13 novembro 2009

SABEDORIA DO BEM VIVER

O tempo é implacável, sagrado e transformador de destinos. Muitos não compreendem os mistérios do tempo que se esvai célere na vida terrena; envelhecem, e quase nada realizam nas instâncias do bem incondicional. Há, porém, aqueles que consolidam, em si, a robusta fé cristã, exercitando, plenamente, o amor ao próximo como método de se eximirem das ruidosas propagandas da virtude de superfície.
O pensador Alexis Carrel afirmou que: - O importante não é acrescentar anos à sua vida, mas vida aos seus anos. Mais tarde, Harry Benjamin endossou a idéia de Carrel com a frase: - "Não queira acrescentar dias à sua vida, mas vida aos seus dias." Estribado nesses axiomas, evocamos os nomes de alguns personagens históricos que, ao acrescentarem vidas aos seus dias e anos, traçaram linhas indeléveis sobre painéis emoldurados com excelsa virtude cristã.
Dentre alguns expoentes da prática do amor, lembramos David Livingstone que, no Século XIX, entoou os dúlcidos cânticos evangélicos para os negros sul-africanos, após ter escrito inesquecíveis contos literários que o projetaram ao lado de deuses da literatura mundial, a exemplo de Victor Hugo. Livingstone renunciou aos proscênios da fama, abandonou a Escócia, sua terra natal e juntou-se àquelas almas sofredoras, nascidas na mais dura dificuldade material.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Florence Nightingale, a ilustre "Dama da Lâmpada", ela que vestiu a túnica da renúncia, afastando-se do convívio do fausto inglês, a fim de abraçar, voluntariamente, a árdua tarefa de socorrer as vítimas da Guerra da Criméia, no Século XIX (1). Nightingale acolheu, amorosamente, junto ao seu coração, muitos soldados feridos, sem a preocupação de saber qual era a nacionalidade de cada vítima. Em nome do amor, deixou plantada a poderosa semente que, posteriormente, foi cultivada por Jean Henrique Dunant.
Inicialmente, Dunant foi um homem de negócios, representante de uma companhia genovesa. Enfrentou alguns problemas, no que diz respeito à exploração das terras, e, numa tentativa de solução desses mesmos problemas, decidiu dirigir-se, pessoalmente, ao Imperador francês, Napoleão III, que, na época, encontrava-se na Itália, comandando o exército francês que, juntamente com os italianos, tentava expulsar os austríacos do território italiano. No front dessa guerra, ao presenciar o sofrimento, na frente de combate [Batalha de Solferino, em 1859], Dunant organizou, de imediato, um serviço de primeiros socorros. Essa experiência deu origem ao seu livro Un Souvenir de Solferino, publicado em 1862, onde sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propôs a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra. Em 1863, fundou a Cruz Vermelha Internacional, reconhecida, no ano seguinte, pela Convenção de Genebra. Após adoecer, esteve internado no hospital dessa vila Suíça, aonde veio a falecer, em 1910.
Hellen Keller teve, de sobra, coragem e determinação robusta para vencer as suas limitações físicas, pois era surda, muda e cega de nascença. Contudo, um dia, Keller conseguiu falar e soltou o verbo como ninguém. Seu vigor moral fez, dela, uma singular mulher, com grande projeção no cenário do mundo. Seu verbo infundia, ao Homem, a necessária reflexão sobre o quanto somos, potencialmente, ilimitados, quando amamos a vida. Por isso, foi considerada uma das dez mulheres mais importantes dos Estados Unidos, no Século XX.
Certa ocasião, o jornalista Harold Gibson disse: - "Por onde Miss Eartha andava, os famintos, os aflitos e os desamparados, de todas as idades, sentiam a sua presença compassiva e animadora." Referia-se à Eartha Mary Magdalene White, uma verdadeira lenda, no norte da Flórida, Estados Unidos. Ela foi quem fundou uma Instituição de amparo ao negro americano. Eartha desencarnou em 1974, com 95 anos de idade, deixando um segredo para vivermos a grande mensagem: - “Façam todo o bem que puderem, de todos os modos, em todos os lugares, para todas as pessoas, enquanto puderem."
Eis, aqui, alguns personagens reais da História que souberam acrescentar vida aos anos de experiência física. Em verdade, cada instante que vivemos, cada minuto que se esvai, nos báratros do dia-a-dia, construímos o nosso destino e escrevemos, nas páginas da vida, os anos de experiência nos carreiros do amor que devotamos ao próximo.





Jorge Hessen


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OBS.:

(1) Conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Criméia (no mar Negro, ao sul da atual Ucrânia), no sul da Rússia e nos Bálcãs. Envolveu, de um lado, a Rússia e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Piemonte-Sardenha (na atual Itália) - formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda - e o Império Turco-Otomano (atual Turquia). Essa coalizão, que contou ainda com o apoio da Áustria, foi formada como reação às pretensões expansionistas russas.









11 novembro 2009

O PENSAMENTO ESPIRITA É O ALICERCE PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


No transcurso dos milênios, o homem foi descobrindo fórmulas para lidar com a natureza ante os impositivos da sociedade. Dominou o fogo, adaptou a roda, inventou a pólvora, conquistou a escrita, materializou a representação artística, inventou a luz elétrica, criou o avião, aprimorou as comunicações, desenvolveu o supercondutor, construiu o computador e mais uma imensa lista de invenções e inovações que melhoram a qualidade de vida terrena. Nesse percurso, as idéias dos pensadores (1) foram ditando preceitos, alterando o formato de percepção do mundo, da vida após a morte e da noção de destino.
Pesquisadores atuais afirmam que a "trajetória humana é repleta de mudanças, justamente pelo fato de o homem ter a capacidade de guiar sua história no campo das idéias, que são agentes transformadores poderosos.” (2) Realmente, o mundo é reflexo das idéias, todavia, nem sempre percebemos quais delas estão por trás de comportamentos e situações cotidianas. A rigor, o que existe são múltiplas idéias e/ou "filosofias” (3), isto é: várias concepções diferentes sobre a existência.
Na Grécia clássica, Sócrates forjou o pensamento de Platão, que influenciou a mente de Aristóteles, que foi mestre de Alexandre, “O Grande” macedônico. Decorrido um milênio e meio pós-Sócrates, o Sacerdote Tomás de Aquino retomou o trabalho de Aristóteles, adaptando-o ao Cristianismo. Séculos depois, o filósofo Descartes, arauto do “Cogito, ergo sum”, debruçou nos escritos de Aquino, filosofou na matemática, sendo, hoje, considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. (4) A rigor, as idéias subsistem, vivem, alteram-se, adaptam-se. Elas são forjadoras de incalculáveis impactos das circunstâncias sobre as utopias e os sonhos humanos. A maioria das pessoas, em quase todos os contextos históricos, vê o estoque acumulado dos ideários de uma civilização como legados que podem torná-las melhores.
Alguns homens realizaram façanhas que afetaram as vidas de milhares e/ou milhões de pessoas. Em certos casos, o impacto de tais influências só tem maior importância em relação àquele momento específico, e, em outros casos, o impacto transcende e se faz sentir por muitas gerações, chegando a ser decisivo em tudo o que ocorre daquele momento em diante. Os exemplos de Moisés, Jesus, Buda, Gutenberg, Lutero e Kardec, por exemplo, permanecem, ainda hoje, como paradigmas a serem seguidos pela humanidade. Já as influências de Hitler, Stálin e Mao Tsé-Tung, que, também, são lembradas, representam o destroço da liberdade e da vida de milhões de pessoas. Graças a Deus (!), os ditadores desencarnam, as armas se enferrujam, porém, ninguém pode destruir os sonhos de quem ama a liberdade.
Karl Marx asseverou que: "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diferentes maneiras; era preciso, porém, transformá-lo." Com a publicação de O Livro dos Espíritos, em meados de Século XIX, surge a proposta de uma filosofia transformadora e, de certa forma, revolucionária, propondo nova reflexão sobre os fundamentos da existência de Deus, do Ser, do destino e da dor. O Espiritismo, portanto, inaugurou outra etapa do pensamento filosófico. É, efetivamente, um novo paradigma do conhecimento, possuindo sólido alicerce de idéias concretas, sem se tornar, no entanto, temporalizado, hermeticamente fechado, pois que acompanha o avanço das novas informações e saberes, na medida em que busca explicar a realidade através da razão, da lógica e da fé, utilizando-se de discurso científico, filosófico e religioso, que se justifica com base nos fatos.
Allan Kardec foi o maior livre-pensador do movimento de idéias progressistas e transformadoras, jungidas aos temas sociológicos, ontológicos, transcendentes e espirituais. O genial lionês percebeu o projeto doutrinário como nova visão histórica do mundo, que revolucionaria os debates filosóficos com seus princípios e suas propostas libertárias. Urge, porém, reconhecermos que a construção mental [modo de pensar] de Kardec [o bom senso encarnado, segundo Flammarion] foi decisiva e determinante para contribuir com a nova ordem dos acontecimentos sociais posteriores ao Século XIX. O ex-druida concebeu um novo modelo de princípio filosófico, de profundas conseqüências éticas e morais, sem as amarras separatistas das religiões, o que faz, atualmente, da Doutrina Espírita, uma das propostas mais consistentes de transformação social jamais vistas na História.
O Codificador consultou os pensadores do além (Espíritos) sobre um universo de questões que sempre inquietaram o pensamento humano: Deus, alma, origem da vida, homem na condição de espírito imortal e pluriexistencial, morte, problemas sociais e familiares, liberdade, sofrimento, destino e felicidade, entre outros. O legado de Rivail, no entanto, impõe-nos a necessária e constante renovação íntima, e, forçosamente, uma nova mentalidade de cada "praticante espírita”, sobretudo daqueles que, ainda, exercitam um Espiritismo, apenas, nos limites dos fenômenos mediúnicos nos Centros Espíritas. Outrossim, é necessária uma efetiva participação dos Espíritas nas questões sociais do país, ainda que sem a absoluta necessidade de militância de partidos políticos, até porque, para esse escopo, a nossa política é a do Evangelho e.... PONTO FINAL...!!
Allan Kardec explica que o objetivo pragmático de O Livro dos Espíritos: "é propor guiar os homens que desejam esclarecer-se, mostrando-lhes, nos estudos, um fim grandioso e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o método que conduz a esse fim.” (5)
O Codificador chama-nos a atenção para um ponto fundamental, que é o seguinte: Não podemos supor que a natureza humana possa transformar-se de imediato, por efeito das idéias espíritas. Até porque, a influência transformadora que elas exercem não é idêntica, nem do mesmo grau em todos os espíritas. Contudo, qualquer que seja o resultado dessa influência, ainda que extremamente fraca, representa, sempre, uma melhora, principalmente, no que tange a dar prova da existência de um mundo extra-físico, o que implica a negação das doutrinas materialistas.
O Espiritismo "caminha de par com o progresso e jamais será ultrapassado, porque, se novas conquistas [científicas e filosóficas] lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” (6).
Distantes, pois, dos conflitos ideológicos, consequentes de discussões estéreis no campo intelectual, com o objetivo de entronizar o pensamento racionalista, embasado nas "certezas" decantadas pelas ciências exatas, que teimam em se confrontar com as ciências humanas, os Pensamentos do Cristo, difundidos pela Doutrina dos Espíritos, representarão o asilo dos aflitos, sobretudo, para os que ouvirem aquela misericordiosa exortação: "Vinde a mim, vós que sofreis e tendes fome de justiça e Eu vos saciarei." (7) Porém, para isso, é necessário que estejamos dispostos a seguir o Mestre, tomando-Lhe a cruz, acompanhando-Lhe os passos.

Jorge Hessen

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FONTES:

(1)Subconjunto especial de homens que pensa de forma diferente.

(2)Segundo o historiador, Felipe Fernández Armesto, professor da Universidade de Londres

(3)considerando um conjunto de saberes, uma visão de mundo ou um modelo explicativo da vida

(4)Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna"

(5)Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001- Introdução, item XVII

(6)Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000-item 55 do Cap. I,

(7)Cf. Mateus 11:28


03 novembro 2009

O ENIGMA DO PRIMEIRO GOLE

A escola é a grande parceira da família na tarefa educativa, em que pese respeitar a cidadania e sem ditar regras rígidas nos lares alheios. No Distrito Federal, uma escola tomou uma medida que tem sido alvo de muita polêmica; irritou os jovens e dividiu opiniões dos adultos ao elaborar um documento, dirigido aos pais e responsáveis, no qual sugere que proíbam seus filhos, menores de 21, (isso mesmo! 21 anos) de ingerirem bebidas alcoólicas nas "inofensivas" festas e eventos sociais, promovidos pelos adolescentes, em suas próprias residências.
Para muitos, talvez seja uma iniciativa um pouco exagerada, visto que falar, atualmente, em “proibir” alguma coisa é, radicalmente, inadmissível na opinião dessa juventude moderninha. Sem adentrar, ainda que sutilmente, no mérito da discussão, cremos que a questão merece ser analisada, até porque, as estatísticas apontam preocupantes índices, refletindo um aumento significativo de jovens que estão bebendo cada vez mais e mais cedo; hoje, na faixa etária dos 13 anos. É bem verdade que a direção da escola deve estar restrita aos problemas intra-escolares, e que não basta, apenas, advertir os pais de que os seus filhos estão bebendo sem controle algum. Até porque, acabam empurrando o problema de volta para a família. A escola é um importante foro para discutir assuntos gerais relacionados aos jovens, com o intuito de mantê-los sob domínio saudável, e, sobretudo, é local dos mais adequados para se debater, à exaustão, o problema da nefanda droga legalizada que ameaça a juventude. Os que se debruçaram na pesquisa sobre o drama do alcoolismo, entre os estudantes do Distrito Federal, informam que oito, em cada dez deles, já usaram álcool.
Atentemos para o trecho a seguir, publicado na revista "Isto É", de 17/11/99, que retrata, bem, uma situação-limite sobre o consumo de alcoólicos em Brasília. "Uma overdose de festas, voltadas para jovens de classe média, garante o alto consumo de bebidas. No feriado de Finados, a distribuição de um panfleto, propagando a realização de uma festa, em uma boate localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, levou quatro amigos [três, deles, menores de idade] a adquirir os ingressos, a R$ 20,00, por pessoa; passaporte, esse, que garante, ao adolescente, o livre trânsito no mundo da fantasia, no paraíso de ilusões: muita mulher bonita, som tecno e muita bebida de graça. Três deles deixaram a boate em mau estado. O quarto precisou sair carregado. Desfalecido, foi colocado, pelos amigos, no banco de trás do carro e levado, às pressas, para o hospital. No caminho, cruzaram com outros jovens desmaiados na calçada, à espera que os pais os identifiquem.”
É lamentável que, no Brasil, consome-se, aproximadamente, mais de dois bilhões de litros de pinga e mais de cinco bilhões de litros de cerveja, por ano. Segundo o Dr. Josimar França, membro da Faculdade da Ciência e Saúde, da Universidade de Brasília, há centenas de milhares de alcoolistas, no Distrito Federal, e boa porcentagem desse universo é constituída de jovens menores de 15 anos de idade. Josimar atesta que o alcoolismo é o mais importante problema de saúde pública no Brasil. Infelizmente, a sociedade convive, aparentemente bem, com a sutileza da invasão do álcool, monstro que tem invadido e destroçado inúmeras famílias, destruindo vários lares.
Especialmente através das propagandas apelativas, hipnotizantes, que custam bilhões de dólares, intoxica-se a estrutura mental do adolescente incauto. Dessa forma, o jovem age sem padrões definidos de comportamento racional, projeta-se em uma perspectiva cada vez mais próxima da derrocada em busca do entorpecimento da consciência e da razão, justificado pelo prazer alucinado no mundo das bebidas, situação, essa, que promove um mergulho no “nada” para as fugas espetaculares da realidade. À maneira de um incêndio, que começa de uma fagulha e causa grande destruição, muitos adolescentes, a partir de um simples gole "inofensivo", precipitam-se nos escombros da miséria moral, transformando-se em uma pessoa vazia de ideais.
Pais cristãos e, absolutamente, cônscios da responsabilidade que assumiram perante a família, não podem oferecer bebidas alcoólicas para seus filhos sob quaisquer pretextos. Ao contrário disso, devem envidar todos os esforços para afastá-los das festas regadas a álcool; essa, sim, é uma atitude sensata. Não devem olvidar que a desgraça real pode ter início no primeiro gole da bebida, às vezes, oferecida num momento de descontração no lar.
Creio que haja suficiente razão para não guardarmos, em casa, as belas e luxuosas garrafas de bebidas alcoólicas, normalmente, mantidas em um “charmoso” barzinho, pois, nelas, está acondicionado o veneno mortal. Eis que, esse local, pode ser o ponto crucial para desencadear uma história repleta de inimagináveis tragédias pessoais, sobretudo, para aqueles que nos são tão caros ao coração, ou seja: os nossos filhos. 

 


Jorge Hessen

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29 outubro 2009

OS ANIMAIS ESTÃO EM PROCESSO DE EVOLUÇÃO E SÃO MAIS INTELIGENTES DO QUE IMAGINAMOS.

Os cães podem farejar situações injustas e apresentar uma emoção simples, similar à inveja ou ciúmes, afirmam os pesquisadores. "Estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que os cachorros se lambem ou se coçam e agem de modo estressado, quando se veem sem os prêmios dados a outros cachorros.” (1) O cientista austríaco, Friederike Range, da Universidade de Viena, liderou o estudo sobre emoções caninas e atesta que certos animais possuem um sentimento ou emoção mais complexa do que, normalmente, atribuiríamos a eles.
Muitas pesquisas demonstram que os animais são mais inteligentes do que se imagina. Alguns dão, até, sinais de consciência. "O imaginário construído em torno da idéia do filósofo francês, René Descartes, no Século XVII, de que os animais seriam como máquinas, desprovidos de emoção e pensamento, persistiu, até o Século XX, mas essa idéia foi sepultada por estudos recentes, a exemplo do que foi publicado na Universidade Saint Andrews, na Escócia. Os pesquisadores dessa Universidade confirmaram que os animais não estão tão distantes de nós em uma habilidade considerada, exclusivamente, humana: a linguagem; tese, essa, corroborada por Irene Pepperberg, pesquisadora da Universidade Brandeis, nos Estados Unidos, uma das pioneiras no estudo da inteligência animal.” (2)
Sob a lupa kardeciana, segundo os Espíritos, a inteligência humana, se comparada entre alguns homens e certos animais, percebe-se, muitas vezes, que é notória a inteligência superior dos animais. Por isso, é difícil estabelecer uma linha de demarcação em alguns casos. Porém, ainda assim, o homem é um Ser à parte, que desce, às vezes, muito baixo [irracionalidade] ou pode elevar-se muito alto. "É bem verdade que o instinto domina a maioria dos animais; mas há os que agem por uma vontade determinada, ou seja, percebemos que há uma certa inteligência animal, ainda que limitada." (3)
A Doutrina Espírita defende a tese de que os animais têm linguagem própria. Não uma linguagem formada de palavras e de sílabas, mas um meio de se comunicarem entre si. Eles "dizem" muito mais coisas do que supomos, lembra Kardec, mas "a sua linguagem, obviamente, é limitada, como as próprias idéias, às suas necessidades.” (4)
Os animais, sendo dotados da vida de relação, têm meios de se prevenir e de expressar as sensações que experimentam. Destarte, "o homem não tem o privilégio exclusivo da linguagem, pois que a dos animais é instintiva e limitada pelo círculo exclusivo das suas necessidades e das suas idéias, enquanto a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência.” (5)
Sobre a questão do "livre-arbítrio" dos animais, recordemos que eles não são simples máquinas, embora sua liberdade de ação seja limitada pelas suas necessidades, e, logicamente, não pode ser comparada ao do humano. Os animais, sendo inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres, mas eles têm liberdade sim, "ainda que restrita aos atos da vida material.” (6) Nesse tópico, considerando que "os animais têm uma inteligência que lhes dá uma relativa liberdade de ação, neles há uma espécie de alma" (infinitamente inferior à do homem) (7) Sobre isso, o Espiritismo explica, afirmativamente, essa realidade e expõe que "esse princípio sobrevive ao corpo físico após a morte" (8), ou seja, a alma dos animais "conserva, após a desencarnação, sua individualidade; porém, não a consciência de si mesma, apenas a vida inteligente permanece em estado latente." (9) “Fica em uma espécie de ‘erraticidade’, pois não está unida a um corpo, mas não é um Espírito errante, posto que o Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o Espírito dos animais não tem a mesma faculdade. Ressalte-se que é a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito humano. O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente, não dispondo de tempo para se pôr em relação com outras criaturas no além.” (10)
Em verdade, a inteligência é, assim, uma propriedade comum, um ponto de encontro entre a alma dos animais e a do homem. Todavia, os animais não têm, senão, a inteligência da vida material; nos homens, "a inteligência produz a vida moral. Essa é, sem dúvida, uma diferença fundamental.” (11) Explicam-nos, os Benfeitores, que os animais "retiram o princípio inteligente do elemento inteligente universal.” (12) A inteligência do homem, também, provém da mesma fonte, "mas, no homem, ela passou por uma elaboração que a eleva sobre a dos brutos.” (13)
Podemos deduzir que o pensamento não é uma característica, apenas, humana. Os animais pensam, mas não raciocinam; os animais têm memória, e recorrem a ela; aprendem com o acerto e com o erro, e não com o raciocínio. Evidentemente, não conseguem teorizar, abstrair, prever eventos, solucionar problemas, mas são, de fato, mais inteligentes do que imaginamos. Estão em processo de evolução e, nesse sentido, devemos “considerar que eles [os animais] possuem, diante do tempo, um porvir de fecundas realizações, através de numerosas experiências chegarão, um dia, ao chamado reino hominal, como, por nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milênios, a situação de angelitude. A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos nossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor, que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos, em nosso íntimo, o santuário eterno da fraternidade universal." (14)


Jorge Hessen

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FONTES:


(1) Disponível em http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2008/12/08/cachorros_demonstram_inveja_ciume_diz_estudo-586900143.asp


(2) Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI9477-15224,00-O+QUE+OS+BICHOS+PENSAM.html


(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espiritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 592


(4) Idem perg. 594.


(5) Idem idem.


(6) Idem perg. 595.


(7) Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus.


(8) Idem perg. 597-a


(9) Idem perg. 598


(10)Idem perg. 600


(11)Idem perg. 604-a


(12)Idem perg. 606


(13)Idem perg. 606


(14)Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Rio de Janeiro: Ed Feb, 1995, perg.79