03 outubro 2011

ADULTÉRIOS NAS REDES SOCIAIS, NUMA REFLEXÃO KARDECISTA

Chegaram no Brasil algumas redes sociais com propostas gritantes: promover a infidelidade conjugal. São 12 milhões de usuários ao redor do mundo. Em nosso país, já há mais de 500.000 pessoas (70% são homens) interessadas em aventuras promovidas pelos mecanismos próprios desses sites, que faturam não poucos milhões de dólares por ano. Cerca de 60% das mulheres revelaram ter sido infiéis a namorados ou maridos. Entre os homens, o valor é ainda maior: 70%.
A ideia de instituir ambientes virtuais dessa natureza surgiu há uma década, através do canadense Noel Biderman, criador do Ashley Madison, que deve faturar 60 milhões de dólares em 2011. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Tendências Digitais, a “Pátria do Evangelho” paradoxalmente registra os maiores índices de infidelidade.
Por que será que o mundo virtual vem fascinando mais do que a vida que se levava 20 anos atrás? Permanecer neste mundo quimérico, seduzidos pelas ondas eletromagnéticas da Internet, diante de um monitor, será por receio? Timidez? Acanhamento? carência de amor próprio? Incerteza? Carência? Solidão? Ou será tolo encantamento, necessidade de aventuras, realização de feitos inenarráveis, ultrapassar limites, provocar reações e escândalos...?
Assim como há depravados nas drogas, no jogo e no tabaco, há internautas que passam horas a fio nas redes sociais, fato que vários grupos de especialistas americanos consideram um problema psiquiátrico. “Só no Brasil o número de internautas é de aproximadamente 75,5 milhões.”(1) A Internet oferece, sem dúvida, extremos perigos quando veicula cenas reais de apelos eróticos, de violências nos joguinhos “infantis” etc. Por outro lado, não podemos desconsiderar que a Internet está presente nos hospitais, nos tribunais, nos ministérios, nas agências bancárias, nos supermercados, nas lojas, nas escolas, na segurança de nossas casas e empresas; enfim, permite fazer uma movimentação bancária, compras, observar nota na escola, realizar trabalhos escolares e profissionais, pesquisas. Eis aqui alguns dos exemplos de como estamos mais envolvidos com a informática do que se possa imaginar.
Na era da cibernética, da robótica, "vivemos épocas limítrofes nas quais toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda pouco estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado."(2)
Estamos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos cipoais dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço da Tecnologia da Informação (TI), apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis. Vejamos: a questão aqui colocada como inquietante é o adultério ocorrido pelas ferramentas virtuais, desaguando quase sempre na vida real.
Para refletirmos sobre o adultério, recorramos à sentença do Cristo que assevera: “atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado.”(3) Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. “Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.”(4)
O Espírito Emmanuel explica que “é curioso notar que Jesus, em se tratando de faltas e quedas, nos domínios do espírito, haja escolhido aquela da mulher, em falhas do sexo, para pronunciar a sua inolvidável sentença.”(5)
Para Emmanuel, “dos milenares e tristes episódios afetivos que reverberam na consciência humana, resta, ainda, por ferida sangrenta no organismo da coletividade, o adultério que, de futuro, será classificado na patologia da doença da alma, extinguindo-se, por fim, com remédio adequado.” Considerando as aberrações propostas pelas redes sociais, urge considerar que o “adultério ainda permanece na Terra, por instrumento de prova e expiação, destinado naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida.”(6)
Em verdade, quando respeitarmos os sentimentos alheios, “para que o amor se consagre por vínculo divino, muito mais de alma para alma que de corpo para corpo, com a dignidade do trabalho e do aperfeiçoamento pessoal luzindo na presença de cada uma, então o conceito de adultério se fará distanciado do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser.”(7)
Auscultemos nos recessos profundos da consciência a oportuna advertência dos Benfeitores espirituais, lembrando-nos que diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.(8)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas:

(1)    Últimas atualizações do Ibope/NetRatings
(2)    Pierre Lévy - As tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 2004
(3)    João 8:7
(4)    Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 13, do Cap. X,
(5)    Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1972, Ed. FEB, cap. 22
(6)    Idem
(7)    Idem
(8)    João 15:12

29 setembro 2011

CRIANÇAS E JOVENS COM HABILIDADES PRODIGIOSAS





O  que um superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu futuro? Questões, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a reencarnação como explicação. Sem a múltipla existências não há como se conceber o progresso humano, senão, vejamos: “Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. A  Revista Época, edição de 15 de maio, 2006 exlica qte atualmente  Maiko estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática".
Consigna  a Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004, que "Os sinais da inteligência, sobrehumano, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram aos 14 meses, quando resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, estudava Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10, ingressou na Faculdade de Matemática. Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz."
Um garoto de três anos, morador de Reading, a 40km de Londres, obteve em um teste de QI (coeficiente de inteligência) uma pontuação equivalente à dos físicos Albert Einstein e Stephen Hawking. Os testes de vocabulário e com números comprovaram que Oscar Wrigley faz parte dos 2% da população com QI mais alto. Com isso, Wrigley se tornou o mais jovem garoto a fazer parte da Mensa, a sociedade que reúne pessoas com QI alto. O membro mais jovem da Mensa é a garota Elise Tan Roberts, de Edmonton, no norte de Londres, aceita no início deste ano à idade de dois anos e quatro meses.
Encontramos essas mesmas tendências excepcionais em músicos, como Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez, e já compunha minuetos, aos 5 anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos 12 anos. Paganini dava concertos, aos 9 anos,em Gênova, Itália. Na literatura universal, é ímpar o fenômeno Victor Hugo que, precocemente,aos 13 anos, arrebatou cobiçado prêmio da cidade de Tolosa. Goethe sabia escrever em diversas línguas, antes da idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu seu primeiro livro, com 15 anos de idade. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a lhe ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...)
O Doutor Richard Wolman, de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo. Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista.
As pesquisas sobre a Reencarnação não cessam nas teses dessas personalidades apontadas. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas.
Só através do processo reencarnatório, como lembra  Léon Denis, podemos compreender como certos indivíduos, ao encarnarem, mostram desde tenra idade a capacidade de trabalho e de assimilação que distingue as crianças superdotadas. Cada um apresenta ao (re)nascer os resultados  da sua evolução, a intuição do que aprendeu, as habilidades adquiridas nas múltiplas propriedade do pensamento, a habilidade para esta ou aquela atividade, finalmente o resultado de um trabalho secular que deixou impresso no seu tecido  perispiritual sinais profundos, gerando uma espécie de automatismo psicológico.
Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. E Allan Kardec a confirmou em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos, melhor, a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade.  
Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com

23 setembro 2011

ÉTICA ESPÍRITA, ENTRADA FRANCA SEMPRE!... POR QUE NÃO?



Após proferir palestra no Centro Espírita, cujo tema nos induziu a afirmar para o público sobre o delírio da cobrança de taxas para entrada no congresso “espírita”, programado pelo órgão federativo local, um amigo sugeriu-nos a leitura do “Projeto de Interiorização”- Espiritismo para os simples. (1) Procuramos conhecer o projeto, lemos e apreciamos bastante as diretrizes e planos ali consignados. O confrade também indicou-nos o artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” do admirável Antonio César Perri de Carvalho, Diretor da FEB. Encontramos o artigo na Revista Reformador; analisamos o texto e ficamos entusiasmados com os dizeres do representante da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional. O excelente artigo, dentre outras reflexões audaciosas, inspira-nos para o imperativo da “unidade do espírito pelo vínculo da paz”. (2)

César Perri ilustra o tema afirmando que “entre os desafios atuais para a união dos espíritas (...)há necessidade de revisão de algumas estratégias e posturas, para se ampliar a difusão do Espiritismo em todas as faixas etárias e sociais. (...) entendemos que o acolhimento dos simples [espíritas desempregados, iletrados, pobres] no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempo em que vivemos.”(3)

Para o Diretor da FEB “a realização de eventos federativos e de divulgação devem ter como parâmetros o que é simples e viável para a maioria das instituições e dos espíritas.” (4)(grifei)

O tema é recorrente e crônico. É flagrante a marginalização de confrades valorosos que, devido à impossibilidade de arcar com os escorchantes preços dos eventos espíritas, ficam e continuarão a ficar excluídos dos congressos espíritas, como os que têm sido realizados ultimamente por diversas federativas estaduais e mesmo pela Casa Mater. Após 36 anos escrevendo para imprensa espírita e alertando sobre a discrepância dos eventos pagos, confessamos que o Perri pacificou-nos o ânimo com as suas judiciosas e lúcidas palavras. E, mais, advindo de um confrade de envergadura moral irrepreensível como é o caso do Perri, acreditamos que o Movimento Espírita brasileiro mudará de rota no Brasil e no Mundo.

À guisa de sugestão , considerando a viabilidade de participação nos eventos doutrinários da maioria das instituições e dos espíritas, propomos aos abastados seguidores de Kardec abrirem mão do excesso da conta bancária e colaborem mais frequentemente com o Movimento Espírita. Poderiam bancar vários eventos doutrinários sem consentir que espíritas simples fossem excluídos dos congressos, seminários e encontros. Portanto, sem ferir a ótica e a ética espíritas, saberiam utilizar com inteligência os recursos que Deus concede, fugiriam da avareza, seriam pródigos no amor, conscientizar-se-iam da imensa responsabilidade social e colaborariam para fazer do Espiritismo o mais importante núcleo de debates espirituais da Terra...

Modelo de mecenas (5) não falta! “O empresário carioca Frederico Figner, proprietário da Casa Edison e introdutor do fonógrafo no Brasil, era um deles. Tão rico quanto espírita, ele trocou cartas com Chico Xavier 17 anos seguidos. E o ajudou muito. Sem suas doações, o datilógrafo da Fazenda Modelo não conseguiria atender tanta gente. A cada mês, o filho de João Cândido gastava o correspondente a três vezes o seu salário só com assistência social. Para Chico, os ricos deveriam ser considerados “administradores dos bens de Deus”. Ao longo de sua vida, ele ajudaria muitos milionários “benfeitores” a canalizar os “tesouros divinos” para a caridade.”(6)

O editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93 registra que "a fé começa nos lábios, obrigatoriamente passa pelo bolso, para se instalar no coração".(7) Sabemos que a divulgação doutrinária é urgente mas não apressada. Portando, não identificamos necessidade nenhuma para o afoitamento e desespero das federativas promoverem improfícuos festivais de congressos, seminários e simpósios onerosos. Jamais esqueçamos que “é indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec: sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.” (8)

Os congressos espíritas são importantes para a vitalidade do movimento espírita, para a permuta de experiências e o congraçamento entre pessoas. Mas, francamente! O frenesi para realização de congressões espíritas dispendiosos têm revigorado o status, o personalismo e a vaidade de muitos líderes incautos. Jesus nos ensinou a condenar o erro, preservando a quem erra. Mas, até mesmo Ele, que era um exemplo de brandura, atuou com austeridade, com muito rigor, aliás, quando a expelir os vendilhões do Templo.

Não condenamos e nem poderíamos desaprovar os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode ficar cerrada nos Centros de Convenções suntuosos, não se pode enclausurar Espiritismo nos excludentes anfiteatros acadêmicos e nem aprisioná-lo em grupos fechados. À semelhança do Movimento Cristão, dos tempos apostólicos, A Doutrina dos Espíritos também pertence aos Centros Espíritas simples, localizados nos bolsões de desventura, nos assentamentos, nas favelas, nos bairros miseráveis, nas periferias urbanas esquecidas; e não nos venham com a eloqüência oca de que estamos sugerindo um tipo de “elitismo às avessas”. O que fortalece nossas assertivas são os muitos Centros Espíritas simples e pobres, todavia bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.

E por falar no mestre lionês, precisamos de “Allan Kardec nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que à nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento. Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, à nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (9)


Jorge Hessen

http://jorgehessen.net


Referências bibliográficas:


(1) disponível em: http://www.febnet.org.br/ba/file/CFN/Projeto_interiorização.pdf
(2) Xavier, Francisco C. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 49, pg.116
(3) Carvalho, Antonio C. Perri. Artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” publica do em Reformador, abril, ano 2011 pags. 29,30 e 31
(4) idem
(5) O termo mecenas, nos países de línguas neolatinas, indica uma pessoa dotada de poder ou dinheiro que fomenta concretamente a produção de certos literatos e artistas. Num sentido mais amplo, fala-se de mecenato para designar o incentivo financeiro de atividades culturais, como exposições de arte, feiras de livros, peças de teatro, produções cinematográficas, restauro de obras de arte e monumentos.
(6) Maior, Marcel S. As vidas de Chico Xavier, São Paulo: Editora Planeta, 2003
(7) Editorial da revista "O Espírita" de Brasília edição de jan/mar-93
(8) Bezerra de Menezes, trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F. C. Xavier – Reformador, dez/1975 - FONTE: CEI - Conselho Espírita Internacional.
(9) Idem

Um desabafo,

Arnaldo A. Rocha
Arnaldo Rocha e Jorge Hessen


Meu bom amigo e irmão Jorge Hessen,


Em 1993, participávamos de uma reunião de dirigentes de centros espíritas na FEDF,  quando o presidente dessa Distrital, na época, fez uma citação negativa ao editorial da revista "O Espírita" sobre cobranças de taxas em eventos espíritas, referindo-se  de forma infeliz, à pessoa de quem fazia o editorial da revista e não assinava (no caso o confrade Carlos Augusto de São José, um dos mais  incansáveis defensores da pureza dos postulados espíritas-cristãos). Tomei da palavra, mostrando minha indignação por citar alguém que não estava presente para se defender, e disse que a direção da federação deveria chamá-lo para explanar sobre sua opinião, tão bem colocada no editorial da revista. Formou-se um burburinho, pois não esperavam que alguém pudesse se manifestar com tanta  veemência....
Aproveitei o ensejo para dizer que também não concordava com as cobranças de taxas em eventos espíritas, sugeri que todas as casas espíritas, de acordo com as suas condições financeiras, repassassem 1salário mínimo, ou mais, anualmente para a FEDF fazer um caixa, com a finalidade única de bancar todos os eventos espíritas no Distrito Federal. Disse que, excluindo as casas espíritas que têm dificuldades materiais, todas as demais tinham como aderir a essa idéia, recolhendo 1/12 avos de um salário mínimo por mês, o que representaria hoje o valor de R$ 45,41. Além de dar a sugestão, mostrei o recibo de depósito bancário feito em conta da FEDF pelo Centro Espírita Fonte de Esperança para que pudesse servir de exemplo. Falei, também, na oportunidade, que se 100 casas, pelo menos, recolhessem um salário mínimo anual, teríamos, a preço de hoje, o valor de R$ 54.500,00, o que daria para pagar as despesas, se não de todos, mas da maioria dos eventos realizados no DF. Infelizmente o presidente retomou a palavra, solicitou para que voltássemos à pauta da reunião, deixando esse assunto para ser discutido num outro momento. Foi o último encontro do qual participei na FEDF, representando o Centro Espírita Fonte de Esperança, por perceber a incoerência dos líderes espíritas que preferem render-se à lei do menor esforço, elitizando uma doutrina crística que veio para o bem de  toda a humanidade e não para atender aos anseios da classe média.
Esse cancro tomou conta do movimento espírita de tal maneira que hoje, qualquer palestra, seminário, workshopping e etc., tem sua entrada cobrada, num flagrante desrespeito às orientações de mais Alto.
Na minha visão particular, a FEB, também, se encontra em atitude de omissão, de braços cruzados, não emite uma opinião à respeito, preferindo seguir com essa prática que faz do Espiritismo mais uma religião que aceita esse procedimento comercial, como se fosse correto, moral e ético, descaracterizando o Consolador Prometido por Jesus Cristo. Se a própria FEB, anualmente, publicasse edições de livros espíritas, com o propósito único de arrecadar fundos para bancar as despesas de eventos espíritas em nosso país, os que pudessem, comprariam essas edições extras (mesmo que um pouco mais caras) para ajudarem na realização de eventos com entrada franca. Fora essas sugestões, devem existir outras semelhantes ou melhores, bastando tão-somente que os  líderes de nosso movimento queiram fazer um espiritismo para todos e não para os que possam pagar para receberem o que de graça recebemos do Espírito de Verdade.
Infelizmente acho que Mamon, de maneira muito inteligente e persuasiva, está mais presente dentro movimento espírita do que possamos imaginar, principalmente pelos sofismas que são utilizados para defender essa prática funesta, da cobrança de taxas em eventos espíritas, por "dignos" representantes que falam em nome do Espiritismo. E para finalizar, penso, igualmente, que todo palestrante e expositor espírita-cristão consciente  não deveriam participar de eventos com entradas pagas, mostrando por essa atitude a sua discordância e indignação com tal proceder.
Só falta, agora, colocarmos um "Gazofilácio" à entrada de cada Centro Espírita nos dias das reuniões públicas, e não estamos longe disso...
Arnaldo Rocha

16 setembro 2011

“ESPIRITISMO” SEM KARDEC É ACADEMIA DE BONIFRATES DESLUMBRADOS


O crescimento do movimento espírita tem gerado circunstâncias deprimentes para a concepção espírita. É uma situação “compreensível”, considerando nossos diferentes estágios de entendimento, mas isso não significa que devemos contemporizar e deixar as rédeas soltas das fanfarras doutrinárias. Pelo menos, cremos ser importante incomodar bastante os arautos do antiespiritismo através da contestação corajosa, distantes da tediosa falsa humildade.
Quando não identificamos nas práticas espíritas a lucidez e a coerência kardeciana, não podemos considerar que isso seja positivo sob a ilusão de que todos somos aprendizes e que essa fase é necessária para o nosso amadurecimento. Para tais espíritas mornos, o debate por um espiritismo mais simples ressoa de forma subjetiva. Tais líderes omissos (ficam em cima do muro) se retraem baseados na contemporizadora atitude de que tudo é natural porque os estágios de entendimento e amadurecimento igualmente o são desiguais e que todos os desvios doutrinários oferecem oportunidades de aprendizado e amadurecimento. Isso é risível!
O Espiritismo nos traz uma nova ordem religiosa que precisa ser preservada. A Terceira Revelação é a resposta sábia dos Céus às interrogações da criatura aflita na Terra, conduzindo-a ao encontro de Deus. Cremos que preservá-la da presunção dos reformadores obsedados e das propostas ligeiras dos que a ignoram, e apenas fazem parte dos grupos onde é apresentada, constitui dever de todos lídimos estudiosos de Kardec.
Defender e propor debate sobre a coerência doutrinária evidentemente não pode ser a defesa acirrada dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; nem é exigir a rígida igualdade de comportamentos sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiamos. Todo excesso de rigor na defesa doutrinária pode levar a sérios erros, se enredarmos pelas veredas da intolerância, pois que redundarão em dissensão inadmissível, em face dos impositivos da fraternidade. Todavia, o espólio da tolerância não é fazer-nos omissos ante as enxertias conceituais e práticas anômalas que intentam impor no seio do Movimento Espírita.
Nessa luta, não estaremos sós, embora saibamos que “o discípulo da verdade e do amor, no mundo, é alguma coisa de Jesus e de Deus, e a massa vulgar não lhe perdoa tal condição, sobrecarregando-o de pesados amargores, porque seus sentimentos não são análogos àqueles que a conduzem a incoerências e desatinos.(grifei) Todos os que seguiram Jesus foram obrigados a identificar o destino com o sinal do martírio. Os que se não desprendem da Terra, crucificados nas dores públicas, retiram-se ao desamparo, esmagados pelos opróbrios humanos, caluniados, humilhados, encarcerados, feridos. Raros triunfaram conservando a serenidade e o amor imaculado, até ao fim!(1)...
Recordemos que se abraçamos a Doutrina dos Espíritos, por ideal, não podemos fugir-lhe à fidelidade. Não hesitemos pois, quando a situação se impõe, e estejamos alertas sobre a lealdade que devemos a Kardec e a Jesus. É importante não esquecermos que nos imperceptíveis consentimentos estaremos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. É imperioso resguardar o Espiritismo consoante o herdamos de Kardec, mantendo-lhe a lucidez dos postulados, a transparência dos seus conteúdos, não admitindo que se lhe aloje acréscimo nocivo, que apenas irá confundir os invigilantes e os neófitos.
Existem inúmeras práticas não ajustadas com o cerne doutrinário que é imperioso sejam condenadas à exaustão, nas bases da decência cristã, sem quaisquer nódoas de intransigências. Casa Espírita equilibrada não comporta imagens de Santos ou personalidades do movimento espírita, amuletos de sorte, objetos que afastam ou atraem maus Espíritos, incensos, preces cantadas, velas e outros assemelhados alienantes. Uma coisa é certa: os Centros Espíritas refletem a índole e consciência doutrinária dos seus dirigentes. Infelizmente, as Casas Espíritas estão repletas de modismos e práticas carentes de bom senso, oriundos da falta de conhecimento das recomendações básicas do Espiritismo.
Muitas Instituições Espíritas mantêm práticas e/ou discussões estéreis em torno de nauseantes temas tais como “crianças índigo”, “Chico é a reencarnação de Kardec”, “ubaldismo”, “ramatisismo”, “apometria”, “cromoterapia”, “cristalterapia” e tantos outros indigestos "ismos" e "pias", infligidos no corpo doutrinário. Confrades utilizam a tribuna para angariar votos para cargos políticos, ou para imitarem ilustres tribunos, ou fazer shows de oratória (muitas vezes para vender seus CD’s, DVD’s ou livros ao final da “fala”). Como se não bastasse, há, ainda palestrantes que promovem, das tribunas, peculiares espetáculos da própria imagem, mise-en-scène protagonizada pelos briosos expositores, que não abrem mão da burlesca imposição do título “Dr.” antes do nome. Há Instituições Espíritas que cobram taxas para o ingresso nos congressos, simpósios, seminários, tendo, como meta o fomento de querelas doutrinárias ou espetaculosas palestras.
O Centro Espírita tem que funcionar como se fosse uma escola ou fidedigno hospital espiritual, tal qual refrigério em favor das almas em desalinho, e jamais um reduto de competições, de terapias ilusórias ou de passarela de vaidades. Tem que estar preparado para receber um contingente cada vez maior de pessoas perdidas no atoleiro de suas próprias imperfeições, e que estão nos vales sombrios da ignorância. Deve ser uma universidade do espírito e pronto-socorro para os necessitados de amparo e esclarecimento, seja através da evangelização, das orações ou dos tratamentos espirituais; ou seja, pelas orientações morais e materiais.
A questão é: como evitar esses disparates? Como agir com tolerância cristã? Como agir, diante dos espíritas cegos, que querem guiar outros cegos?
Para os líderes “mornos bonzinhos”, é interessante a prática do "lavo as mãos" para não se incomodarem. Os Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade para com os adeptos equivocados, o que não equivale a dizer que devamos nos omitir quanto à oportuna admoestação, para que a Casa Espírita não se transforme em academia de bonifrates dos distúrbios psíquicos.
Em verdade, da abrangência dos preceitos espíritas e do bom emprego dos princípios doutrinários no equacionamento dos enigmas existenciais do ser, do destino, da dor e do sofrimento, o espírita cristão desenvolve uma fé equilibrada, apoiada na razão clarificada pelo conhecimento, modificando a índole humana de adoração, tornando-se livre de quaisquer acondicionamentos místicos, fetichistas, idólatras e supersticiosos, assinalando para o autoconhecimento, a simplicidade, a sensatez e a plenitude do ser.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Referência bibliográfica:

(1) Xavier, Francisco Cândido. Renúncia, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1997, Cap. 1