Jorge
Hessen
Brasília
-DF
O Espiritismo não nos autoriza à indiferença diante das
contas públicas: exige consciência, solidariedade e responsabilidade com as
gerações futuras. O próximo presidente do Brasil receberá um país diante de um
desafio fiscal de enormes proporções.
Vejamos: Segundo o Banco Central (2026), em agosto de 2026, a
Dívida Bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões, equivalentes
a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A Dívida Líquida do Setor
Público chegou a R$ 9,2 trilhões, ou 69,3% do PIB. No mesmo período, os
juros nominais acumulados em doze meses atingiram R$ 1,182 trilhão (BANCO
CENTRAL DO BRASIL, 2026).
Sem fanatismo político, esses números não devem ser tratados
como mera disputa entre partidos. Constituem um alerta para toda a sociedade.
Uma dívida elevada, quando não administrada de maneira sustentável, restringe a
capacidade de investimento do Estado, amplia a pressão sobre o orçamento e pode
comprometer oportunidades das gerações futuras. Governar exige mais do
que promessas eleitorais: requer planejamento, transparência, eficiência
administrativa e coragem para enfrentar escolhas difíceis.
Sob a perspectiva espírita, a questão também possui dimensão
moral. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, associa a justiça ao respeito
aos direitos de cada um e reconhece, na questão 793, a importância do progresso
moral na avaliação da civilização. Não basta uma sociedade exibir avanços
materiais se tolera desperdícios, privilégios, corrupção ou a transferência
irresponsável dos encargos presentes para os cidadãos de amanhã (KARDEC,
2013).
Isso não significa defender austeridade cega, abandonar os
vulneráveis ou reduzir o Estado a uma máquina contábil. A responsabilidade
fiscal deve caminhar com a justiça social. O dinheiro público precisa financiar
políticas eficazes, proteger os mais necessitados e promover oportunidades, sem
servir de instrumento para interesses eleitorais ou corporativos.
Nós, espíritas, não devemos jamais transformar os centros em palanques, tampouco
permanecer indiferentes à realidade nacional. A neutralidade partidária não
significa neutralidade ética. Podemos acompanhar os indicadores oficiais,
cobrar prestação de contas, rejeitar a corrupção, avaliar propostas com
espírito crítico e escolher representantes comprometidos com a probidade e a
sustentabilidade das finanças públicas.
O futuro governante precisará compreender que administrar a
dívida é também administrar esperanças, sacrifícios e possibilidades humanas. A
verdadeira grandeza de uma nação não se mede apenas pelo volume de sua
economia, mas pela honestidade de suas instituições e pela dignidade
oferecida ao povo.
Nessas eleições, sejamos conscientes e que os
princípios kardecianos nos inspirem a exigir responsabilidade sem ódio, justiça
sem fanatismo e solidariedade sem conivência. O patrimônio público pertence
à coletividade; comprometê-lo irresponsavelmente significa comprometer parte do
futuro de todos nós.
Referências Bibliográficas:
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Estatísticas fiscais: agosto de
2026. Brasília, DF: Banco Central do Brasil, 2026. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais.
Acesso em: 13 out. 2026.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Brasília, DF: Federação
Espírita Brasileira, 2013.









