18 novembro 2011

AUTOCOMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA – SERIA POSSÍVEL? EIS A QUESTÃO!


Michael Faherty, de 76 anos, desencarnou em sua casa em Galway no dia 22 de dezembro de 2010. O corpo, carbonizado, foi encontrado com a cabeça virada para a lareira. O médico legista Ciaran McLoughlin, de West Galway, Irlanda, afiançou que Faherty foi vítima de uma “autocombustão humana”. "O incêndio foi totalmente investigado e a sua conclusão é de que o fato se encaixa na categoria de ‘combustão humana espontânea’, para o qual não há uma explicação adequada"(1). McLoughlin explicou ser essa a primeira vez em 25 anos de carreira que deu um parecer de combustão espontânea.
Larry Arnold, um experto em autocombustão humana, sugere que o fenômeno resulta de uma nova partícula subatômica chamada 'pyroton' que, segundo ele, interage com as células para criar uma micro-explosão. Mas não existe nenhuma evidência científica provando a existência de tal partícula.
A primeira combustão humana espontânea conhecida foi divulgada pelo anatomista dinamarquês Thomas Bartholin, em 1663, quando descreveu como uma mulher em Paris "foi reduzida a cinzas e fumaça" enquanto dormia. O colchão de palha onde ela estava deitada não foi danificado pelo fogo. Em 1763, Jonas Dupont apresentou em Lyon uma tese de doutorado: De incendiis corporis humani sponraneis; ele foi o primeiro a tratar do assunto oficialmente.
No século XIX, Charles Dickens despertou grande interesse no assunto, usando o tema para “matar” um personagem de sua novela "A casa abandonada” ("Bleak House"). Krook (o personagem alcoólatra), compartilhava da crença comum nessa época de que a combustão humana espontânea era causada por quantidades excessivas de álcool no corpo.(2) Surgiram algumas críticas acusando Dickens de divulgar superstições, mas o escritor respondeu aos ataques citando suas fontes de pesquisa sobre autocombustão humana – especialmente o caso da Condessa Cornelia de Bandi, de Cesena, Itália, ocorrido em 1731 – e o de Nicole Millet.
A rigor, ninguém ainda desmentiu ou provou concreta e conclusivamente a combustão humana espontânea. Portanto, estamos diante de um fenômeno paranormal não mencionado na literatura consagrada pelas explicações espíritas e que tem desafiado a inteligência dos pesquisadores. A ocorrência é um dos mais complexos fenômenos estudados pela parapsicologia e, sem dúvida, dos mais difíceis de ser comprovado, e sobre o qual muitos cientistas preferem manter silêncio. A definição pode parecer um tanto vazia, mas a verdade é que pouco ou nada se sabe sobre o suposto fenômeno – como se inicia ou termina, ou mesmo por que ocorre.
O intrigante da questão é: os corpos físicos podem ser consumidos espontaneamente pelo fogo? Muitas pessoas acreditam que a autocombustão humana seja um evento possível, mas a maioria dos cientistas não está convencida, apesar das evidências pelas inúmeras imagens fotográficas existentes. Para alguns, a combustão espontânea ocorre quando uma pessoa rompe em chamas por causa de uma reação química interna aparentemente não provocada por uma fonte externa de calor (ignição). “Em dezembro de 1966, o corpo do Dr. J. Irving Bentley, de 92 anos, foi descoberto na Pensilvânia, ao lado do medidor de consumo de eletricidade de sua casa. Na realidade, apenas parte da perna dele e um pé, ainda com o chinelo, foram achados. O restante do seu corpo tinha se transformado em cinzas.” (3)
Como esclarecer que um homem pegou fogo – sem nenhuma origem aparente de faísca ou chama – queimando completamente o próprio corpo, sem espalhar as chamas para nenhum objeto próximo? O caso do Dr. Bentley e centenas de outros casos semelhantes ficaram conhecidos como eventos de "combustão humana espontânea" (Spontaneous Human Combustion – SHC). Embora ele e outras vítimas do fenômeno tenham sofrido combustão quase total, as redondezas de onde se encontravam, ou as próprias roupas, muitas vezes não sofriam dano algum.(4)
Certa vez a TV Globo mostrou um “senhor que dormiu dois dias sucessivos e ao acordar notou no seu corpo queimaduras espontâneas profundas e sua mão direita completamente carbonizada, a qual teve que ser amputada. Um médico e um cientista abordados a respeito desse fato também não souberam explicá-lo. Mas como é de praxe, batizaram o fenômeno: "Combustão espontânea do corpo humano".(5)
Allan Kardec elucida os fenômenos (anímicos) de efeitos físicos (ruídos, pancadas, lançamento de objetos, transportes, a pirogenia ou combustão espontânea [roupas, colchões, móveis], psicometria (percepção de fatos a partir de objetos) etc.(6) As manifestações físicas estiveram relacionadas ao próprio surgimento da Doutrina Espírita, no século XIX, quando o professor Rivail teve sua atenção despertada para as chamadas mesas girantes e passou a estudá-las conforme consigna O Livro dos Espíritos, na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. Os fenômenos espíritas desse gênero, de modo geral as manifestações físicas espontâneas, objetivavam chamar a atenção de Kardec e convencê-lo da presença de uma força superior à do homem.(7) Todavia, ressalte-se que o mestre de Lyon  nada investigou e nem os espíritos informaram sobre o fenômeno de mortes por autocombustão humana.
“Existe, no entanto, a faculdade, qual utilizava Daniel Dunglas Home, que produzia fenômenos de combustão espontânea, mas que não era autocombustão e que não o queimava. Em uma experiência memorável diante do Imperador Napoleão III, antes de Allan Kardec, no mês de abril de 1852, convidado às Tulherias por aquele, deu as maiores demonstrações de mediunidade, porque o Imperador gostava de prestidigitação (ilusionismo) e acreditava que os fenômenos produzidos por Daniel e por outros eram de ilusionismo, de malabarismo. Entre as manifestações notáveis que Daniel produziu naquela noite, uma foi tomar de uma folha de papel, atritá-la, atirando-a nas labaredas da lareira, dizendo: – "Não queime". – e a folha de papel permaneceu intacta. Ele afastou-se alguns metros, e ordenou: – "Pode queimar". – e ela ardeu. Constatamos que ele a havia impregnado de energia anti-combustiva e, ao dar-lhe a ordem, a energia desgastada, não isolou o papel.” (8)
Quais as causas dos fenômenos de efeitos físicos? Qual a sua origem e sua finalidade? São questões que passaram a ocupar o pensamento do professor lionês, que passou a estudá-los levando-o às pesquisas e ao trabalho de compilação e organização da Codificação Espírita, dando origem aos cinco livros que editou usando o criptônimo de Allan Kardec.
Pelo sim, pelo não, ousemos propor uma explicação plausível para o fenômeno peculiar que consome uma pessoa por uma chama que parece vir de seu próprio corpo e transformá-la em pouco mais que um monte de ossos enegrecidos e pó. Cremos ser um processo expiatório que alcançam alguns seres humanos que invariavelmente praticaram atos impiedosos no passado, quiçá nos medievos cenários inquisitoriais; pessoas essas que incineraram impiedosamente os hereges vivos nos troncos do ódio, razão pela qual e sob o látego da Lei de Ação de Reação carregam as matrizes que liberam a materialidade de tão dantesco fenômeno.
Espera-se que um dia o mistério possa ser mais bem esclarecido, pois a autocombustão de corpos representa um dos mais complexos e atemorizantes acontecimentos paranormais da história humana.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Referências bibliográficas:
(1)           Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110923_combustao_irlanda_fn.shtml acessado em 16/11/2011
(2)           Entre as vítimas da tal “combustão humana espontânea”, consta uma proporção elevada de mulheres idosas, sedentárias, obesas e que bebiam muito. Mas a lista compreende também pessoas jovens, em boa saúde e que não bebiam, o que torna particularmente precária a explicação pela combustão do álcool e das gorduras do organismo. As listas das vítimas mostram, igualmente, uma proporção anormal de eclesiásticos.
(3)           Disponível em http://teoriadaconspiracao.org/discussion/67/combustao-humana-espontanea-che/p1 acessado em 11/11/2011
(4)           Disponível em http://teoriadaconspiracao.org/discussion/67/combustao-humana-espontanea-che/p1 acessado em 11/11/2011
(5)           Disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/correio-fraterno/boletim-2000-04.html acessado em  12/11/2011
(6)           Há alguns anos, uma modesta residência da Grande São Paulo foi literalmente destruída em decorrência de uma série continuada de fenômenos de efeitos físicos: combustão espontânea de roupas, cobertores e colchões, vidros e telhas estilhaçados por objetos atirados ninguém sabia de onde, barulhos ensurdecedores que não deixavam ninguém descansar.
(7)           Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns , Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, item 85
(8)           Entrevista de Divaldo Franco, disponível em http://grupoallankardec.blogspot.com/2011/11/combustao-espontanea-na-visao-espirita.html acessado em 11/11/11

08 novembro 2011

O PASSE NUMA SUCINTA ANOTAÇÃO ESPÍRITA


O biólogo Ricardo Monezi, mestre em fisiopatologia experimental pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, estudou a fundo a técnica de imposição de mãos [passe]. Lembramos que na atualidade o passe é empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes e aparências diversas (benção, unção, johrei, heiki, benzedura), além do quê, pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam.
Para Monezi, os dados preliminares apontam que a prática do passe gera mudanças fisiológicas e psicológicas, como a diminuição da depressão, da ansiedade e da tensão muscular, além do aumento do bem-estar e da qualidade de vida. Ressaltamos que a Doutrina dos Espíritos clarifica melhor e explica as funções do perispírito, que “é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos”(1), além de o mesmo interagir de forma profunda com o corpo biológico, razão pela qual as energias transmitidas pelo passe e recebidas inicialmente pelos centros de força(2), atingem o corpo físico através dos plexos (3), proporcionando a renovação das células enfermas.
“Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” – explica o Espírito Emmanuel.(4) Recordemos que Jesus utilizou o passe "impondo as mãos" sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente, para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado, “dispensando qualquer contacto físico na sua aplicação.”.(5)
Segundo Ricardo Monezi, “um dos centros que avaliam o assunto é a respeitada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A física atual não consegue classificar a natureza dessa força, mas vários estudos indicam que se trata de energias eletromagnéticas de baixa frequência.".(6) Tiago escreveu: “toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto”.(7) Sim, as energias magnéticas e a prática do bem podem admitir as expressões mais diferentes. Suas essências, contudo, são continuamente as mesmas diante do Soberano da Vida.
Os passes poderão ser espirituais, em função do magnetismo provindo de irmãos desencarnados que participam dos processos, e humanos, através do magnetismo animal do próprio passista encarnado. “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.”.(8) É importante explicar, porém, que o tratamento espiritual através do passe, oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico.
Infelizmente toda a beleza das lições espíritas, que provém da fé racional no poder das energias magnéticas pelo passe, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e burlescas de tratamentos espirituais atualmente praticados em algumas instituições espíritas mal dirigidas. O passe não poderá, em tempo algum, ser aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se malabarismos manuais, estalos de dedos, cânticos estranhos e, muito menos ainda, estando incorporado e, psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é prática espírita.
“O passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e naturalidade.”.(9) Na casa espírita não se admitem as encenações e gesticulações em que hoje se envolveram terapias esquisitas tais como apometrias, desobsessão por corrente magnética,“choques anímicos”, cristalterapias (poderes das pedras???), cromoterapias (poderes das cores???) e outras “terapias” mitológicas, geralmente atreladas a antigas correntes espiritualistas do Oriente ou de origem mística, ilusionista e feiticista. É sempre bom lembrar a tais adeptos fervorosos que todo o poder e toda a eficácia do passe genuinamente espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo.
Por conseguinte, na aplicação do passe não se fazem necessários a gesticulação violenta, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e que também não há necessidade de tocar o assistido. “A transmissão do passe dispensa qualquer recurso espetacular”.(10) As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante – só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente.”.(11) A formação das chamadas “correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa – condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.”.(12)
O passe é prece, concentração e doação. “A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai”.(13) Por ela, consegue o passista duas coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa: expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum durante o dia de lutas materiais; Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras de que se repleta, a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo presente ou distante do local de sua aplicação.
Em que pese aos místicos que ainda não compreendem e criam confusões ao aplicarem o passe, reconhecemos que muitos encarnados e desencarnados são beneficiados por ele, pois sabemos que é manifestação do amor de Deus, esse sentimento sublime que abarca a todos e os alivia. Importa-nos lembrar, porém, um pensamento Xavieriano: o passe, tal como terapia, não modifica necessariamente as coisas, para nós, mas pode modificar-nos a nós em relação às coisas.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências Bibliográficas:
(1)    Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(2)    Os centros de força são o Centro Coronário (se assenta a ligação com a mente que é sede da nossa consciência); .Centro Frontal (atua sobre as glândulas endócrinas, sobre o sistema nervoso); Centro Laríngeo (controla as atividades vocais, do timo, da tiróide e das paratireóides, controlando totalmente a respiração e a fonação); Centro Cardíaco (responsável por todo o aparelho circulatório); Centro Esplênico (regula o sistema hemático) ; Centro Solar ou Gástrico (responsável pela digestão e absorção dos alimentos sólidos e fluidos) ; Centro Genésico (orientador da função exercida pelo sexo)
(3)    Os plexos são constituídos pelo nosso sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais irradiantes, os chamados centros de forças.
(4)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98
(5)    Idem, perg 99
(6)    Disponível  em < http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viver-bem/cientistas-    exploram-poder-cura-energia-maos-640628.shtml > acessado em 03/11/2011
(7)    Tiago 1:17
(8)    Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(9)    Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed. Feb, 1987, cap. VI, item 54
(10)    Waldo Vierira. Conduta Espírita , ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1998, Cap. 28
(11)    Pires, José Herculano. Artigo  “O Passe” disponível emhttp://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-12.html> acessado em 07/11/2011
(12)    Idem
(13)    Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado  pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, Cap.17   

07 novembro 2011

A BANALIZAÇÃO DA IMPROBIDADE, DO ENVILECIMENTO DA ÉTICA, NUMA ANÁLISE ESPÍRITA


O jargão "jeitinho brasileiro", ou levar vantagem a despeito de tudo e de todos, irrompe-se como uma finalidade cristalizada, que se potencializa e se generaliza no contexto da organização social. O envilecimento da ética, a degeneração moral “institucionalizada” (corrupção) no Brasil tem levado alguns historiadores a tentar explicar as causas plausíveis, considerando a tese da infeliz "herança patrimonialista lusitana", a fim de dar conta de se justificar o torpe caráter de alguns desonrados agentes do estado brasileiro que fazem do bem público uma propriedade privada.
Com os escândalos divulgados pela mídia, constata-se um entrelaçamento crescente e preocupante da administração pública com as atividades delituosas, mediante um sistêmico processo de pressões, chantagens, tráfico de influência, intimidações e corrupções, com a prática do suborno e da propina, dentre outras falcatruas morais inimagináveis. A defecção moral abrange a corrupção de costumes, a falta de caráter individual ou coletivo, o desleixo administrativo ou governamental, a falta de solidariedade num grupo humano, a indiferença pela sorte alheia ou pelos interesses públicos, a tolerância condescendente de superiores às falhas dos subalternos, filhos e tutelados (nepotismos).
Esse quadro imoral talvez nos permita evocar a emblemática figura do venturosíssimo dom Manuel, que ascendeu ao trono de Portugal circunstancialmente. Nono filho do irmão mais novo do rei Afonso V, suas chances de ganhar a coroa eram nulas, mas acabou por se beneficiar das reviravoltas políticas e da sequência de mortes que tiraram de seu caminho todos os pretendentes ao trono. Investido do título e do poder real em 1495, em três anos já entrava para a História, quando o navegador Vasco da Gama abriu o caminho oceânico para as pedrarias e especiarias das Índias. Com as naus da esquadra de Pedro Álvares Cabral, dom Manuel, rei “por acaso”, alcançou o pináculo almejado por toda uma linhagem de ambiciosos monarcas portugueses.
Nesses "descasos", há meio milênio o nosso país foi parcelado em algumas capitanias e os felizardos apossaram-se de imensas porções de áreas doadas pelo “dono” das terras descobertas. Para assegurar o domínio da terra e colonizá-la, a fim de não perder as riquezas naturais (vegetais e minerais), a estratégia portuguesa foi, a princípio, degredar (premiando) os proscritos peninsulares, enviando-os para a ilha Vera Cruz (depois terra de Santa Cruz) e hoje Brasil.
Para alguns estudiosos, essa decisão estabeleceu vínculo no imaginário de tais degredados, que nestas longínquas “terras de ninguém”, selvagens, inabitadas por “civilizados” não havia leis para regular suas sanhas criminosas. E ante essa história promíscua, a prática da rapinagem tem-se repetido através dos séculos, nas plagas do Cruzeiro do Sul. Isso inspirou o patriarca da Independência (José Bonifácio), reencarnado com o nome de Rui Barbosa, o Águia de Haia, a lançar o clamor de indignação ao deparar com todas as tramóias cometidas: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".
Há alguns anos, a pensadora russo-americana Ayn Rand (1), no seu brado de indignação pronunciou: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
Há putrefação moral na política, na polícia, na justiça, na administração pública, na educação, nas diversões públicas, na família, na economia, no Direito (isto é, no antiDireitro), nos medicamentos, nos discursos/argumentos pseudocientíficos, nas igrejas, nos centros espíritas.
É evidente que ficamos entristecidos quando sabemos, seja pela imprensa ou outros meios, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações etc. Há centros que até dão uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... Imaginem! Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos etc., e os dirigentes se apropriam deles, com a maior naturalidade.
Fui agente fiscal do governo federal durante 40 anos de vida pública, constatei e autuei muitas situações deprimentes de irregularidades. Na minha experiência profissional, fico a imaginar: será que todos os que visam lucros financeiros (comerciantes de produtos espíritas que editam, difundem, vendem livros espíritas, CDs, DVDs de palestras) declaram corretamente os movimentos contábeis com os órgãos fazendários?
Que a consciência de cada um responda. Mas, em verdade, as falanges das trevas se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores são inteligentes, organizados, e vão dando um passo de cada vez, pois conhecem muito bem pontos vulneráveis das pessoas de má fé.
Quantos administram através de escritórios e gabinetes luxuosos e desviam os valores que pertencem ao povo; que elaboram leis censuráveis, para os beneficiar e aos seus parentes; que deprimem os pobres, utilizando-se de medidas especiais (de exceção), que os neutralizam; que decretam servilismo das massas ingênuas, para que abiscoitem o que lhes pertence de direito, produzindo o detrito  moral e os desarranjos psicológicos, psíquicos, espirituais.
Se quisermos viver um panorama social harmônico, devemos nos empenhar para promover uma reforma ética generalizada. Toda mudança começa em cada um de nós. Para que a sociedade melhore, cada qual deve se esforçar por se aprimorar. É imperativa a adoção de novos hábitos. Basta! De procurar levar vantagem, de fugir dos próprios deveres. Vamos, definitivamente, dar um “chega prá lá” nas mentiras, nas fraudes e na sonegação fiscal. Que se restabeleçam os valores da Ética Cristã e que se revitalize o mundo da honestidade.
Muitos se interrogam no imo da consciência: Haverá futuro promissor para uma sociedade estruturada assim como a nossa? Penso que sim! Considerando pelo lado, digamos, mais transcendente da questão, para apurar a estrutura social deste país, a tese de Humberto de Campo, contida no livro “Brasil coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, assegura um norte de esperança para todos nós. Creio que na “Pátria do Evangelho” estão sendo programadas reencarnações de almas nobres e sábias, e esse fato nos aponta para um futuro menos conturbado para as futuras gerações de brasileiros.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referência:

(1)       Ayn Rand nasceu em 1905, em São Petersburgo, Rússia. E desencarnou em 1982, nos EUA. Rand se tornou a nascente [“fountainhead”] do Objetivismo, nome que ela deu à sua filosofia. Defendia que o direito do indivíduo à sua própria vida, e aos frutos do seu trabalho.

01 novembro 2011

NÃO SAIA DE VOSSA BOCA NENHUMA PALAVRA TORPE



Os dicionaristas divergem quanto à classificação das palavras de baixo calão e de suas acepções entre ofensivas ou populares (com chancela como tabuísmo [Palavra ou expressão considerada grosseira, obscena ou ofensiva. = PALAVRÃO], chulo, plebeísmo e popular). Uma palavra de baixo calão (palavrão) é uma expressão que diz respeito ao grupo de gíria e, dentro desta, apresenta reles, impróprio, afrontoso, grosseiro, obsceno, agressivo ou depravado sob o ponto de vista de alguns conceitos religiosos ou estilos de vida.
Uma simples palavra, quando proferida nas ocasiões “certas”, seja ela de estímulo ou de desestímulo, provoca indícios, em quem ouve, de que pode reagir, positivamente, e modificar a sua maneira de pensar sobre determinada circunstância da vida. Por outro lado, a mera palavra pronunciada em momento “inadequado” pode ser motivo de grandes dores morais. Nós não estamos habituados a refletir, sensatamente, sobre a força atuante que as palavras têm. A palavra, como uma articulação de sons provenientes de um determinado pensamento ligado a emoções e sentimentos específicos, serve como um detonador prático de tudo ligado a ela.
Muitas pessoas creem que o xingar é, “apenas”, uma resposta instintiva para algo doloroso e imprevisto como, por exemplo, bater a cabeça na quina do armário, uma topada inesperada em algum obstáculo ou ainda, quando nos vemos diante de alguma frustração ou aborrecimento. Esses são os momentos mais comuns de as pessoas apelarem para as expressões de baixo calão, e muitos pesquisadores acreditam que eles “ajudam” a aliviar o estresse e a dissipar energia, da mesma forma que o choro para as crianças.
Infelizmente que há pessoas que xingam (com palavrões) o próximo e talvez ignoram que estão transgredindo o artigo 140 do Código Penal. Reflitamos sobre os fatos a seguir:
“Escola para concursos deve indenizar aluna xingada por funcionário”. A GranCursos - Escola para Concursos Públicos Ltda, foi condenada a indenizar em R$ 6 mil uma estudante que foi ofendida com palavras de baixo calão por um funcionário da instituição. A decisão do juiz do 2º Juizado Especial Cível de Taguatinga foi confirmada pela 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais. Não cabe mais recurso ao Tribunal. (1)
“Mulher condenada a indenizar por ofensas a ex-marido em público”. O caso aconteceu em Erechim. Ao deparar com o ex-marido em uma praça de alimentação, mulher passou a proferir ofensas públicas, utilizando palavras de baixo calão. O comportamento deu origem a uma ação por dano moral ajuizada pelo homem no Tribunal de Justiça. O resultado foi a condenação da ofensora a pagar indenização de R$ 1 mil por danos morais. (2)
“Juiz aplica nova lei da prisão preventiva contra militar”. O juiz da 11ª Vara Criminal de Natal, Fábio Wellington Ataíde Alves, determinou o afastamento de um soldado da unidade militar na qual trabalha, no município de Apodi, após ter sido detido embriagado e insultando em via pública companheiro de farda com palavras de baixo calão. O juiz aplicou ao caso a nova lei da prisão preventiva.(3)
“Síndica de prédio em Jacarepaguá é condenada a indenizar vizinha”. A síndica do Condomínio(...), em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, foi condenada a pagar indenização por dano moral, no valor de R$ 6 mil, por deixar uma moradora em situação vexatória e constrangedora após discussão no prédio onde ambas residem. A decisão é do desembargador Sidney Hartung, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que também determinou que as duas dividissem as despesas do processo e os honorários dos advogados. (4)
Fujamos de palavrões! O uso do palavrão, ao invés de resolver crises emocionais, remete às barras da justiça e ainda trucida a saúde espiritual do seu autor. Qualquer palavra de baixo calão é um despautério verbal e é crime.
Que de nossa boca sejam, apenas, emitidas palavras voltadas ao bem e à paz. Para esse mister, devemos intensificar o treinamento constante, pois que na vida social estamos viciados a lidar com nossa expressão verbal muito levianamente. Diz-se até que dificilmente uma pessoa comum consegue ultrapassar 5 minutos sem falar bobagens (abobrinhas), jogar conversa fora, ser completamente inútil na verbalização dos sentimentos. Lembremos, porém, que sempre seremos responsáveis pelas consequências, diretas e indiretas, das palavras que proferimos a esmo.
Quem tem sede de se aprimorar espiritualmente, deve analisar, com critério, o que verbaliza, diariamente. Espíritos elevados não se expressam de forma vulgar, pois fazem uso, unicamente, do verbo elevado. Portanto, extinguir o lixo mental é importante decisão para prosperarmos na ciência da expressão oral. As palavras são os reflexos dos pensamentos; quando pensamos com bondade e compreensão, é isso que nossas palavras refletirão.
Para Chico Xavier, “o cuidado com as palavras não era mera formalidade nem prova de educação. Tinha fins preventivos, quase terapêuticos. O uso de expressões agressivas era perigoso, arriscado. Os maus pensamentos também. Era Kardec quem ensinava: Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável”. (5)

Jorge Hessen
Site http://jorgehessen.net
jorgehessen@gmail.com

Referências:
(1) Disponível em http://tj-df.jusbrasil.com.br/noticias/2748881/escola-para-concursos-deve-indenizar-aluna-xingada-por-funcionario acessado em 01/11/11
(2) Disponível em http://tj-rs.jusbrasil.com.br/noticias/2636991/mulher-condenada-a-indenizar-por-ofensas-a-ex-marido-em-publico acessado em 01/11/11
(3) Disponível em http://tj-rn.jusbrasil.com.br/noticias/2762806/juiz-aplica-nova-lei-da-prisao-preventiva-contra-militar acessado em 01/11/11
(4) Disponível em http://tj-rj.jusbrasil.com.br/noticias/2159662/sindica-de-predio-em-jacarepagua-e-condenada-a-indenizar-vizinha acessado em 01/11/11
(5).  Maior, Marcel Souto. As Vidas de Chico Xavier”, São Paulo:  Editora Planeta, 2003
.