25 janeiro 2010

O PORVIR DO ESPIRITISMO ANTE A ERA DA COMUNICAÇÃO VIRTUAL

Peter Bradwell, autor de uma pesquisa feita em um centro de estudos britânico, sugere que os patrões deveriam evitar restringir que seus funcionários visitem sites, de relacionamento social, em horários de trabalho. O autor defende, ainda, a importância que os sites, como Facebook, MySpace ou Orkut, têm para vida profissional. Porém, recomenda que as empresas fiquem alerta e interfiram, com rigidez, em relação aos funcionários que abusam do uso desses sites.
Para o pesquisador, a utilização dessas tecnologias, visando maior aproximação com ex-funcionários e clientes em potencial, pode aumentar a produtividade, pode incentivar a criatividade, e pode ajudar a manter um ambiente de trabalho mais democrático. Contudo, alerta que são necessárias regras claras para o uso apropriado de sites de relacionamento. “É bom que as companhias estejam cientes das tensões e analisem a implantação de regras práticas para proteger o impacto positivo das redes de relacionamento", conforme afirmou Robert Ainger, da companhia de telefonia celular, Orange, que encomendou o relatório. (1)
“A maneira como as pessoas interagem com os computadores vai mudar, dramaticamente, nos próximos anos”, afirmou o fundador da Microsoft, Bill Gates, em entrevista à BBC. (2)  Ele prevê que as interfaces tradicionais, como o teclado e o mouse, darão espaço, gradualmente, a tecnologias mais intuitivas e "naturais", como o toque, a visão e a fala. “Em cinco anos, teremos dezenas de milhões de pessoas sentadas navegando, organizando suas vidas, usando este tipo de interface de toque.” (3) Cremos que “a Internet tem papel fundamental como palco para a democratização do saber, através de sua diversidade e pluralismo.” (4)
Existem espíritas que veem a Internet com olhos enviesados, aguilhoados pelos seus medos e mitos. Mas, é importante lembrar que o Espiritismo é uma doutrina aberta aos avanços científicos. O pessimista de plantão e o crítico de carteirinha rejeitam a Internet por causa dos excluídos digitais, o que é ainda uma grave realidade. Mas, acredito que no porvir, ter Internet com tecnologias muitíssimo mais avançadas, usando nossos sentidos, eu diria, será tão comum quanto ter uma geladeira, uma televisão ou mesmo um telefone. Já estamos vendo isso no Estado do Pará.
Transformações sociais, mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem, não podem estagnar o Espiritismo, não podem fechá-las em um pétreo corpo ortodoxo. A incompatibilidade, que se acredita existir entre tecnologia (ciência) e religião, “provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância”. (5) Divaldo diz que “se Allan Kardec estivesse reencarnado, nestes dias, utilizar-se-ia da Internet com a mesma nobreza com que recorreu à imprensa, do seu tempo, na divulgação e defesa do Espiritismo, diante dos seus naturais adversários”. (6)
Segundo o ínclito professor Rivail, "uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até as localidades mais distantes, o conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral.” (7)
Desde a popularização do rádio, disseminado em grande parte do mundo, até as décadas de 30 e 40; a expansão da TV, disseminada no Brasil, a partir dos anos 50; a Internet, a partir da década de 90, com a criação dos sistemas de rede (web), creditada a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou, consideravelmente. Mesmo aqueles que, na sociedade atual, são considerados ignorantes, detêm um volume de informação muito maior que há algumas décadas. Em termos espíritas, isso pode proporcionar um aprofundamento sobre a Doutrina por parte daqueles que já se dizem adeptos, e, também, atrair outros que tenham alguma informação sobre o caráter conceitual do Espiritismo.
Não devemos temer a Internet, tal qual, no mundo medievo, a Inquisição temia os livros. Apoiados no bom senso kardeciano, é urgente aprendermos a arrostar os desafios cibernéticos, sempre com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer. Devemos saber distinguir o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é, sem dúvida alguma, um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor.
Pela Internet, são possíveis os estímulos de fraternidade entre as diversas instituições espíritas em nível mundial. Pela Internet, está surgindo um novo paradigma para o movimento espírita, reforçando a diretriz dada por Bezerra de Menezes e Ismael, na Pátria do Evangelho. Se o “Convertido de Damasco teve que andar centena de milhares de quilômetros a pé, de cidade em cidade, para divulgar o Evangelho, Deus, atualmente, dá-nos a oportunidade de estarmos no aconchego e comodidade do nosso lar e difundir a Terceira Revelação para todos os continentes.
Diante disso, como garantir que o material postado seja legítimo? Como evitar que surjam cópias falsas ou mal editadas? Ambas as questões são importantes e relevantes, para que possamos entender como aplicar a Internet, corretamente, ao ambiente espírita. Nesse caso, a vigília equilibrada é fundamental para atingir uma abordagem balanceada, que possa explorar, plenamente, a tecnologia que temos disponível, e, concomitantemente, projetar os objetivos maiores do trabalho que está sendo desenvolvido, por permissão do Cristo, em nome da Terceira Revelação.


Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
jorgehessen@gmail.com






FONTES:


(1)    Disponível em  http://www.estadao.com.br/geral/not_ger269431,0.htm, acessado em 20-01-10
(2)    Bill Gates em resposta a perguntas de usuários do site em inglês da BBC, disponível em http://www.estadao.com.br/tecnologia/not_tec105424,0.htm, acessado em 20-01-10
(3)    idem
(4)    Entrevista de Pierre Lévy (filósofo) dada ao programa Roda Viva, da TV Cultura de SP, em que fala da cibercultura
(5)    Kardec , Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, Cap. I - item 8
(6)    Franco, Divaldo Pereira - Entrevista dada para a Revista Eletrônica  "O Consolador" em 13.04.08
(7) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Projeto 1868

MÉTODOS DE “ENTERRAR OS MORTOS”, BREVES COMENTÁRIOS

Li, recentemente, uma revista de curiosidades, noticiando que já há pessoas, planejando fórmulas de “embarcar, desta, para outra melhor”, sem deixar o mundo contaminado, em face da putrefação dos restos mortais. Para o método de se “enterrar os mortos”, ainda não há consenso sobre qual seria a alternativa mais, ecologicamente, correta, já que todas têm algum impacto ambiental: a cremação libera CO2 na atmosfera (1) e soluções, como transformar cinzas cadavéricas em diamante ou jogar no espaço, o que, obviamente, consomem muita energia. Alguns especialistas apontam o método freeze-dry, por enquanto disponível, apenas, na Suécia. A técnica consiste em congelar o corpo, junto com nitrogênio líquido, a uma temperatura de 96 graus negativos. Congelados, são colocados para vibrar em uma poderosa esteira e, em poucos minutos, tudo é estilhaçado, transformando-se em “pó”, na quantidade de 20 kg, a partir de um corpo de 70 kg. O “pó” é colocado em uma caixa de amido de batata ou de milho, e enterrado. Uma árvore é plantada em cima da caixa para aproveitar os nutrientes. Entre 6 meses e um ano, tudo desaparece. Parece até coisa de ficção científica.
Para o biólogo Billy Campbell, fundador do primeiro cemitério verde dos EUA, o Ramsey Creek, em funcionamento desde 1996, “o enterro mais ‘verde’ é o que evita desperdício de recursos, não utiliza substâncias tóxicas e opta por materiais biodegradáveis, sem risco de extinção, e protege áreas ameaçadas”. (2) A empresa Eternal Reefs transforma as cinzas da cremação em uma placa que é colocada no fundo do mar e serve de base para corais. “Na Suíça, uma empresa transforma o produto da cremação em diamante. Para fazer a peça, são usados 500 gramas de cinzas e o preço varia, de 2.800 a 10.600 euros. (3) O processo crematório dispensa armazenamento de resíduos e não ocupa terrenos. “Uma pessoa com 70 quilos de massa se transforma em 1 ou 2 quilos de cinzas, enquanto, sob a terra, a decomposição pode durar até dois anos e deixar cerca de 13 quilos de ossos para a posteridade”, argumenta o geólogo Leziro Marques.(4)
O problema dos cemitérios tradicionais (destino final de 80% dos brasileiros, por exemplo) é que, 75% deles, não respeitam determinações técnicas e acabam poluindo o ambiente com necrochorume (substância tóxica produzida pelo cadáver em decomposição). Para o geólogo e professor da Universidade São Judas Tadeu, Leziro Marques Silva, “um corpo de 70 quilos gera 30 quilos de necrochorume, por exemplo. “Os micro-organismos são levados pela água, para fora do cemitério, por quilômetros de distância, causando doenças como tétano, hepatite, febre tifoide e disenteria”. (5)
De acordo com tese de pesquisa sobre o tema, a cada 70 anos, o planeta terá o número de enterrados na mesma quantidade de encarnados atuais, ou seja: daqui a sete décadas, terá 6 bilhões de cadáveres sepultados. Enquanto os profitentes do enterro tradicional (inumação) o defendem, por aguardarem o juízo final e a ressurreição do corpo físico, os que aprovam a cremação afirmam que o enterramento tem consequências sanitárias e econômicas, e, nesse raciocínio, explicam que os cemitérios estariam causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população em geral. Laudos técnicos atestam que cemitérios contaminam a água potável que passa por eles e conduz sério risco de saúde humana às residências das proximidades, além das águas de nascentes, podendo, também, contaminar quem reside longe dos cemitérios.
O planeta tem seus limites espaciais, o que equivale dizer que bilhões e bilhões de corpos enterrados vão encharcar o solo, invadir as águas com o necrochorume (líquido formado a partir da decomposição dos corpos que atacam a natureza, os quais provocariam doenças), disseminando doenças e outros riscos com os quais sanitaristas e pesquisadores têm se preocupado. "Ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar, apressadamente, costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual”. (6)
Kardec nada disse a respeito da cremação. Razão pela qual, o problema da incineração do corpo merece mais demorado estudo entre nós. Se, para uns, o processo crematório não repercute n’alma, para muitos outros, por trás de um cadáver, esconde-se a alma inquieta e sofrida, cuja cremação imediata dos restos mortais será pesadelo terrível e doloroso. Existem teses avessas à cremação, seja por motivo de ordem médico-legal; ou movida por razão de ordem afetiva; e, ainda, a impulsionada pela lógica de ordem religiosa, principalmente, porque a Igreja de Roma era contra o ato, e, até, negava o sacramento às pessoas cremadas. (7) Poderíamos, ainda, acrescentar mais uma objeção - talvez a mais séria: o desconhecimento das coisas do Espírito, que persiste, em grande parte, por medo infundido, preconceito arraigado e falta de informação.
O assunto é complexo, principalmente, quando consideramos que, muitas vezes, "o Espírito não compreende a sua situação; não acredita estar morto, sente-se vivo. Esse estado perdura, por todo o tempo, enquanto existir um liame entre o corpo e o perispírito. (8) O perispírito, desligado do corpo, prova a sensação; mas, como esta não lhe chega através de um canal limitado, torna-se generalizado. Poderíamos dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o seu ser, chegando, assim, ao seu sensorium commune (9), que é o próprio Espírito, mas, de uma forma diversa. Ressalta Kardec, "Nos primeiros momentos após a morte, a visão do Espírito é sempre turva e obscura, esclarecendo-se à medida que ele se liberta e podendo adquirir a mesma clareza que teve quando em vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos”. (10)
Chico Xavier, ao ser questionado, no programa "Pinga Fogo", da extinta TV Tupi, de São Paulo, pelo jornalista Almir Guimarães, quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, à época, explicou: "Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio”. (11) Richard Simonetti, em seu livro, "Quem tem Medo da Morte", lamenta que "nos fornos crematórios de São Paulo, espera-se o prazo legal de 24 horas, inobstante o regulamento permitir que o cadáver permaneça na câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar”. (12)
Para os cadáveres, creio que o Espiritismo não recomenda nem condena a cremação ou o método freeze-dry. Mas, faz-se necessário exercer a piedade com os cadáveres, protelando, por mais tempo, a destinação das vísceras materiais (13), pois existem, sempre, muitas repercussões de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se esvaiu o "fluido vital", nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que, ainda, solicitam a alma para as sensações da existência material. A impressão da desencarnação é percebida, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos. Destarte, recomenda-se, aos adeptos da Doutrina Espírita, que desejam optar pelo processo crematório [ou método freeze-dry], prolongar a operação por um prazo, mínimo, de 72 horas após o desenlace.


Jorge Hessen
Site http://jorgehessen.net
Email jorgehessen@gmail.com






Fontes:


(1)    Feita de maneira correta, a queima dos corpos libera apenas água e gás carbônico em pequenas quantidades, já que os resíduos tóxicos ficam retidos em filtros de ar.
(2)    Revista Superinteressante – 07/2009
(3)    Revista Mundo Estranho – 05/2009
(4)    Revista Mundo Estranho – 05/2009
(5)    http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/conteudo_480673.shtml
(6)    Com as modificações introduzidas pelo novo Ritual de Exéquias, é possível realizar os ritos exequiais inclusive no próprio crematório, evitando, porém, o escândalo ou o perigo de indiferentismo religioso..
(7)    A Igreja romana, por ato do Santo Ofício, desde 1964, resolveu aceitar a cremação, passando a realizar os sacramentos aos cremados, permitindo as exéquias eclesiásticas. Aliás, em nota de rodapé de seu "Tratado" (vol. II. P. 534), o professor Justino Adriano registra o seguinte: "Jésus Hortal, comentando o novo Código de Direito Canônico diz que a disciplina da Igreja 'sobre a cremação de cadáveres, a que, por razões históricas, era totalmente contrária, foi modificada pela Instrução da Sagrada Congregação do Santo Ofício, de 5 de julho de 1963 (AAS 56, 1964, p. 882-
(8)    Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI item IV, questão 257 Livro dos Espíritos).
(9)    Expressão latina, significando a sede das sensações, da sensibilidade.
(10)    Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI, item IV, questão 257 Livro dos Espíritos)
(11)    As duas entrevistas históricas realizadas ao saudoso Francisco Cândido Xavier na extinta TV Tupi/SP canal 4, em 1971 e 1972, respectivamente, enfaixadas nos livros Pinga Fogo com Chico Xavier (Editora Edicel) e Plantão de Respostas - Pinga Fogo II (Ed. CEU)
(12)    Simonetti, Richard.Quem tem Medo da Morte, SP: editora CEAC, 1987
(13)    Depoimento de Chico Xavier in Revista de Espiritismo

20 janeiro 2010

A pluralidade dos mundos habitados em breves inferências



Jorge Hessen
Brasília/DF

A vida e o Universo são magníficos mistérios. Dádiva de Deus, que não podemos, nem vamos compreender de maneira tão simplória. Há dois mil anos, Jesus proclamou que "há muitas moradas na Casa do meu Pai". (1) Atualmente, não é difícil compreendermos que Deus criou Sua Casa (Universo), em cuja morada estão os incontáveis planetas. A questão fundamental é: Nós estamos sozinhos no Universo? Os astrônomos afirmam que estão próximos de responder essa questão que sempre perseguiu a humanidade, desde o início da civilização.

O diretor do observatório astronômico do Vaticano (2), padre José Gabriel Funes, afirmou que Deus pode ter criado seres inteligentes em outros planetas, do mesmo jeito como criou o Universo e os homens. "Isso não contradiz nossa fé, porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus", acrescentou Funes, em entrevista ao jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial de imprensa da Santa Sé".(3)

Um dos ramos científicos que mais têm crescido, desde os anos 50, fazendo audaciosas pesquisas, ampliando muito o acervo de seus conhecimentos, é a Astronomia. Dela derivam, ou com ela interagem, a Astrofísica, a Astroquímica, a Exobiologia (estudo da possibilidade de vida fora da Terra). Simon "Pete" Worden, astrônomo, que lidera o Centro de Pesquisas Ames da NASA, afirma que nós [na Terra] não estamos sozinhos, pois que há muita vida [pelo Universo]. Desde 1995, a Astronomia registrou a descoberta de 400 novos planetas, pertencentes a outros sistemas planetários, muito além deste do qual fazemos parte. Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, em cada descoberta, envolvendo os planetas de fora do nosso Sistema Solar (exoplanetas), apontam para a mesma conclusão: orbes, como a Terra, são, provavelmente, abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão.

O fato é que estamos na Terra, um dos nove planetas do Sistema Solar. Embora pese mais de 6 sextilhões de toneladas e apresente uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, nem por isso é o maior destes planetas que giram ao redor do Sol. Júpiter, por exemplo, lhe é 1.300 vezes maior. Sobre este planeta, Kardec escreveu que "muitos Espíritos, que animaram pessoas conhecidas na Terra, disseram estar reencarnados em Júpiter" (4)

James Jeans, um dos maiores astrônomos do nosso século, afirma, no livro The Universe Around Us (o Universo em volta de nós) que: o número de sistemas planetários, em todo o Espaço, é inimaginavelmente grande. Bilhões deles podem constituir réplicas, quase exatas, de nosso sistema Solar, e milhões de planetas podem constituir outras réplicas, quase exatas, da Terra. Ora, por que só existiria vida aqui no orbe, um planeta que tem um volume de 1.300.000 vezes menor que Júpiter; que dista da lua aproximadamente de 380.000 quilômetros. "Marte, está distante de nós (na Terra) cerca de 56.000.000 de quilômetros, na época de sua maior aproximação; Capela é 5.800 vezes maior que nosso [planetinha]; Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol". (5) Há estrelas tão brilhantes, cuja luz tem uma intensidade 1 milhão de vezes maior do que a luminosidade solar.

O Sistema Solar possui 9 planetas com 57 satélites. No total, são 68 corpos celestes. E, para que tenhamos noção de sua insignificância, diante do restante do Universo, "nosso Sistema compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea" (6), ou seja, um aglomerado de, aproximadamente, 100 bilhões de estrelas, com, pelo menos, cem milhões de planetas, que, segundo Carl Seagan, no mínimo, 100 mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. (7)

As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias conhecidas. Sabe-se, hoje em dia, existirem, pelo Universo observável, pelo menos, 10 bilhões de galáxias. Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilhão de sóis [isso mesmo, 1 quatrilhão!]. Acreditar que somente a Terra tenha vida é supor que todo esse imensurável Universo tenha sido criado sem utilidade alguma, e seria uma impossibilidade matemática que, num Universo tão inimaginável, não se tivesse desenvolvido vida inteligente, senão neste pequeno planeta. Aliás, seria um incompreensível desperdício de espaço.

Concretamente, a Terra é, sem dúvida, o "único" local habitado que sabemos com certeza ter vida, pois, afinal, estamos aqui. No entanto, as provas materiais, da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares, estão em todo lugar: Astrônomos descobriram sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem, aos montes, com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo, talvez, o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra, mesmo, mostra-nos que a vida existe, também, nos locais mais inóspitos e surpreendentes e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas, presentes em ambientes extremos, como gêiseres, mares polares frios e lagos altamente salinos.

Segundo Allan Kardec , "repugna à razão crer que esses inumeráveis globos que circulam no espaço não são senão massas inertes e improdutivas."(8) A Ciência vem descobrindo, incessantemente, planetas situados em outros sistemas estelares. No campo das pesquisas científicas "o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro, acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará." (9)

A proposição kardequiana, da pluralidade dos mundos habitados, continua tão atual quanto na data de sua publicação. Portanto, o Espiritismo corrobora com a tese da existência de vida fora da Terra. Destaque-se que, antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, os Espíritos revelaram, na questão 55, de O Livro dos Espíritos, "que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente". (10)

A propósito, o Espírito Emmanuel confirma que, "nos mapas zodiacais, observa-se, desenhada, uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros que nos são mais vizinhos, ela, na sua trajetória pelo Infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do Ilimitado. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta. Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos."(11)

Reafirma, ainda, Emmanuel que "alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores." (12)

Aqueles seres, explica o mentor de Chico Xavier: "angustiados e aflitos, que deixavam, atrás de si, todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos, não veriam a suave luz da Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia."(13) Sobre isso Agostinho afirmou no século XIX que "não avançar é recuar, e, se o espirito não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam".(14)


Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net
Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com



FONTES:

(1) Cf. João 14:2
(2) A sede do observatório do Vaticano se localiza em Castelgandolfo, cidade próxima de Roma, onde fica situado o palácio de verão do papa, desde 1935. O interesse dos pontífices pela astronomia surgiu com o Papa Gregório 13, que promoveu a reforma do calendário em 1582, dividindo o ano em 365 dias e 12 meses e introduzindo os anos bissextos.
(3) Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL468362-5603,00-VATICANO+ADMITE+QUE+PODE+HAVER+VIDA+FORA+DA+TERRA.html, acessado em 18-01-10
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. IV - Pluralidade das Existências / Item III - (Encarnação nos Diferentes Mundos)
(5) XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994, Cap. 1.
(6) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões.
(7) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis.
(8) Allan Kardec, esposava a mesma idéia. Em 1858, escreveu em A Revista Espírita
(9) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. I
(10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 55
(11) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994
(12) idem
(13) idem
(14) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. III


17 janeiro 2010

RESGATE COLETIVO NO HAITI, BREVE REFLEXÃO ESPIRITA


Para todos os fenômenos da vida humana, há sempre uma razão de ser. No dicionário Espírita, não deve constar a palavra “acaso”, ainda que as situações se nos afigurem insuportáveis. A tragédia do Haiti nos expõe, de maneira evidente, um episódio de resgate coletivo. Qual o significado dos milhares de seres que foram esmagados pelo terremoto? Catástrofe, cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, a Doutrina Espírita tem as explicações prováveis, considerando que, nos Estatutos de Deus, não há espaço para injustiça.

Segundo os Espíritos, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais.” (1) Pela reencarnação e pela destinação da Terra - como mundo expiatório - são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta. Aliás, anomalia só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à idéia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)

Em verdade, "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3)


É bem verdade que as catástrofes naturais ou acidentais, como a do Haiti, vitimam milhares de pessoas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, o drama inenarrável de inúmeras pessoas, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos.

Os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são, freqüentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4) Dessa maneira, esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, "pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)


Antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, muitas vezes, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" - disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento." (7)


FONTES:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V
(2) idem Cap. V
(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737
(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739
(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8
(7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V