençoar” o consórcio.
Alias, sendo a prece sincera a sublimação do sentimento e a exaltação do amor, em realidade, por questões de afinidade e afetividade, certamente os familiares e os amigos amam mais os noivos que o dirigente espírita, o “oficiante”; portanto a oração feita por eles será bem mais produtiva. Ainda, os noivos espíritas, junto à família, no abençoado reduto do lar, poderão fazer o Culto do Evangelho, usufruindo de um ambiente espiritual mais sereno e pacificado do que a exposição pública no ato da cerimônia civil ou de festas, onde muitas criaturas lá comparecem com o único interesse social.
Dessa forma, o dirigente espírita, consciente das suas enormes responsabilidades e conhecedor das bases doutrinárias do Espiritismo, saberá esquivar-se dos convites que recebe para “oficiar” casamentos, informando, com humildade e educação, os pretendentes, quase sempre pouco conhecedores do Espiritismo, que na Doutrina Espírita tal prática não existe. Se aceitar o convite demonstrará que conhece o Espiritismo ainda menos que os noivos.
O casamento é a eliminação do egoísmo; não fere as leis da Natureza; “é um progresso na marcha da Humanidade. Sua abolição seria regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.”(5). O casamento, enfim, é um compromisso livremente assumido por dois Espíritos perante o altar de suas consciências. Está muito acima de qualquer bênção religiosa ou da assinatura de qualquer documento diante de uma autoridade civil ou religiosa. Trata-se de uma sociedade conjugal, estabelecida pelo próprio casal, num plano eminentemente moral, ético.
O que nos parece deve prevalecer, em vez da ritualística que lentamente vai sendo introduzida e aceita por desconhecimento doutrinário, é que se leve em consideração a proposta filosófica de uma visão ampla, de uma observação cuidadosa dos fatos da vida e de como o Espiritismo os explica e os orienta, ensejando, deste modo, um comportamento ético-moral mais compatível com a Terceira Revelação.
Em tese, não há e NUNCA haverá espaço no universo doutrinário para a celebração de um "casamento religioso espírita". E para os contumazes dirigentes “oficiantes” de casamentos recomendamos buscarem outros quintais “espiritualistas” e se distanciem depressa do Espiritismo para não conspurcá-lo ainda mais!

Jorge Hessen



Referências Bibliográficas:

(1)           Disponível no link http://olhar45.blogspot.com/2010/12/noivo-mata-noiva-e-padrinho-em-festa-de.html, acessado em 25 de dezembro de 2010
(2)           Entrevista do orador espírita Divaldo Pereira Franco concedida para a equipe de redação do Jornal Mundo Espírita, durante a 8ª Conferência Estadual Espírita, em Curitiba, PR, no dia 24 de março de 2006.
(3)           José Passini. Artigo O Casamento, Disponível em http://doutrinaespirita.com.br/?q=node/35, acessado em 24 de dezembro de 2010
(4)           Disponível no site http://www.febnet.org.br/site/conheca.php?SecPad=9&Sec=247, acessado em 25/12/2010.
(5)           Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB , 2000, questão 695

23 dezembro 2010

SÍNDROME DE SMITH-MAGENIS, OBSESSÃO OU AUTO-OBSESSÃO?


Grace Fishwick, uma inglesa, de 9 anos, é uma criança carinhosa, que adora cantar, dançar, mas, segundo a ciência, ela sofre de mutação genética rara, chamada de Síndrome de Smith-Magenis (SMS)(1), patologia que causa retardo mental e distúrbios de comportamento e a faz tornar-se violenta de súbito e agrida outras pessoas e a si mesma. Tais episódios podem durar alguns minutos e às vezes até três horas. A mãe de Fishwick compara sua filha ao personagem de O Médico e o Monstro. "Em um minuto, ela está brincando alegremente com seus brinquedos, no outro, nos agredindo ou atacando a si mesma” explica a genitora.
Sabe-se que a doença de Fishwick é de causa genética, embora não hereditária. É uma patologia genética pouco conhecida no Brasil e sua incidência no mundo é de 1 criança afetada a cada 25.000 nascidas vivas. Muitas crianças portadoras da “SMS” estão sendo acompanhadas como portadoras de deficiência mental sem causa definida ou como autistas. Para os pesquisadores, as características de comportamento e o atraso no desenvolvimento são os que se tornam mais significativos. Há retardo do desenvolvimento neuropsicomotor perceptível nos primeiros anos de vida, atraso significativo de linguagem, hiperatividade com déficit de atenção, várias formas de auto-injúria – bater a própria cabeça, morder-se, beliscar-se, puxar a pele, dificuldade para conseguir asseio corporal independente, acessos de birra (prolongada), raiva, agressão, mau humor, desobediência, teimosia, autoextirpação das unhas.
Como poderemos interpretar o “caso Grace Fishwick” sob o ponto de vista Espírita? Especialistas tentam ajudar esses irmãos enfermos, inclusive na fase inicial de seus estudos. Especificamente no campo da genética, alguns estudiosos mais ousados já relacionam algumas doenças de origem nervosa e mental, sendo induzidas pela influência dos espíritos; todavia, os preconceitos de sempre impedem que as pesquisas avancem.
Apesar de poucos informes científicos, há muitas evidências de que o processo obsessivo e/ou auto-obsessivos (caracterizado por manipulações e interposições de fluidos tóxicos) exerça papel importante na fisiopatogenia das doenças no corpo físico e espiritual, por vezes evoluindo para quadros patológicos gravíssimos.
Em qualquer caso, no entanto, o doente é responsável por todos os sinais e sintomas que apresenta, considerando ser ele o mentor intelectual de todos os seus equívocos, passados e presentes. Assim sendo, em dado momento da vida, começa a tomar consciência dos resíduos nefastos do inconsciente e a partir daí exercita-se em culpas, que geram cobranças. Então teremos os conflitos interiores, com o pensamento fixado em alguma coisa, tanto em vigília como em desdobramento.
Após a instalação do quadro mórbido, o enfermo caminha com desinteresse total pela vida, isola-se e apresenta baixas vibrações em seu campo eletromagnético, permitindo a partir deste momento a afinização com irmãos em grandes desequilíbrios – terríveis cobradores – evoluindo assim com graves quadros específicos que se enquadram nas doenças neurológicas e mentais.
O drama Fishwick nos remete a um provável caso de “emersão do passado”, ou seja, tudo procede dela mesma. Ante a aproximação espiritual de antigo desafeto, que certamente ainda a persegue do plano espiritual,  revive a experiência dolorosa do passado e perturba-se-lhe a vida mental, necessitando de mais ampla reeducação. É um caso no qual se faz possível a colheita de valiosos ensinamentos.
Toda e qualquer patologia física ou mental tem uma causa explicável. A menina Fishwick tem imobilizado grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo em torno da experiência desastrosa do pretérito, a ponto de semelhante cristalização mental haver superado o choque biológico da reencarnação, prosseguindo quase que intacta no novo corpo físico. Fixando-se nessa lembrança, quando instada de mais perto pelo perseguidor do além, passa a comportar-se qual se estivesse ainda no passado que teima em ressuscitar. Sem dúvida, em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a comunicar-se com o presente, porque ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada, centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão somente no ponto nevrálgico em que viciou o pensamento.
Para o especialista comum, é apenas uma candidata a algumas formas de tratamento médico; entretanto, para o espírita, ela pode ser uma enferma espiritual, uma consciência torturada, exigindo amparo moral e cultural para a renovação íntima – única base sólida que lhe assegurará o reajustamento definitivo. “A obsessão, sob qualquer modalidade em que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada, de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente”.(2) A ação fluídica de qualquer nível de obsessão [ou auto-obsessão] sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará, necessariamente, em resultado, o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos.”(3)
Em todas as épocas da história das civilizações existiram doentes psíquicos que sofriam influências nefastas de obsessores, e, em alguns casos, envolvendo personagens que se celebrizaram por seus atos. Nabucodonosor II, rei dos Caldeus, sofreu uma licantropia e pastava no jardim do palácio como um animal. Tibério, envolvido por muitos espíritos cobradores, cometeu muitos deslizes, com muita malignidade. Calígula e Gengis-Khan marcaram presença em função de suas aberrações psicóticas. Domício Nero, em função de grandes desequilíbrios psíquicos, entre tantos equívocos, mandou assassinar a mãe e sua esposa, e, depois, as reencontrava em desdobramentos. Dostoiévski sofria de ataques epilépticos. Nietzsche perambulou pelos asilos de alienados. Van Gogh cortou as orelhas num momento de insanidade e as enviou de presente para sua musa inspiradora, findando, posteriormente, a vida, com um tiro. Schumann, notável compositor, atirou-se ao Reno, sendo salvo pelos amigos e internado num hospício, onde encerrou a carreira. Edgar Allan Poe sucumbiu arrasado pelo álcool e tendo visões infernais.
Obviamente, nós espíritas respeitamos as orientações dos profissionais da área de saúde, evitando equívocos como: fazer diagnósticos, trocar e/ou suspender medicamentos e, às vezes, tornar o quadro dos pacientes mais grave que verdadeiramente o são. Compete à medicina, ao tratar seus pacientes, admitindo a hipótese de obsessão, ainda que não comprovada academicamente, pedir ajuda às casas espíritas que exercem suas atividades com objetivos sérios, seguindo os postulados do Cristo e os preceitos da Doutrina Espírita.
Cremos que o passe magnético é de grande importância no tratamento desses irmãos, considerando a oportunidade de polarização de fluidos, dissipando fluidos tóxicos e interpondo fluidos benéficos. Sabemos do valor indiscutível da água magnetizada (fluidificada) – que é de grande importância, também, no reequilíbrio do doente, considerando que nela são introduzidos fluidos potencializados pelas emanações de energias provindas das irradiações de minerais, vegetais e animais.
Indispensável, igualmente, é o Culto do Evangelho no Lar, considerando a oportunidade de leitura do Evangelho e a reflexão sobre seu conteúdo, além das preces que poderão ser proferidas, permitindo crescimento interior, o exercício da fé, gerando transformações ao nível de renúncias de viciações e paixões inferiores, permitindo a vigilância do Ser em seus pensamentos, palavras e atos e muitos outros benefícios que, aos poucos, vão aperfeiçoando o espírito e diminuindo as doenças na Terra.
Jorge Hessen

Referências bibliográficas:
(1)           A SMS afeta uma a cada 25 mil crianças e costuma ser confundida com autismo pelos médicos
(2)           Franco, Divaldo Pereira. Nos Bastidores da Obsessão, Ditado pelo Espirito Manuel Philomeno de Miranda, RJ: Ed. Feb , 1995, 7a edição.
(3)           Menezes, Adolfo Bezerra de Menezes – A Loucura sob um Novo Prisma, 2ª edição, 1987, FEB-RJ

13 dezembro 2010

“SEM A RELIGIÃO, ORIENTANDO A INTELIGÊNCIA, CAIRÍAMOS, TODOS, NAS TREVAS DA IRRESPONSABILIDADE”



O Cristianismo entrou em um mundo no qual nenhuma religião, até então, havia penetrado com tanta força. Nesses dois mil anos de dominação cristã, no ocidente, vimos “uma fé caolha”, aliás, uma fé ser diluída, corrompida, deformada e metamorfoseada em outra coisa que não seja negar a essência original: o Cristo. Foram dois mil anos de busca desenfreada de poder, de privilégios, de controle de reis e de príncipes, de usos e abusos da máquina pública em benefício próprio, sempre, aliando-se ao que haveria de vencer.
Recebi algumas vezes por email determinada mensagem supostamente “científica” sobre o crescimento da população muçulmana no mundo. O fato me remeteu a Emmanuel, que lembra sobre os numerosos Espíritos que reencarnam com as mais altas delegações do plano invisível. Entre esses missionários, veio aquele que se chamou Maomet. Se é verdade que ele não resistiu ao assédio dos Espíritos da Sombra, traindo nobres obrigações espirituais com as suas fraquezas, muitos outros líderes cristãos se desviaram da senda do bem. Em que pese o aroma cristão que se exala de muitas das lições do pai do Islamismo, há também um espírito belicoso, de violência e de imposição. “Junto da doutrina fatalista encerrada no Alcorão, existe a doutrina da responsabilidade individual, divisando-se através de tudo isso uma imaginação superexcitada pelas forças do bem e do mal, num cérebro transviado do seu verdadeiro caminho.”(1) Por essa razão, “o Islamismo, que poderia representar um grande movimento de restauração do ensino de Jesus, corrigindo os desvios [do Cristianismo da época], assinalou mais uma vitória das Trevas contra a Luz.” (2)
Para os teóricos (protestantes) alarmistas, em poucos anos, sob o ponto de vista social, político, econômico e cultural, a Europa, como a conhecemos hoje, deixará de existir por causa da imigração islâmica. Nas últimas três décadas, a população muçulmana, só na Inglaterra, por exemplo, multiplico-se em 30 vezes. No Novo Mundo, entre 2001 e 2006, a população do Canadá aumentou em 1.6 milhão, e desse total, 1.2 milhão foi em virtude de imigração muçulmana. Nos EUA, em 1970 havia 100 mil muçulmanos; hoje há 9 milhões.
Em verdade, difunde-se uma tese reducionista do tipo “caça às bruxas” de que  onde os muçulmanos têm o poder, não há liberdade de pensamento e expressão. Contudo, não se pode esquecer que a história demonstra como eram as coisas quando o cristianismo (catolicismo) tinha as rédeas políticas do mundo. A cultura ocidental, patrocinada pelo capital norte-americano, reforça, ainda, a dicotomia entre Oriente e Ocidente; engendra representações monolíticas do Islamismo, enquadrando num só molde a questão Árabe. E à espreita, por trás de todas essas teses absurdas, está a ameaça do jihad, temor de que os muçulmanos tomem conta do mundo.
O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista e vice-versa. São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos quanto os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando os professores a ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacavam crianças católicas.
Temos a convicção de que, por trás dos novos fanatismos religiosos – católicos, evangélicos, espíritas, muçulmanos etc – é o pendor místico do religioso que leva a uma cristalização da fé, desembocando numa falsa doutrina das virtudes.  Muitos religiosos se enfrentam ferozmente. São os judeus e palestinos que se matam; são os seguidores de Buda e hinduistas que se mantêm em luta milenar; são pseudocristãos que se aniquilam em guerras absurdas, como se o Velho e o Novo Testamento, o Bhagavad Gita e o Alcorão fossem manuais de guerra, e não roteiro de iluminação espiritual.
Do mesmo segmento de “cristãos” que condenam a proliferação do Islamismo, estamos assistindo ao surgimento de uma máquina pseudorreligiosa. Máquina como nunca fora criada antes. Máquina de comunicação, de manipulação do “sagrado”, de venda de favores divinos (“milagres”), de hipnotização das pessoas ao poder e máquina que transforma a população, sem instrução, em um “rebanho de alienados”.
Atualmente há uma vil industrialização da mensagem do Cristo. Certa vez, Sigmund Freud colocou na berlinda antigos e violentos conceitos CRISTÃOS e “afirmou ser o Cristianismo um movimento inútil, um infantilismo das massas.”.(3)  O Cristianismo, sem Cristo, tem exercido controle sobre a massa, aplicando impostos através dos dízimos, controle das mentes fanáticas, promovendo o medo pelas punições eternas e temporais; controle sobre a devoção, manipulando esses sentimentos, transformando-os em cega “obediência” e temor a Deus.
Todos os espíritas precisamos palmilhar a fé racional, a fim de compreender melhor o Evangelho. “Reconhecemos, também, que não é a destruição inapelável dos símbolos religiosos aquilo de que mais necessitamos para fomentar a harmonia e a segurança entre as criaturas, mas sim a nova interpretação deles, até porque, “sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios, volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material da vida do Planeta.”.(4)
Jorge Hessen


Referências Bibliográficas:

(1)           Xavier, Francisco Cândido. A caminho da luz, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001
(2)           Idem
(3)           Freud Sigmund. O Futuro de uma Ilusão, Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997  
(4)           Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba/MG, na tarde de 18/08/71, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, publicada na edição de 1/09/71