26 outubro 2009

ANO 2012, O FATOR MAIA E NOSTRADAMUS, MUITAS CRENDICES E PARANÓIAS

Analisemos a seguinte matéria: "Você temeria o futuro se levasse a vida de Tom Cruise, com mais de US$ 300 milhões no banco e presença garantida na lista de celebridades mais ricas do mundo elaborada pela revista "Forbes"? Então, imagine o impacto da notícia, divulgada no ano passado, de que o superastro estaria construindo um abrigo subterrâneo, de US$ 10 milhões, no terreno de sua mansão, no Colorado. Segundo o relato, publicado pela revista "Star", Cruise estaria convicto de que a Terra experimentará um contato, potencialmente devastador, com uma raça alienígena, em 2012. O ator acredita que a vida em nosso planeta vai mudar para pior ou para melhor, em 21/12/2012. Nessa data, encerra-se o calendário que era usado pelos antigos Maias no auge da sua civilização. Por isso, todo o movimento, envolvendo o ano de 2012, é chamado, genericamente, também, de "Profecia Maia". (1)
Essa crendice estúpida é o ponto culminante de um processo que começou há duas décadas. Em 1984, o americano José Arguelles publicou "O Fator Maia". Nele, mesclava seus estudos, sobre o fim do calendário Maia, com suas próprias idéias agourentas. O autor se inspirou em um livro de ficção. Arguelles disse que a data marcaria o fim do ciclo do Homo Sapiens e o início de uma época, ecologicamente, mais harmoniosa. Conclamou os leitores a se reunirem, em várias partes do mundo, nos dias 16 e 17 de agosto de 1987, para meditar e rezar, dando um pontapé inicial para o grande dia que estava, ainda, há 25 anos da tal crendice absurda imaginada para o futuro. Esse evento, batizado de Convergência Harmônica, atraiu grande atenção da mídia americana e ganhou o apoio de celebridades como a atriz Shirley McLaine." (2) Sabemos, no entanto, que "os bons Espíritos nunca determinam datas. Portanto, a previsão de qualquer acontecimento, para uma época determinada, é indício de mistificação.



Convivemos, atualmente, com uma "hecatombe" de informações agourentas, passíveis de causar muita confusão. Para escrever este texto, li um estranho livro destinado, exclusivamente, às profecias de magos, videntes, adivinhos e profetas de várias religiões e seitas. O enfoque do livro foi o ano 2012, como data fatídica, em que a humanidade irá sucumbir por catástrofes terrestres ou vindas do espaço. Entre outras "pérolas", no livro, encontrei que, segundo previsão dos Maias, “a Quinta Era do Sol, que vivemos, acabará em 20 de dezembro de 2012, em meio a catástrofes naturais". Em estudos realizados por astrônomos, sobre aproximações perigosas de asteróides, há, realmente, uma previsão, baseada em estudos científicos, que diz o seguinte: A força gravitacional da Terra pode atrair um grande asteróide, de nome 2004 MN4, o que poderá provocar uma forte colisão entre ambos, por volta de 2034. (sic...)
Na Idade Média, eram comuns as previsões esquisitíssimas provindas da Igreja, enfocadas em catástrofes climáticas, miséria, epidemias, eclipses e cometas imprevistos. Ressalte-se que maremotos, ciclones, erupções vulcânicas, asteróides, cometas, mudanças climáticas e o aquecimento global, tanto em evidência hoje, são catástrofes naturais que fazem parte da história do planeta. Existiram em todas as épocas e continuarão existindo.
Atualmente, profecias, notadamente as de Nostradamus, são lembradas e citadas até o limite do intolerável. Um mau agouro paira sobre as mentes mais frágeis. Nesse frenesi, cada seita, com seu cortejo de fanáticos, já estabeleceu sua agenda para o tal "Juízo Final."
As "revelações" nostradâmicas foram escritas no Século XVI - quase sempre pessimistas - e estão reunidas em alguns volumes, notadamente, com uma linguagem empolada, cujo título da obra é: "As Centúrias". Alguns nostradâmicos de plantão interpretaram que a destruição e a fome estariam marcadas para setembro de 1999. Outros neurastênicos acreditam que o ano 2012 será palco de destruição inimaginável. Outros alienados dizem que Nostradamus prevê o fim do mundo, somente, no ano 3797.
Subliminarmente, alguns desavisados ficam assustados com a passagem do tempo, esquecendo-se de que a nossa contagem cronológica é, totalmente, arbitrária. O Universo está pouco se lixando com a maneira de como dividimos e contamos o tempo. Para os fanáticos, que fixam datas para acontecimentos futuros, sugiro que prestem bastante atenção para o seguinte fato real: O nascimento de Jesus é o episódio que, tradicionalmente, demarca o início da Era Cristã. Porém, por força de um erro de cálculo, cometido no Século VI d.C., pela Igreja, as datas não coincidem. Sabe-se, atualmente, que Jesus nasceu antes do ano 1, provavelmente, entre 6 e 5 a.C. Pode-se afirmar isso, com razoável segurança, graças à narrativa muito precisa do Evangelho de Lucas. Segundo o evangelista, o fato aconteceu na época do recenseamento, ordenado pelo Imperador romano, César Augusto. Esse censo, o primeiro realizado na Palestina, tinha por objetivo regularizar a cobrança de impostos. Os historiadores estão de acordo em situar tal fato político no período que vai de 8 a 5 a.C.
Curiosamente, a enciclopédia O Mundo do Saber, Editora Delta-Volume I, (3) registra: Jesus nasceu em Belém-Judéia, em 4 a.C. Ante muitas controvérsias sobre a questão, colhemos informes, no seio da própria Igreja, de que, no Século VI, (525 a D.), o Sacerdote Dionísio, fanático por matemática, e recebendo a incumbência de "descobrir" a data exata do nascimento do Cristo, fixou-a no ano 754, do calendário romano; (4) conclusão, essa, que foi aceita pela cúpula da Igreja Católica. Acontece, porém, que o Clérigo Dionísio começou a pesquisa, partindo de uma premissa equivocada, pois manteve como referência o batismo do Mestre, ocorrido em 150, ano do governo do Imperador Tibério César, (5) e tinha absoluta convicção, à época, de que o imperador romano iniciou o governo no ano 14; a conclusão foi "lógica": 14+15=29, onde tentou buscar confirmação no Novo Testamento, quando Lucas, no Capítulo III, versículo 23, registra ter sido Jesus batizado com 29 anos de idade (!!?...).
Outro fato histórico relevante, é que Tibério César governava o Império desde o ano 9 d. C.; logo, o equívoco do padre matemático subtraiu alguns anos da história cristã, cronologicamente, regida pelo calendário gregoriano.(6) Aliás, erro já, devidamente, assumido pelo Vaticano. (7)
Existe outro fator que comprova o erro de cálculo de Dionísio: sabemos, pela tradição dos textos das escrituras, que Herodes, o Grande, quando teve notícia do nascimento do Cristo, ordenou a matança de todas as crianças nascidas, nos dois últimos anos, em Belém e cercanias da Judéia. Na ocasião, Maria e José, pais de Jesus, refugiaram-se em outro país (Egito). Ora, a História se encarrega de registrar que Herodes morreu, exatamente, no ano em que nasceu Jesus (mesmo ano da ordem do infanticídio generalizado); logo, pelos dados que possuímos, considerando-se o calendário de Roma, e se Jesus era, de fato, um recém-nascido, à época da matança, atualmente estaríamos, pelo menos, em 2014 pós-Jesus.
É bem verdade que o Século XX foi marcado por grandes tragédias ligadas ao apocalipse. Começou em 1910: a Terra iria (como aconteceu) atravessar a cauda do cometa Halley e a presença do mortífero gás cianogênio mataria todos. Ninguém morreu intoxicado com o gás. Sob o pavor do final dos tempos, na noite de 18/11/1978, em Jonestown Guiana, 900 pessoas, cabrestadas pelo pastor Jim Jones, líder da seita Templo do Povo, morreram ao ingerir suco com cianureto. Em Uganda, o líder de uma seita, Joseph Kibweteere, prognosticou que o mundo acabaria no dia 31/12/1999. Como isso não ocorreu, adiou para o ano seguinte. No dia e hora marcados, o templo, bem como todas as pessoas, foram envolvidos em combustível e 470 pessoas foram carbonizadas, inclusive, 50 crianças. No ano de 1993, em Waco, Texas, EUA, 70 seguidores da seita Ramo Davidiano morrem carbonizados no Rancho do Apocalipse. Em 1995, um culto do Juízo Final, liderado por Shoko Asahara, do grupo Verdade Suprema, obcecado pela idéia do fim do mundo, lançou um gás tóxico no metrô de Tóquio, envenenando centenas de pessoas inocentes e estranhas à seita. Em março de 1997, dezenas de corpos, de homens e mulheres, que pertenciam à seita Higher Source, liderados pelo Pastor Marshall Applewhite, suicidaram-se, acreditando que suas almas encontrariam uma nave voadora, esperando por eles na cauda do cometa Hale Bopp, e que os levaria a outro planeta.
O mundo atual, dominado por incerteza, insegurança, pobreza e desigualdades sociais, continuará a alimentar seitas apocalípticas, passíveis de causar grandes tragédias. Fanáticos religiosos, utilizando a Internet, poderão estabelecer um clima de apreensão e pavor. Aprendamos, pois, com o genial lionês, Allan Kardec, que "os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus. E os cataclismos, algumas vezes, têm uma razão de ser direta para o homem. Entretanto, na maioria dos casos, têm por objetivo o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da natureza." (8)
Os pessimistas insistem em considerar que a maneira, negativa e sombria, de perceber as coisas do mundo é uma maneira realista de viver. Não concordo. Na verdade, se olharmos a vida com muita emoção (distantes do raciocínio), vamos encontrar motivos que nos abatem os ânimos em qualquer lugar e em qualquer situação; crianças carentes, fome universal, guerras, violência urbana, sequestros, carestia, insegurança social, corrupção, acidentes catastróficos e por aí afora. Entretanto, é um dever para com nosso bem-estar estarmos adaptados à vida, com tudo que ela tem de bom e de ruim, sem, obviamente, cruzarmos os braços diante das situações.
Em verdade, a "forma empregada, até agora, nas predições faz, delas, verdadeiros enigmas, as mais das vezes indecifráveis. [absurdos] Hoje, as circunstâncias são outras; as predições nada têm de místicas. São, antes, advertências do que predições propriamente ditas. A humanidade contemporânea também conta com seus profetas. Mais de um escritor, poeta, literário, historiador ou filósofo hão traçado, em seus escritos, a marcha futura de acontecimentos a cuja realização, agora, assistimos." (9)
Recordemos sempre que a prática dos códigos evangélicos é a condição intransferível que determinará a grande transformação social, política e econômica do porvir. Nessa esteira, haverá de ser o final do "mundo velho", desse mundo regido pela desmesurada ambição, pela corrupção, pelo aniquilamento dos preceitos éticos, pelo orgulho, pelo egoísmo e pela incredulidade. Por isso, cremos que a Terra não se transformará por meio de um cataclismo e outras tragédias que destrua, de súbito, uma geração. A atual sociedade desaparecerá, gradualmente, e a nova lhe sucederá, sem a derrogação das leis naturais, conforme preceitua o Espiritismo.

Jorge Hessen

E-Mail: jorgehessen@gmail.com

Site: http://jorgehessen.net

Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com







FONTES:

(1) Fonte: Revista Galileu - Edição 206 - Setembro de 2008 - Por Pablo Nogueira

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001

(3) Enciclopédia O Mundo do Saber, Editora Delta-Volume 1

(4) 2761 anos já se transcorreram a partir da fundação de Roma

(5) Cf. Luc. 3: 1 a 6

(6) O calendário gregoriano, aceito nos nossos dias em praticamente todo o mundo, só passou a vigorar a partir de 1582, quando foi promulgado pelo Papa Gregório XIII, tendo posteriormente sido gradualmente aceite por todos os países.

(7) Tibério César sucedeu Augusto que morreu no dia 19 de agosto do 767 da fundação de Roma, 14 da nossa era, quando assumiu de fato o título de César e começou a governar. Portanto, João começou a pregar no ano 28. O batismo de Jesus, antes da Páscoa de 29, estava com 35 anos. E na crucificação ocorrido no ano 31 da nossa era, 784 da fundação de Roma, Jesus tinha 38 anos de idade.

(8) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2004

(9) Kardec, Allan "A Gênese", Cap. XVI, item 17, 16ª ed., FEB/a973-RJ.




25 outubro 2009

A LUZ HUMANA


Disse-nos o Cristo: "brilhe vossa luz”. (1)
Cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, atestam, conforme artigo publicado na revista científica Plos One, que o corpo humano, literalmente, brilha, especialmente, a área do cérebro (núcleo da vida mental), que emite luz visível em pequenas quantidades e que variam durante o dia. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o organismo emite luz visível, mil vezes menos intensa do que podemos perceber a olho nu.
Na realidade, praticamente, todos os seres vivos emitem uma luz muito fraca, que pode ser um subproduto de reações bioquímicas, dizem os estudiosos. Quando algumas reações químicas exotérmicas ocorrem, a parte da energia liberada se transforma em energia luminosa. 
O emissor de luz se mantém frio, à temperatura do meio onde se encontra. Esse fenômeno é denominado luminescência química. Vejamos um exemplo: no Verão, na floresta, durante a noite, é possível ver um curioso inseto - o pirilampo (vaga-lume). O seu corpo irradia uma intensa luz esverdeada. Essa luminosidade não queima os dedos, se apanharmos um vaga-lume. A mancha luminosa que se encontra no dorso do pirilampo tem, praticamente, a mesma temperatura que o ar à sua volta. A propriedade de se iluminarem é encontrada, também, em outros organismos vivos, a exemplo das bactérias, dos insetos e muitos peixes, que existem a grandes profundidades, onde a luz solar não alcança. Em tempo de progresso sustentável do planeta, lamentavelmente, até agora, não foi possível construir emissores econômicos da luz, baseados nos princípios da luminescência química.
Há um grupo de pesquisadores brasileiros que conseguiu entender como determinadas enzimas podem adquirir bioluminescência, ou a emissão de luz visível por organismos vivos. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Photochemical & Photobiological Sciences, em artigo que traz informações inéditas sobre a estrutura e funções dessas enzimas luminescentes.  
Sobre a luz humana, "descoberta" pelos japoneses, ela difere da radiação infravermelha (que é uma forma de luz invisível - que vem o calor do corpo). Os cientistas nipônicos trabalharam com câmeras muito sensíveis, capazes de detectar um único fóton (partícula elementar mediadora da força eletromagnética). Cinco voluntários sadios, do sexo masculino, foram colocados em frente às câmeras e em quartos, completamente, escuros. A exposição foi realizada de três em três horas, durante 20 minutos - das 10 às 22 horas - por três dias. No estudo, verificou-se o fato curioso, como dissemos acima: na região do cérebro, o brilho era mais intenso do que no resto do corpo.  
Em verdade, o sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitem luminescência particular, e, justapondo-se ao cérebro, a mente surge como esfera de luz característica e oferece, a cada pessoa, determinado potencial de radiação. O pensamento, que é força criativa, a exteriorizar-se, da criatura que o gera, por intermédio de ondas sutis, em circuitos de ação e reação no tempo, é tão mensurável como o fóton que, arrojado pelo fulcro luminescente que o produz, percorre o espaço com velocidade determinada, consoante explica o Espírito André Luiz. Os cientistas Niels Bohr, Max Planck e Albert Einstein erigiram novas e grandiosas concepções de irradiação da luz. O veículo carnal, a partir desses três expoentes da ciência, não é mais que um turbilhão eletrônico, regido pela consciência, ou seja, cada corpo tangível é um feixe de energia concentrada. A matéria é transformada em energia, e esta desaparece para dar lugar à matéria.
O tema nos remete a refletir sobre a aura humana que tem sido investigada, há muito tempo, por médicos, cientistas e investigadores psíquicos. No século XIX, o Barão Von Reichenback, químico austríaco, revelou pesquisas que o fizeram verificar a realidade da emanação de energia [que poderia ser chamada aura ou od], pelos ímãs, pelos cristais e pelos seres humanos. À época, o médico e cientista norte-americano, James Rhodes Buchanan, descobriu que havia emanação pelo corpo humano, através das mãos e condicionada pela mente, de uma aura nérvica e que todo o objecto que pegassem, de qualquer época, mesmo a mais remota, poderia ser, nele, identificada e interpretada. Tal fenômeno denominou-se de Psicometria. Em 1852, o médico inglês, Benjamin Richardson, proclamou a existência daquela atmosfera nérvica e que se irradiava à volta do corpo humano.


Collongues, psiquista francês, inventou o Dinamoscópio, aparelho que se destinava a provar a existência de irradiações pelo corpo humano vivo em contraposição ao fenômeno do estado não vibratório da morte. Em 1872, criou o Bioscópio para provar a existência de uma irradiação vital pelo corpo humano. O Conde Albert de Rochas, de 1887 a 1896, publicou, em duas obras, o resultado de suas pesquisas, a que chamou "Exteriorização da sensibilidade e exteriorização da motricidade, pelo corpo do ser humano” (1891 - O Fluido dos Magnetizadores; 1895 - A Exteriorização da Motricidade).

“A. Fanny", físico suíço, deu, à irradiação em volta do corpo humano, o nome de Anthroproeux (do grego anthro - homem e phlus - fluir, emanar), isto é, emanação humana; Sydney Alrutz, médico sueco, comprovou a realidade da irradiação de fluido magnético pelo ser humano, principalmente, através das extermidades digitais. Semion e Valentina Kirlian, casal de cientistas da antiga União Soviética, por volta do ano 1939, idealizaram um aparelho para fotografar a irradiação da energia vital, expandida pelo ser humano - A Bioenergia - método que depois estendeu aos animais e vegetais, conhecido como Efeito Kirlian. No entanto, só em 1974 foi reconhecido seu invento e autorizada a patente pelo Presidium do Soviete Supremo."(4)

Todos os seres vivos, dos mais rudimentares aos mais complexos, revestem-se de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza. É irradiação provinda da vitalidade dos tecidos vivos, tanto vegetais quanto animais. Este fato pode ser comprovado, cientificamente, pelos processos Kirlian, onde experiências realizadas, demonstram que a aura envolve corpos celulares de vegetais e animais, e que esta irradiação está diretamente ligada à atividade celular, forte e radiante em uma folha viva, por exemplo, e enfraquece e definha à medida que a atividade celular desta reduz.

Tendo como fonte as teses do Espírito André Luiz, cientificamos que, no homem, semelhante irradiação surge, profundamente, enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, modelam-lhe, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.

Na Aura humana, há determinada conjugação de forças físico-químicas e mentais peculiar a cada indivíduo, assemelhando a espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas idéias se evidenciam, plasmando telas vivas.

Chamemos de fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos e que atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedoras ou deprimentes.

Pelo exposto, observamos que cada um de nós exterioriza o próprio reflexo nos contatos do pensamento a pensamento, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais. Por essa razão, os Espíritos, facilmente, identificam os valores da individualidade humana pelas irradiações luminosas que emitem, emanações essas que, invariavelmente, têm relação direta com a moralidade, o sentimento, a educação e o caráter claramente perceptíveis, através da aura que carregamos ao nosso redor.




Jorge Hessen
 
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

FONTES:



(1) (Mt. 5:16)
(2) Um nanômetro equivale a 1,0 × 10 - 9 metros [ou um milionésimo de milímetro]. É uma unidade de comprimento do SI (Sistema Internacional de Unidades), comumente usada para medição de comprimentos de onda de luz visível (400 nm a 700 nm), radiação ultravioleta, radiação infravermelha e radiação gama, entre outras coisas.
(3) comparemos estes números com a faixa de 20 a 20.000 Hz do som audível para o ser humano. A luz do Sol, localizado a cerca de 150 milhões de quilômetros, atinge a Terra após viajar cerca de 8 minutos pelo vazio do espaço, a uma velocidade de 300.00 km/s.
(4) Disponível no site http://www.nervespiritismo.com/passe_magnetico_04.html
(5) Resumo de algumas teses de Andre Luiz através das suas obras.







22 outubro 2009

O CENTRO ESPIRITA NÃO É MANICÔMIO DE ILUDIDOS


O Centro Espírita precisa ser, definitivamente, compreendido como um local de esperança na densa noite das angústias e dores humanas, por ser o ponto focal da mensagem do Consolador Prometido. Porém, é, exatamente, nas casas espíritas, onde o Movimento Espírita deve se consolidar, que acontecem as mais equivocadas práticas "doutrinárias".

Um gravíssimo problema desse processo decorre daqueles que assumem responsabilidades com a direção dos trabalhos, sem os obrigatórios recursos morais, culturais e doutrinários. Confrades que introduzem práticas inoportunas nos núcleos espíritas, tais como: preces cantadas, paramentos especiais (terno e gravata, roupas brancas, etc.), debates de política partidária, jogos de azar (bingos, rifas, tômbolas, etc.), e, até, desfiles de moda, são irmãos que sedimentam a confusão doutrinária nos solos, impondo idéias absurdas como se fossem princípios espíritas, e sempre aceitando "novidades" e "revelações" não comprovadas. Isso, sem citarmos a publicação de livros anti-doutrinários, por meio dos quais se promove a exaltação da fantasia mediúnica.

O Espiritismo não comporta "terapêuticas" nas Casas Espíritas, como: piramideterapia, cristalterapia, cromoterapia, musicoterapia, hidroterapia, desobsessão por corrente magnética, apometria, choques anímicos, etc. Enxertá-las nas Iinstituições Espíritas, como se prática Espírita fossem, é atitude irresponsável de pessoas autoritárias.

Sabemos que a Doutrina Espírita é princípio máximo da liberdade de pensamento. Inexistem proibições no bojo dos conceitos doutrinários, e, por isso, sentimo-nos mais livres, até porque, não devemos explicações de conduta ou comportamento, pois a consciência individual é nosso guia. Todavia, sabemos que as conseqüências de nossas atitudes, inevitavelmente, advirão, tanto no bem como no mal proceder. Porém, do fato de cada um cuidar da própria conduta, será que ninguém tem o direito de cobrar uma mudança de comportamento mental dos que insistem no erro na Casa Espírita? É redundante dizer que numa Instituição de orientação Espírita devemos aprender a conviver na diversidade, na pluralidade, respeitando peculiaridades, diferenças e necessidades das mais diferentes áreas de trabalho, considerando, principalmente, as individualidades. Todavia, creio ser imperioso colocar a causa acima do indomável pendor místico, do personalismo e do autoritarismo.

A ausência de comprometimento e fidelidade à Doutrina Espírita é visível neste momento crucial. Como disse acima, a prática doutrinária vem sendo substituída por práticas exóticas e, necessariamente, malsãs, ocasião em que sobressaem muitos interesses escusos e pessoais, perturbando o dia-a-dia e a demanda do serviço da Casa Espírita.

Urge colocar a necessidade de estudo, juntamente, com análise e avaliação dos trabalhos executados, no Centro, em nome de Jesus e Kardec. A Terceira Revelação deve ser estudada incansavelmente; deve ser analisada e praticada em toda a sua extensão, em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional e social.

No trabalho em grupo, o individualismo prejudica, inequivocamente, o trabalho de equipe e não se logra sucesso nas atividades em desenvolvimento. Destarte, é imprescindível que medidas sejam, antecipadamente, estabelecidas para que o personalismo exacerbado não prejudique o conjunto, que deve primar, a cada dia, pelo aprimoramento de todos e das atividades do Centro.

O Centro Espírita será o que dele fizermos. A propósito do tema mediunidade, importa esclarecer que o seu exercício não admite atitudes levianas, nem comporta insensatez nas suas expressões. Exige, sim, um estudo contínuo dos seus mecanismos. Infelizmente, o projeto socorrista dos médiuns está sendo preterido pelo "vedetismo", fruto da falta de conhecimento, da ignorância e, até, da irresponsabilidade de dirigentes e cúmplices desatentos. Não custa lembrar que a prática Espírita sem a devida base moral será, inevitavelmente, uma incursão permanente no mundo do erro e, conseqüentemente, das sombras.

O Centro deve ser uma escola no sentido absoluto da palavra, isto é: destinado a formar e edificar almas, educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores, pois todos são aprendizes, enquanto o Mestre é Jesus. Por isso, quem está,  moralmente, mais preparado para ensinar, não pode ser aquele que passa o conhecimento de modo autômato e sem compromisso sério, que instrui quem está menos adiantado, caracterizando a Doutrina Espírita como sendo uma simples informação a transmitir.

O Centro Espírita não pode ser tomado como simples local onde se atendem Espíritos desencarnados, administra-se a caridade dativa, toma-se água fluidificada e aplicam-se passes. Tudo isso faz parte e é, altamente, relevante. Todas essas atividades devem ser associadas a uma programação educativa e com processos pedagógicos e didáticos adequados a cada tipo de ação. Desse modo, os Centros Espíritas se elevam ao nível das agências clássicas do lar, do templo e da escola convencional, para alcançarem a extensão transcendental de verdadeiras academias de formação espiritual e não manicômio de iludidos.

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

18 outubro 2009

O MÉDICO ESPÍRITA ANTE A MEDICINA DE MERCADO

No século passado (XX), a medicina dos horizontes ocidentais se transformou em gigantesco negócio. Por isso, consigno algumas observações pontuais sobre a preocupante mudança do status do médico à medida que a relação entre pacientes e profissionais da saúde deixou de ser pessoal e passou a ser comercial. Em épocas recuadas, na maioria dos casos, o médico era muito mais do que um amigo (era quase membro da família) que conhecia bem o paciente com quem dialogava e dedicava atenção. O juramento de Hipócrates era sacralizado para esses profissionais que prezavam posturas éticas.  Porém, lamentavelmente, os tempos mudaram. Atualmente, os médicos, em sua maioria, são mal remunerados, obrigando-os a assumir vários empregos (fazer bicos?...). Justificam que essa foi a principal razão de a relação mais próxima com seus pacientes ter mudado significativamente.  
Como se não bastasse, frequentemente, as empresas estão anunciando consórcios ou parcelamentos dos honorários médicos relativos a tratamentos complexos como cirurgias, basicamente, as estéticas. Perplexo, observo a propaganda abusiva anunciada nos panfletos, outdoors, jornais e mídia eletrônica, de empresas, ofertando inúmeros planos de financiamento para cirurgias plásticas. São anúncios do tipo: Promoção: “Redução de abdomem, em 24 vezes de R$ 200,00”. (1) Existem clínicas e profissionais que compram, a peso de ouro, horários em canais de televisão para, simulando reportagens, fazerem merchandising (2) dos tratamentos que prometem verdadeiros "milagres" para os pacientes. Vejo, nesse contexto, que, de fato, a ética foi abandonada e emergiu um panorama típico de deplorável mercantilização da ciência médica. (3) 
Por que, hoje, os médicos em geral, seja na academia ou na prática particular, pensam mais nos cifrões do que na saúde do paciente? Os alunos de medicina estão sendo coagidos a uma cultura, cuja técnica-profissional é vista, cada vez mais, como habilidade, unicamente, para fins financeiros. Creio que, se os governos garantissem aos médicos uma remuneração do Estado, a prática dessa ciência seria menos execrável quanto a se verem como homens de negócio.
É óbvio que há exceções, pois há aqueles que ingressam na medicina por estímulos intelectuais, por natural vocação, pelo desejo de desenvolver relações com pacientes, e não para avolumar suas receitas, apenas. Todavia, cresce, cada vez mais, o número de profissionais, tentando vender sua prática ou negociando com os hospitais, empregos, equipamentos ou auxílio financeiro. Sei que inúmeros profissionais da saúde possuem seus próprios equipamentos de exame, e solicitam, desnecessariamente, que mais exames passem por esses aparelhos de finalidades específicas.
O tema é complexo, não resta a menor dúvida, e exige profundas discussões bem fundamentadas e consistentes. Não cabem fórmulas simplistas nem abordagens oportunistas sobre situações pontuais. Para mim, a mais nobre das profissões - a medicina - é recheada de encanto, importância social e apreço. Para que a medicina se faça representar por pessoas dignas dessa profissão, o candidato precisa ter muitas virtudes, ter moral ilibada, ser sábio, tolerante, esforçado, ético, fraterno, incansável, estudioso, dedicado, lógico, honesto, diligente, rápido, benevolente, humano, correto, cortês, compreensível, sensível, desprendido, justo, competente e calmo. Por acaso, conhecemos alguém com essas qualidades todas?  O aspirante a médico tem que fazer uma escolha desde muito cedo. Deve ser esculpido para o sacerdócio. Num curso de medicina, recebe-se um conteúdo gigantesco. Nenhum outro curso superior, no Brasil, tem maior carga horária, na graduação, do que o curso de medicina. Terminada essa etapa, o incipiente médico parte para a especialização, que consome, pelo menos, mais 50% do tempo da graduação. Depois de tanta dedicação, é inserido no mercado de trabalho e precisa ser remunerado como qualquer profissional. 
Entendo que a conotação sacerdotal, tanto difundida, deve ser entendida como o esforço hercúleo que o médico faz para exercer sua profissão, em condições adversas, como bem sabemos. Não quero condenar a ótica comercial que esta relação de negócios exige nos dias de hoje. Alguns médicos estabelecem seu próprio consultório. Instrumentaliza-o, equipa-o, paga todas as taxas e impostos, enfim, está no mercado de trabalho.  Muitos correm atrás de pacientes. Hoje, a primeira porta a bater é a do convênio. 
De forma comercial, visando crescer seus ganhos financeiros, negociam valores ínfimos, condições de pagamento, prazos flexíveis, limites de exames complementares, etc.. Diante do paciente sem convênio, é a mesma conversa. Negociam valores, prazos, parcelamentos e, não raro, confunde-se assistência médica com medicina de resultados, aplicando os preceitos contidos no Código de Defesa do Consumidor, alegando-se que a medicina é uma prestação de serviço como outra qualquer. 
O médico é um sacerdote da vida, ou um comerciante da saúde? Talvez, nem um, nem outro. O médico deve ser visto como um profissional técnico como outro qualquer, que necessita ser remunerado pelo seu trabalho, pois é dele que sobrevive. Porém, por lidar, diretamente, com a dor, seja ela física, emocional ou psicológica do ser humano, e tantas vezes conseguir livrá-lo do sofrimento, recai sobre o médico a nuance de ser, ele, um sacerdote, um pai, um amigo, um anjo que salva, alivia e traz o bálsamo - situações, essas, incompatíveis com a ‘profana’ contraprestação pecuniária. 
Apesar dos pesares, cremos que a prática do médico espírita, pelo menos, deve inspirar-se e se alimentar nos ensinamentos de Jesus. Não deve ser realizada de forma, exclusivamente, mercantilista, ambiciosa, aleatória, mística, fanática, imposta pelo mercado dos tempos modernos (lembro aqui que Bezerra de Menezes receitou, gratuitamente, diversas vezes), porém, dentro de uma obediência às leis naturais, que têm origem nas mesmas fontes dos princípios científicos. A prática do médico espírita, pelo conjunto de fatores que o sustenta, deve ampliar-se, instrumentalizar-se e se cercar de elementos de ordem ética-cristã, sempre. Concluindo, deixo a minha esperança de que o médico espírita consciente (não só médicos, mas advogados, professores, engenheiros, dentistas, etc., etc. e etc.) seja exemplo para a medicina que, lamentavelmente, perde-se nos cipoais do capitalismo explorador e excludente.

Jorge Hessen
Site http://jorgehessen.net
email jorgehessen@gmail.com

Referência:

(1) A Resolução n.º 1.835/08, editada pelo Conselho Federal de Medicina, estabelece ser vedado ao médico ter vínculo de qualquer natureza com empresa que anuncie e/ou comercialize plano de financiamento ou consórcio para procedimento médico, sendo que o exame, diagnóstico, indicação de tratamentos e execução de técnica são de responsabilidade única e intransferível do profissional médico, o qual deve estabelecer os honorários observando o contido no Código de Ética Médica.
(2) Apesar de ser proibido fazer esse tipo de atividade conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor
(3) O artigo 9.º, do Código de Ética Médica, determina expressamente que a medicina não pode, em qualquer circunstância ou de qualquer forma, ser exercida como comércio.