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  • sábado, 13 de junho de 2009

    CENTRO ESPÍRITA NÃO COMPORTA JOGOS DE AZAR


    Toda casa espírita deveria consignar nos seus estatutos a IMPOSSIBILIDADE TOTAL de receber doações de origem duvidosa, quais sejam: fruto de JOGOS DE AZAR, sortilégios, contravenção ou congêneres subsídios de origem político-partidária, etc.
    Destacamos, por oportuno, o perigo de quaisquer jogos, pois podem se tornar um vício, colocando sob suspeita a credibilidade da casa, e abalando a tranqüilidade e harmonia de seus freqüentadores. Convém lembrar, igualmente, que os Centros Espíritas, voltados a essa prática, hospedam irmãos da espiritualidade nada convenientes aos serviços fraternos que a casa oferece. Alguns dirigentes adoram jogar, porém, é importante lembrá-los de que, muitas vezes, é a compulsividade pelo jogo, que a psiquiatria define como: jogadores patológicos. Segundo pesquisas, a doença do jogo compulsivo atinge mais de 10% da população mundial.
    Todos os vícios são, invariavelmente, danosos ao crescimento espiritual da criatura. Hoje, tornou-se "modismo" o hábito da jogatina. É loteria disso, é loteria daquilo, e, por aí vai.
    No Brasil, há 60 anos, desde o Governo Eurico Gaspar Dutra, os JOGOS DE AZAR são proibidos. Explorá-los é contravenção penal.
    O recente fechamento de todos os bingos existentes no Brasil, através de uma Medida Provisória, não ocorreu da forma que era de se esperar, mas foi uma medida correta. Pôs fim, por vias transversais, a uma prática, comprovadamente, ilegal.
    O universo da contravenção é, extremamente, perigoso. Tolerar sua prática, por se tratar de um delito menor, enriquece a imoralidade. A tolerância com relação ao jogo do bicho, por exemplo, na Cidade Maravilhosa, já incitou outras áreas à ilegalidades mais graves. De concessão em concessão, é muito fácil chegar a um verdadeiro caos da condição humana.
    Afirma-se que o Governo estimula o jogo (legal). Cita-se a sena, a megasena, a quina, etc. Lembremos que nem tudo que é legal é moral, muito embora essa diversidade de jogos seja permitida. Não são poucas as imoralidades legalizadas, como, por exemplo, as eutanásias, os abortos, a pena de morte, o que a sociedade aprova, porque os governantes, embriagados pelo poder a qualquer custo, engendram os dispositivos de legalidade.
    Os chamados jogos de azar, nos centros espíritas, contrariam os princípios cristãos, pelos efeitos nefastos que provocam aos seus invigilantes jogadores. Não podemos compactuar com o desculpismo de ocasião, que estimula o ânimo dos dirigentes das casas espíritas, promovendo rifas e jogos, numa estranhíssima justificativa de que as finalidades são "justas". Até, mesmo, para "fins beneficentes", não se justificam os meios comprometedores, consoante admoesta André Luiz, em sua maravilhosa obra, "Conduta Espírita", publicada pela FEB.
    É certo que a Doutrina Espírita não pactua com quaisquer proibições em suas hostes, desde que observadas as advertências dos Benfeitores, quanto aos malefícios que os vícios (no caso, os jogos) causam aos que a eles se afinizam e se entregam. Devemos registrar, SIM, nos estatutos da casa espírita, o famoso "fica vedado" tal ou qual coisa, pois, não faltará quem sugira a divisão da doutrina em: Espiritismo Conservador e Espiritismo Liberal, tal qual vem acontecendo - sabemos - com outras religiões, que a cada dia perdem adeptos e, conseqüentemente, força. Não é certo que "a união faz a força?"
    Para se angariar recursos, visando obras transitórias das edificações materiais, a experiência tem mostrado que podemos pegar a charrua do esforço REDOBRADO e promovermos os tradicionais almoços fraternos, exibições de fitas cinematográficas, bazares, festival da torta, festival do sorvete, etc.. Se alguém se dispuser a doar para a instituição um bem de expressivo valor (terreno, casa, carro, jóias), a fim de ser revertido em dinheiro para obras assistenciais, esforcemo-nos por vendê-lo a preço de mercado, lembrando sempre o que a sabedoria popular proclama: "o 'pouco' com Deus, é 'muito'!"
    Qualquer projeto para futuras obras tem que estar atrelado a um estudo prévio de viabilidade, consoante reza o bom senso, pois só devemos tocar avante uma empreita qualquer, depois de esgotadas todas as discussões com um profundo rastreamento das dificuldades reais, após concluirmos ser ou não factível o projeto.
    Voltando à questão do jogo de azar, se pessoalmente alguém quiser entrar numa casa lotérica e tentar a "sorte", o problema é particular de cada um, isso é claro, mas se quiser levar essa mazela para a comunidade espírita, a questão muda de figura. A partir daí, alguém precisa levantar a questão em benefício dos postulados kardecianos. A despeito de quaisquer pretextos, uma instituição espírita não comporta, em suas instalações, rifas e jogos de azar.
    Na condição de escritor, sei, perfeitamente, que é muito fácil julgar as consciências dos outros, identificar os erros do próximo, reprovar as imperfeições dos confrades, corrigir os equívocos alheios, aconselhar o caminho reto, etc., etc.. Sei, também, que não é fácil corrigir as nossas próprias deficiências e, se nos distrairmos, em tais projetos de reforma íntima, não passamos de aprendizes, que fugimos, incautos, à verdade e à lição. Isso não equivale a dizer que dispensamos a ajuda mútua, de irmãos que somos, através de críticas construtivas, para que despertemos nossas energias adormecidas, as mais profundas, a fim de que os ensinamentos do Cristo não sejam, para nós, uma bênção que passa célere e sem proveito pela nossa vida, por não aceitarmos as oportunas advertências de melhoria.






    Jorge Hessen
    E-Mail: jorgehessen@gmail.com
    Site: http://jorgehessen.net

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